13.12.05

Quem é Nelson Tanure?

RIO - Nelson Tanure notabilizou-se desde o fim dos anos 80 por comprar empresas em dificuldades financeiras sem assumir a responsabilidade pelas dívidas. Foi assim que comprou o falido estaleiro Emaq. Nos anos 90, o grupo Sequip, de Tanure, comprou o combalido Verolme, mais tarde incorporado ao Ishibrás (IVI). Mas a debilidade financeira do estaleiro foi motivo de briga na Justiça entre Tanure e os portuários, que, em 1998, conseguiram o direito de administrar a empresa. Em 1999, o estaleiro foi arrendado a um grupo de Cingapura.

Outro legado da época de armador: Tanure questiona na Justiça dívidas contraídas na década de 80 junto ao BNDES, referentes à construção de navios para a Petrobras.

Em 1991, comprou a Sade Engenharia. Meses depois, fundos de pensão adquiriram cerca de US$ 14 milhões em ações da companhia. Na ocasião, muitos creditaram a operação à amizade entre ele e a então ministra Zélia Cardoso de Mello.

Em 1997, Tanure comprou da família Paula Machado a Companhia Docas, que meses antes vendera o Banco Boavista ao grupo Monteiro Aranha, ao francês Crédit Agricole e ao português Espírito Santo por R$ 1. Tanure e a família pediram na Justiça a anulação da venda. Só um acordo envolvendo uma indenização de cerca de R$ 150 milhões permitiu a venda ao Bradesco, em 2000.

Tanure entrou no ramo da mídia em 2001, com o mesmo sistema: comprar a parte boa e deixar as dívidas com os antigos controladores. Comprou por R$ 70 milhões o "Jornal do Brasil" e as rádios JB e Cidade. Em 2003, arrendou por 60 anos a marca "Gazeta Mercantil", que tinha uma dívida de R$ 600 milhões.
O Globo

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