Que a corrupção no Brasil é "endêmica", não precisaria o Banco Mundial dizer. Todo mundo sabe. Novidade é o fato de que, ao terminar o governo do partido que se intitulava dono exclusivo da ética, a corrupção não só continua "endêmica" como se agravou. Como diria o presidente Lula, "nunca neste país" um procurador-geral da República havia acusado a cúpula, TODA a cúpula, de um partido do governo de formar uma "quadrilha".
Sempre neste país, acusados de corrupção se defendiam, negavam até a morte que política se faz obrigatoriamente pondo a mão em matéria fecal. Agora, petistas dão de ombros para esse comportamento ou tem até orgasmos com ele, como se vê em artigos de supostas intelectuais do PT. Natural, nessa podridão, que se chegue ao dossiê contra José Serra.
Anos atrás, Lula e o PT, corretamente, haviam desprezado o papelório do chamado "dossiê Cayman".
Agora, ao contrário, um filiado ao partido e uma pessoa que se disse a serviço do PT são presos com dinheiro vivo (e não pouco, R$ 1,7 milhão), que seria usado para comprar o novo dossiê.
Ou seja, a "quadrilha" mostra agora um novo ramo de atividades, sempre, no entanto, como "organização criminosa". Aliás, só delinqüentes usam dinheiro vivo, nessa proporção, para qualquer tipo de operação.
Enquanto isso, a renda do trabalhador no governo do Partido dos Trabalhadores caiu a um ritmo anual de 1,12% e, pela primeira vez em 13 anos, aumentou o número de crianças entre 5 e 14 anos que são forçadas a trabalhar.
Até a única boa notícia contida na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (a queda na desigualdade) é falsa, porque o Ipea já demonstrou que a pesquisa contém brutal sub-declaração dos rendimentos com juros.
Clovis Rossi
17.9.06
Cinismo militante
Em alguns setores do lulismo, descompromisso com a ética na política passa do campo da prática para o da teoria.
SUPERADAS as reações iniciais de surpresa e desencanto, que tomaram conta do petismo ao eclodir a crise do mensalão, um espantoso e célere processo de readaptação moral está em curso. Partem de setores expressivos da militância os argumentos de que, na luta política, é inevitável conviver com a "sujeira" -ou coisa pior.
Um passo além, e já se registram manifestações de que a própria questão da ética na política é secundária, face aos supostos benefícios que um governo, mesmo corrupto, seria capaz de garantir à população mais pobre.
Como nos mais típicos casos de ginástica mental da época stalinista, há quem considere agora puro "moralismo de classe média" os princípios que, em outros tempos, serviam de pretexto ao PT para arrogar-se um papel renovador na política brasileira.
A leniência ética estendeu-se, assim, da esfera da prática para o campo da teoria. A tal ponto chegou a desonestidade intelectual de alguns setores da militância, que ouviram do próprio presidente Lula uma arrevesada e singular advertência.
"O PT foi construído para ser um símbolo de que era possível fazer política diferente", declarou em meio a uma aguada entrevista ao "Jornal da Band", na quinta-feira. "De repente, eu vejo que algumas pessoas do PT enveredaram pelo mesmo círculo vicioso da política brasileira".
Esqueceu-se de dizer, por certo, que tinha sido o primeiro a argumentar, numa patética entrevista em Paris, que seu partido nada mais fizera a não ser o que todos os demais faziam. Condutor da "virada pragmática" que encaminhou governo e partido ao pântano do valerioduto, quis refrear agora o ânimo dos que são mais realistas do que o rei e mais caudilhistas que o caudilho.
Ao cinismo teórico dos que antes se diziam detentores da ética na política, contrapõe-se a hipocrisia dos que, agora, indignam-se nos palanques ao verem magnificada a herança que contribuíram para formar. A compra de votos para aprovar a emenda da reeleição, no governo Fernando Henrique, constituiu um ensaio, ainda tímido, do grande baile dos mensaleiros no Congresso.
O próprio instituto da reeleição teve como conseqüência a promiscuidade, que agora se condena, entre atos administrativos e manobras de campanha. O recurso a medidas eleitoreiras pelo governo Lula teve no populismo cambial do primeiro governo FHC um precedente e um exemplo dos mais graves. E, se escândalos de dimensão inédita varreram o governo atual, não se sabe o que teria acontecido com o anterior se tivessem sido instauradas as CPIs que PSDB e PFL se empenharam em barrar.
O espetáculo oscila do ridículo ao deprimente e parece dar alguma razão a quem afirma que todos, afinal, se indiferenciam do ponto de vista ético. Mas que de uma avaliação da realidade se deduza um princípio de conduta, e que do "rouba, mas faz" se passe ao "rouba, mas é de esquerda" -eis uma aberração que, décadas depois de Lênin, Stálin, Trótski e Mao, reveste de tons de farsa a tragédia, que se esperava extinta, da cegueira militante.
Folha
SUPERADAS as reações iniciais de surpresa e desencanto, que tomaram conta do petismo ao eclodir a crise do mensalão, um espantoso e célere processo de readaptação moral está em curso. Partem de setores expressivos da militância os argumentos de que, na luta política, é inevitável conviver com a "sujeira" -ou coisa pior.
Um passo além, e já se registram manifestações de que a própria questão da ética na política é secundária, face aos supostos benefícios que um governo, mesmo corrupto, seria capaz de garantir à população mais pobre.
Como nos mais típicos casos de ginástica mental da época stalinista, há quem considere agora puro "moralismo de classe média" os princípios que, em outros tempos, serviam de pretexto ao PT para arrogar-se um papel renovador na política brasileira.
A leniência ética estendeu-se, assim, da esfera da prática para o campo da teoria. A tal ponto chegou a desonestidade intelectual de alguns setores da militância, que ouviram do próprio presidente Lula uma arrevesada e singular advertência.
"O PT foi construído para ser um símbolo de que era possível fazer política diferente", declarou em meio a uma aguada entrevista ao "Jornal da Band", na quinta-feira. "De repente, eu vejo que algumas pessoas do PT enveredaram pelo mesmo círculo vicioso da política brasileira".
Esqueceu-se de dizer, por certo, que tinha sido o primeiro a argumentar, numa patética entrevista em Paris, que seu partido nada mais fizera a não ser o que todos os demais faziam. Condutor da "virada pragmática" que encaminhou governo e partido ao pântano do valerioduto, quis refrear agora o ânimo dos que são mais realistas do que o rei e mais caudilhistas que o caudilho.
Ao cinismo teórico dos que antes se diziam detentores da ética na política, contrapõe-se a hipocrisia dos que, agora, indignam-se nos palanques ao verem magnificada a herança que contribuíram para formar. A compra de votos para aprovar a emenda da reeleição, no governo Fernando Henrique, constituiu um ensaio, ainda tímido, do grande baile dos mensaleiros no Congresso.
O próprio instituto da reeleição teve como conseqüência a promiscuidade, que agora se condena, entre atos administrativos e manobras de campanha. O recurso a medidas eleitoreiras pelo governo Lula teve no populismo cambial do primeiro governo FHC um precedente e um exemplo dos mais graves. E, se escândalos de dimensão inédita varreram o governo atual, não se sabe o que teria acontecido com o anterior se tivessem sido instauradas as CPIs que PSDB e PFL se empenharam em barrar.
O espetáculo oscila do ridículo ao deprimente e parece dar alguma razão a quem afirma que todos, afinal, se indiferenciam do ponto de vista ético. Mas que de uma avaliação da realidade se deduza um princípio de conduta, e que do "rouba, mas faz" se passe ao "rouba, mas é de esquerda" -eis uma aberração que, décadas depois de Lênin, Stálin, Trótski e Mao, reveste de tons de farsa a tragédia, que se esperava extinta, da cegueira militante.
Folha
Lula, China e Congresso
Para Lula, crescimento à chinesa só com o Congresso fechado
Em jantar com empresários, presidente disse em tom de crítica que nova legislatura deve ter Maluf e Clodovil
A conversa corria animada, entre um grupo de empresários e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no jantar oferecido quinta-feira passada pelo ministro do Desenvolvimento, Luiz Furlan, quando um dos presentes fez a pergunta crucial: o que seria preciso fazer para o Brasil crescer num ritmo maior, quem sabe no ritmo da China?
'Aqui é mais complicado', respondeu o presidente. 'A China é uma ditadura. Para fazer isso, só se eu fechasse o Congresso'.
Todos em volta riram. Imediatamente, de um lado e de outro, brotaram comentários de que isso não seria possível - mas todos passaram, no ato, a fazer fortes críticas ao atual Congresso. E o nível do próximo, a ser eleito daqui a duas semanas, na opinião geral não deverá ser melhor. O presidente lembrou que, entre outros eleitos, lá estarão figuras como Paulo Maluf e Clodovil. Em seguida, porém, trouxe à lembrança a frase famosa de um cacique da política nacional, Ulysses Guimarães. 'O dr. Ulysses já dizia: ruim com os políticos, pior sem eles', ponderou Lula.
Aquela era a principal das cinco mesas preparadas na casa do ministro, em Brasília. Além do próprio Furlan, ali estavam Eugênio Staub, dono da Gradiente, o dono do Grupo Ultra, Paulo Cunha, um dos diretores do Unibanco, Pedro Moreira Salles, e o presidente da Câmara Americana de Comércio, Hélio Magalhães.
Espalhados pelas outras mesas estavam, entre os cerca de 35 convidados, Walter Fontana (Sadia), Carlos Mariani (Grupo Mariani), Domingos Boulus (White Martins), Alberto Gueller (Unipar), Gustavo Marin (Citigroup), Rogério Oliveira ( IBM) e Bolívar Moura (Ipiranga).
Como de hábito, o presidente espalhou palavras nada elegantes, à vontade, nas rodinhas pelas quais circulou, antes que o jantar fosse servido. Já nessa etapa inicial do encontro, alguns dos convivas se assustaram com a falta de cerimônia presidencial. Eram, no caso, empresários que jamais haviam estado com Lula em ambientes informais.
Quem imaginava aproveitar a proximidade com Lula para saber coisas importantes saiu decepcionado: praticamente metade do tempo ele passou falando sobre peixes e surpreendendo todo mundo pelo seu conhecimento, em especial, sobre as tilápias.
Além da inesperada menção à idéia de que o País só cresceria se o Congresso fosse fechado, Lula explicitou sua vontade de reduzir impostos - ele disse ter uma disposição de baixá-los em 10%, quem sabe ainda antes das eleições. 'Até o (ministro Guido) Mantega (da Fazenda) está achando que estou sendo muito agressivo', avisou em seguida. Em outros momentos, pareceu claro aos empresários que o presidente, num eventual segundo mandato, não fará grandes mudanças na estratégia econômica - o que, na opinião geral, significa manter o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles. E Lula não parece ter dúvidas de que vencerá no primeiro turno. Comentou que se isso de fato ocorrer seu novo governo começa já no dia 5 de outubro.
Estadão
Em jantar com empresários, presidente disse em tom de crítica que nova legislatura deve ter Maluf e Clodovil
A conversa corria animada, entre um grupo de empresários e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no jantar oferecido quinta-feira passada pelo ministro do Desenvolvimento, Luiz Furlan, quando um dos presentes fez a pergunta crucial: o que seria preciso fazer para o Brasil crescer num ritmo maior, quem sabe no ritmo da China?
'Aqui é mais complicado', respondeu o presidente. 'A China é uma ditadura. Para fazer isso, só se eu fechasse o Congresso'.
Todos em volta riram. Imediatamente, de um lado e de outro, brotaram comentários de que isso não seria possível - mas todos passaram, no ato, a fazer fortes críticas ao atual Congresso. E o nível do próximo, a ser eleito daqui a duas semanas, na opinião geral não deverá ser melhor. O presidente lembrou que, entre outros eleitos, lá estarão figuras como Paulo Maluf e Clodovil. Em seguida, porém, trouxe à lembrança a frase famosa de um cacique da política nacional, Ulysses Guimarães. 'O dr. Ulysses já dizia: ruim com os políticos, pior sem eles', ponderou Lula.
Aquela era a principal das cinco mesas preparadas na casa do ministro, em Brasília. Além do próprio Furlan, ali estavam Eugênio Staub, dono da Gradiente, o dono do Grupo Ultra, Paulo Cunha, um dos diretores do Unibanco, Pedro Moreira Salles, e o presidente da Câmara Americana de Comércio, Hélio Magalhães.
Espalhados pelas outras mesas estavam, entre os cerca de 35 convidados, Walter Fontana (Sadia), Carlos Mariani (Grupo Mariani), Domingos Boulus (White Martins), Alberto Gueller (Unipar), Gustavo Marin (Citigroup), Rogério Oliveira ( IBM) e Bolívar Moura (Ipiranga).
Como de hábito, o presidente espalhou palavras nada elegantes, à vontade, nas rodinhas pelas quais circulou, antes que o jantar fosse servido. Já nessa etapa inicial do encontro, alguns dos convivas se assustaram com a falta de cerimônia presidencial. Eram, no caso, empresários que jamais haviam estado com Lula em ambientes informais.
Quem imaginava aproveitar a proximidade com Lula para saber coisas importantes saiu decepcionado: praticamente metade do tempo ele passou falando sobre peixes e surpreendendo todo mundo pelo seu conhecimento, em especial, sobre as tilápias.
Além da inesperada menção à idéia de que o País só cresceria se o Congresso fosse fechado, Lula explicitou sua vontade de reduzir impostos - ele disse ter uma disposição de baixá-los em 10%, quem sabe ainda antes das eleições. 'Até o (ministro Guido) Mantega (da Fazenda) está achando que estou sendo muito agressivo', avisou em seguida. Em outros momentos, pareceu claro aos empresários que o presidente, num eventual segundo mandato, não fará grandes mudanças na estratégia econômica - o que, na opinião geral, significa manter o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles. E Lula não parece ter dúvidas de que vencerá no primeiro turno. Comentou que se isso de fato ocorrer seu novo governo começa já no dia 5 de outubro.
Estadão
16.9.06
Dossiê anti-Serra!!
PF prende petistas acusados de comprar dossiê anti-Serra
Membro do partido e ex-agente da PF foram presos com R$ 1,7 milhão em São Paulo
Polícia também prendeu em Mato Grosso líder da máfia sanguessuga e seu primo, que carregava no aeroporto vídeos e fotos contra tucano
A Polícia Federal apreendeu ontem US$ 248,8 mil e R$ 1,168 milhão (R$ 1,7 milhão), em um hotel de São Paulo, em poder do petista Valdebran Carlos Padilha da Silva, empreiteiro mato-grossense, e de Gedimar Pereira Passos, advogado e ex-agente da PF. Eles estavam intermediando a compra de vídeos, fotos e documentos que mostrariam suposto envolvimento dos candidatos tucanos Geraldo Alckmin e José Serra com a máfia dos sanguessugas.
O material, que teria sido reunido e arquivado por Luiz Antonio Vedoin, um dos donos da Planam, foi encontrado e apreendido em Cuiabá (MT), na noite de anteontem.
Vedoin, apontado como chefe do esquema dos sanguessugas, foi preso ontem pela Polícia Federal, na capital mato-grossense, sob acusação de "ocultação e venda de provas" e "chantagem de pessoas envolvidas em crimes".
Em nota oficial, a PF informou que a operação policial começou na noite de anteontem, no aeroporto de Várzea Grande, "região metropolitana de Cuiabá, quando localizou na bagagem de Paulo Roberto Trevisan [primo de Vedoin] uma fita de vídeo, um DVD, uma agenda e seis fotografias que vinculariam políticos ao esquema de superfaturamento [na compra de ambulância pelo Ministério da Saúde] investigado na Operação Sanguessugas".
"No vídeo aparece José Serra. Tem fotos do Alckmin e do [senador tucano] Antero [Paes de Barros] e deputados daqui", afirmou a PF em Mato Grosso.
Trevisan foi detido quando subia a escada do avião com uma pasta azul levando o material com imagens da presença de Serra e outros tucanos na entrega de 41 uma ambulâncias em Cuiabá, em maio de 2001. As ambulâncias foram vendidas pela Planam. Trevisan estava embarcando para São Paulo, onde ocorreria a negociação.
Levado à PF, Paulo Trevisan disse que iria entregar o material em São Paulo a pedido de Vedoin a uma pessoa que o reconheceria pela pasta azul. Em seguida, Trevisan foi liberado.
A PF de Mato Grosso acionou a Superintendência da PF em SP na madrugada de ontem. Mediante ordem judicial, pediu que os policiais localizassem Padilha e Passos. Eles foram encontrados nos quartos 475 e 479 do hotel Ibis Congonhas, próximo ao aeroporto.
Tecnicamente, não foram presos em flagrante, pois não é crime portar dinheiro em espécie, conforme a legislação brasileira. A ilegalidade se confirmará se não conseguirem comprovar a origem do dinheiro. Eles foram levados pelos policiais à superintendência da PF para prestar esclarecimentos sobre o montante que estava em seu poder e ficaram detidos, pois tiveram sua prisão temporária decretada por sete dias.
Por determinação judicial, o dinheiro apreendido ficará sob a custódia da 3ª Vara da Justiça Federal em Mato Grosso. Vedoin está sob a custódia da Polinter, em Cuiabá. Segundo a PF, as diligências executadas em São Paulo e Cuiabá têm autorização judicial, despachada pelo juiz César Bearsi, também da 3ª Vara da Justiça Federal.
Desdobramentos
As prisões realizadas ontem, segundo a PF, são desdobramento da Operação Sanguessugas, deflagrada em maio, com a prisão de 48 empresários -entre os quais Darci e Luiz Antonio Vedoin- e funcionários de suas empresas, além dos ex-deputados Ronivom Santiago e Carlos Rodrigues.
Ao dar seqüência a linhas de investigação que derivavam do foco principal da operação sanguessugas, a PF identificou novos personagens no desdobramento de negócios atribuídos aos Vedoin. Segundo a PF, os policiais receberam uma informação de que Paulo Trevisan estava levando o material a São Paulo. A Justiça Federal havia autorizado escutas telefônicas para monitorar Vedoin.
Padilha seria o coordenador da campanha petista em Mato Grosso. À PF Gedimar Passos disse que estava a serviço do PT na negociação para comprar documentos e imagens que poderiam colocar sob suspeita os candidatos tucanos à Presidência e ao governo paulista.
Folha
Membro do partido e ex-agente da PF foram presos com R$ 1,7 milhão em São Paulo
Polícia também prendeu em Mato Grosso líder da máfia sanguessuga e seu primo, que carregava no aeroporto vídeos e fotos contra tucano
A Polícia Federal apreendeu ontem US$ 248,8 mil e R$ 1,168 milhão (R$ 1,7 milhão), em um hotel de São Paulo, em poder do petista Valdebran Carlos Padilha da Silva, empreiteiro mato-grossense, e de Gedimar Pereira Passos, advogado e ex-agente da PF. Eles estavam intermediando a compra de vídeos, fotos e documentos que mostrariam suposto envolvimento dos candidatos tucanos Geraldo Alckmin e José Serra com a máfia dos sanguessugas.
O material, que teria sido reunido e arquivado por Luiz Antonio Vedoin, um dos donos da Planam, foi encontrado e apreendido em Cuiabá (MT), na noite de anteontem.
Vedoin, apontado como chefe do esquema dos sanguessugas, foi preso ontem pela Polícia Federal, na capital mato-grossense, sob acusação de "ocultação e venda de provas" e "chantagem de pessoas envolvidas em crimes".
Em nota oficial, a PF informou que a operação policial começou na noite de anteontem, no aeroporto de Várzea Grande, "região metropolitana de Cuiabá, quando localizou na bagagem de Paulo Roberto Trevisan [primo de Vedoin] uma fita de vídeo, um DVD, uma agenda e seis fotografias que vinculariam políticos ao esquema de superfaturamento [na compra de ambulância pelo Ministério da Saúde] investigado na Operação Sanguessugas".
"No vídeo aparece José Serra. Tem fotos do Alckmin e do [senador tucano] Antero [Paes de Barros] e deputados daqui", afirmou a PF em Mato Grosso.
Trevisan foi detido quando subia a escada do avião com uma pasta azul levando o material com imagens da presença de Serra e outros tucanos na entrega de 41 uma ambulâncias em Cuiabá, em maio de 2001. As ambulâncias foram vendidas pela Planam. Trevisan estava embarcando para São Paulo, onde ocorreria a negociação.
Levado à PF, Paulo Trevisan disse que iria entregar o material em São Paulo a pedido de Vedoin a uma pessoa que o reconheceria pela pasta azul. Em seguida, Trevisan foi liberado.
A PF de Mato Grosso acionou a Superintendência da PF em SP na madrugada de ontem. Mediante ordem judicial, pediu que os policiais localizassem Padilha e Passos. Eles foram encontrados nos quartos 475 e 479 do hotel Ibis Congonhas, próximo ao aeroporto.
Tecnicamente, não foram presos em flagrante, pois não é crime portar dinheiro em espécie, conforme a legislação brasileira. A ilegalidade se confirmará se não conseguirem comprovar a origem do dinheiro. Eles foram levados pelos policiais à superintendência da PF para prestar esclarecimentos sobre o montante que estava em seu poder e ficaram detidos, pois tiveram sua prisão temporária decretada por sete dias.
Por determinação judicial, o dinheiro apreendido ficará sob a custódia da 3ª Vara da Justiça Federal em Mato Grosso. Vedoin está sob a custódia da Polinter, em Cuiabá. Segundo a PF, as diligências executadas em São Paulo e Cuiabá têm autorização judicial, despachada pelo juiz César Bearsi, também da 3ª Vara da Justiça Federal.
Desdobramentos
As prisões realizadas ontem, segundo a PF, são desdobramento da Operação Sanguessugas, deflagrada em maio, com a prisão de 48 empresários -entre os quais Darci e Luiz Antonio Vedoin- e funcionários de suas empresas, além dos ex-deputados Ronivom Santiago e Carlos Rodrigues.
Ao dar seqüência a linhas de investigação que derivavam do foco principal da operação sanguessugas, a PF identificou novos personagens no desdobramento de negócios atribuídos aos Vedoin. Segundo a PF, os policiais receberam uma informação de que Paulo Trevisan estava levando o material a São Paulo. A Justiça Federal havia autorizado escutas telefônicas para monitorar Vedoin.
Padilha seria o coordenador da campanha petista em Mato Grosso. À PF Gedimar Passos disse que estava a serviço do PT na negociação para comprar documentos e imagens que poderiam colocar sob suspeita os candidatos tucanos à Presidência e ao governo paulista.
Folha
Lula prefere segundo turno
Disse o ministro das Relações Institucionais, Tarso Genro, que o presidente Lula está preparado para se reeleger tanto no primeiro quanto no segundo turno. Se tivesse maior sensibilidade para captar o recôndito da alma presidencial, certamente o ministro entenderia que Lula, embora não se aborreça se ganhar no primeiro, tem sólidos motivos para preferir muito mais sua reeleição no segundo turno.
Antes de mais nada, Lula bem sabe o quanto representa a necessidade de trabalho e emprego nos dias que correm. E o segundo turno nas eleições presidenciais significa mais um mês de trabalho para milhares de pessoas. Os que têm a função de elaborar os programas do horário gratuito no rádio e na televisão - produtores-executivos, diretores, roteiristas, cenógrafos, cinegrafistas, figurinistas, continuístas, músicos, sonoplastas, locutores, pesquisadores, etc.; os incumbidos dos materiais gráficos e têxteis de propaganda, tais como desenhistas, produtores de cartazes, bandeiras, banners, camisetas, bonés, etc.; os encarregados e operadores de equipamentos de som, de transporte, de telemarketing, de logística, os merendeiros, panfleteiros, seguranças, motoristas, enfim, há batalhões de profissionais que, caso a eleição se definisse já no primeiro turno, perderiam repentinamente uma importante - mesmo que temporária - fonte de rendimento.
O segundo motivo relevante para Lula preferir o segundo turno é o da governabilidade. Confirmando-se as previsões segundo as quais o Partido dos Trabalhadores (por sabidas razões) estará minguado depois das próximas eleições, se Lula se reeleger precisará construir uma sólida base de apoio multipartidário, sob pena de ter de afundar-se, de novo, no sistema de cooptação via mensalão. Ora, que melhor ajuste em prol da governabilidade haveria do que aquele negociado em função dos indispensáveis apoios para o sucesso eleitoral no segundo turno? O aliado do segundo turno vale mais que o do primeiro, porque é uma força nova, agregadora, com a motivação de quem salta da derrota para a parceria na vitória, com base no sábio mandamento do sucesso, que é o if you can't beat him, join him.
O terceiro motivo é o da credibilidade, que Lula precisa conectar à sua popularidade - características essas que não se confundem, visto que a ocorrência de uma não implica a existência da outra, mas ambas são necessárias para o êxito de qualquer político, especialmente um chefe de Estado e de governo. Essa credibilidade só poderá ser recuperada quando o eleitor perceber que aquele que pretende continuar exercendo o mais elevado cargo da República está agora, de fato, mais preparado para a função, sob o ponto de vista dos conhecimentos adquiridos, da experiência acumulada, do comportamento ético adotado e de tudo o mais que exija demonstração direta e ao vivo, perante o eleitorado, sem a ajuda dos textos alheios lidos no teleprompter ou dos truques mirabolantes engendrados pelos marqueteiros. Quer dizer, é a credibilidade que deriva da imagem da sinceridade não representada, da competência não fingida e da capacidade de raciocínio que só se comprova nos momentos inesperados dos debates, na superação das dificuldades causadas pelas perguntas, réplicas e tréplicas dos adversários, dentro da prática essencialmente democrática do debate público-político.
Certamente o presidente Lula não se contentará em ser reeleito apenas em razão do 'puro assistencialismo' do Bolsa-Família, 'que não liberta ninguém da miséria', apesar de significar 'tutti votti garantiti' de dezenas de milhões, como a ele se referiu o companheiro Frei Betto em entrevista recente ao Corriere Della Sera. Um presidente da República 'que agora conhece o mundo e o mundo o conhece', além de votado, tem de ser respeitado. E para voltar a ser respeitado o presidente precisa de mais tempo - pelo menos um mês - para explicar ao País e ao mundo o significado preciso das frases que pronunciou durante seus primeiros quatro anos de gestão, tais como:
'Eu gostaria de ter estudado latim, assim eu poderia me comunicar melhor com o povo da América Latina.'
'A grande maioria de nossas importações vem de fora do País.'
'Se não tivermos sucesso, corremos o risco de fracassarmos.'
'Uma palavra resume provavelmente a responsabilidade de qualquer governante. E essa palavra é 'estar preparado'.'
'O futuro será melhor amanhã.'
'Eu mantenho todas as declarações erradas que fiz.'
'Nós temos um firme compromisso com a Otan. Nós temos um firme compromisso com a Europa. Nós fazemos parte da Europa.'
'Um número baixo de votantes é uma indicação de que menas pessoas estão a votar.'
'Nós estamos preparados para qualquer imprevisto que possa ocorrer ou não.'
'Para a Nasa, o espaço ainda é alta prioridade.'
'Não é a poluição que está prejudicando o meio ambiente. São as impurezas no ar e na água que fazem isso.'
'É tempo para a raça humana entrar no sistema solar.'
Ninguém duvida da sinceridade do presidente quando ele afirma que a maior de todas as suas prioridades é a educação. Mas, como se sabe, um exemplo vale mais do que mil palavras. Ao explicar o sentido das mencionadas frases, o presidente provavelmente estará ilustrando, melhor do que ninguém, o verdadeiro significado do milagre da educação. Por tudo isso, é dever dos que desejam a recuperação do respeito e da governabilidade do presidente Lula votar em outro candidato presidencial, para que por meio do segundo turno se organizem melhor as forças que possam dar efetiva sustentação político-parlamentar ao que comandará os destinos da Nação nos próximos quatro anos.
Mauro Chaves é jornalista, advogado, escritor, administrador de empresas e produtor cultural. E-mail: mauro.chaves@attglobal.net
Antes de mais nada, Lula bem sabe o quanto representa a necessidade de trabalho e emprego nos dias que correm. E o segundo turno nas eleições presidenciais significa mais um mês de trabalho para milhares de pessoas. Os que têm a função de elaborar os programas do horário gratuito no rádio e na televisão - produtores-executivos, diretores, roteiristas, cenógrafos, cinegrafistas, figurinistas, continuístas, músicos, sonoplastas, locutores, pesquisadores, etc.; os incumbidos dos materiais gráficos e têxteis de propaganda, tais como desenhistas, produtores de cartazes, bandeiras, banners, camisetas, bonés, etc.; os encarregados e operadores de equipamentos de som, de transporte, de telemarketing, de logística, os merendeiros, panfleteiros, seguranças, motoristas, enfim, há batalhões de profissionais que, caso a eleição se definisse já no primeiro turno, perderiam repentinamente uma importante - mesmo que temporária - fonte de rendimento.
O segundo motivo relevante para Lula preferir o segundo turno é o da governabilidade. Confirmando-se as previsões segundo as quais o Partido dos Trabalhadores (por sabidas razões) estará minguado depois das próximas eleições, se Lula se reeleger precisará construir uma sólida base de apoio multipartidário, sob pena de ter de afundar-se, de novo, no sistema de cooptação via mensalão. Ora, que melhor ajuste em prol da governabilidade haveria do que aquele negociado em função dos indispensáveis apoios para o sucesso eleitoral no segundo turno? O aliado do segundo turno vale mais que o do primeiro, porque é uma força nova, agregadora, com a motivação de quem salta da derrota para a parceria na vitória, com base no sábio mandamento do sucesso, que é o if you can't beat him, join him.
O terceiro motivo é o da credibilidade, que Lula precisa conectar à sua popularidade - características essas que não se confundem, visto que a ocorrência de uma não implica a existência da outra, mas ambas são necessárias para o êxito de qualquer político, especialmente um chefe de Estado e de governo. Essa credibilidade só poderá ser recuperada quando o eleitor perceber que aquele que pretende continuar exercendo o mais elevado cargo da República está agora, de fato, mais preparado para a função, sob o ponto de vista dos conhecimentos adquiridos, da experiência acumulada, do comportamento ético adotado e de tudo o mais que exija demonstração direta e ao vivo, perante o eleitorado, sem a ajuda dos textos alheios lidos no teleprompter ou dos truques mirabolantes engendrados pelos marqueteiros. Quer dizer, é a credibilidade que deriva da imagem da sinceridade não representada, da competência não fingida e da capacidade de raciocínio que só se comprova nos momentos inesperados dos debates, na superação das dificuldades causadas pelas perguntas, réplicas e tréplicas dos adversários, dentro da prática essencialmente democrática do debate público-político.
Certamente o presidente Lula não se contentará em ser reeleito apenas em razão do 'puro assistencialismo' do Bolsa-Família, 'que não liberta ninguém da miséria', apesar de significar 'tutti votti garantiti' de dezenas de milhões, como a ele se referiu o companheiro Frei Betto em entrevista recente ao Corriere Della Sera. Um presidente da República 'que agora conhece o mundo e o mundo o conhece', além de votado, tem de ser respeitado. E para voltar a ser respeitado o presidente precisa de mais tempo - pelo menos um mês - para explicar ao País e ao mundo o significado preciso das frases que pronunciou durante seus primeiros quatro anos de gestão, tais como:
'Eu gostaria de ter estudado latim, assim eu poderia me comunicar melhor com o povo da América Latina.'
'A grande maioria de nossas importações vem de fora do País.'
'Se não tivermos sucesso, corremos o risco de fracassarmos.'
'Uma palavra resume provavelmente a responsabilidade de qualquer governante. E essa palavra é 'estar preparado'.'
'O futuro será melhor amanhã.'
'Eu mantenho todas as declarações erradas que fiz.'
'Nós temos um firme compromisso com a Otan. Nós temos um firme compromisso com a Europa. Nós fazemos parte da Europa.'
'Um número baixo de votantes é uma indicação de que menas pessoas estão a votar.'
'Nós estamos preparados para qualquer imprevisto que possa ocorrer ou não.'
'Para a Nasa, o espaço ainda é alta prioridade.'
'Não é a poluição que está prejudicando o meio ambiente. São as impurezas no ar e na água que fazem isso.'
'É tempo para a raça humana entrar no sistema solar.'
Ninguém duvida da sinceridade do presidente quando ele afirma que a maior de todas as suas prioridades é a educação. Mas, como se sabe, um exemplo vale mais do que mil palavras. Ao explicar o sentido das mencionadas frases, o presidente provavelmente estará ilustrando, melhor do que ninguém, o verdadeiro significado do milagre da educação. Por tudo isso, é dever dos que desejam a recuperação do respeito e da governabilidade do presidente Lula votar em outro candidato presidencial, para que por meio do segundo turno se organizem melhor as forças que possam dar efetiva sustentação político-parlamentar ao que comandará os destinos da Nação nos próximos quatro anos.
Mauro Chaves é jornalista, advogado, escritor, administrador de empresas e produtor cultural. E-mail: mauro.chaves@attglobal.net
O alvo era Serra
Vedoin, o empresário dos sanguessugas,é preso pela PF. Ele é suspeito de participar com petistas de uma armação contra o candidato tucano
A Polícia Federal anunciou, na sexta-feira passada, a prisão do empresário Luiz Antônio Vedoin em um motel em Cuiabá. Vedoin é um dos sócios da Planam, empresa que chefiava a máfia dos sanguessugas. O empresário foi preso como resultado de escutas telefônicas feitas pela PF. As escutas mostraram que Vedoin havia se envolvido em um esquema sujo de chantagem e guerra eleitoral: comprometera-se a repassar a um tesoureiro petista e a um segurança que trabalha para o PT um conjunto de fotos e vídeos em que José Serra, candidato ao governo de São Paulo, aparecia em cerimônias de entrega de ambulâncias, no período em que era ministro da Saúde. Na quinta-feira, a PF deteve Paulo Trevisan, tio de Vedoin, quando ele tentava embarcar de Cuiabá para São Paulo. Na bagagem, Trevisan levava fotografias, uma fita de vídeo e um DVD com 23 minutos de duração no qual aparecem imagens de uma solenidade de entrega de ambulâncias em Cuiabá, em 2001. No evento, estavam presentes Serra e o então governador paulista, Geraldo Alckmin.
De Cuiabá, os agentes da Polícia Federal avisaram os colegas de São Paulo e informaram sobre os contatos que o tio de Vedoin manteria na cidade. Na manhã de sexta-feira passada, devidamente alertados, os agentes paulistas prenderam, no Hotel Ibis, em frente ao Aeroporto de Congonhas, dois desses contatos. Um deles é Valdebran Carlos Padilha da Silva, empreiteiro de Mato Grosso, tesoureiro informal nas campanhas do PT no estado. Ele é ligado ao deputado petista Carlos Abicalil, notório engolidor de provas na CPI dos Correios. Valdebran e Abicalil operam juntos. O deputado usa uma casa de Valdebran como comitê de campanha em Cuiabá; Valdebran, por sua vez, seria um dos responsáveis por viabilizar as emendas de Abicalil.
Valdebran atualmente tem trabalhado pela candidatura ao governo da petista Serys Slhessarenko, envolvida no escândalo dos sanguessugas. Ele estava com muito dinheiro em seu poder: 758.000 reais e 109.800 dólares, tudo em dinheiro vivo. O outro preso é Gedimar Pereira Passos, um agente federal aposentado que recentemente passou a trabalhar como segurança no PT. Assim como Padilha, ele deveria encontrar-se com o tio de Vedoin e, também como Padilha, trazia consigo uma bolada em dinheiro vivo: 139.000 dólares e 410.000 reais. A PF suspeita que todo esse dinheiro seria trocado pelas fitas em poder do tio de Vedoin.
Semanas depois que fez um acordo com a Justiça Federal para delação premiada, em julho passado, o empresário Luiz Antônio Trevisan Vedoin passou a ter suas ligações telefônicas secretamente monitoradas pela Polícia Federal. As autoridades estavam desconfiadas do comportamento do empresário, que parecia proteger alguns envolvidos e esconder parte de seu baú de provas. O monitoramento permitiu aos agentes federais ter a certeza de que Vedoin estava fazendo chantagem e negociando acusações. Nas últimas negociações, descobriu-se que os alvos eram Geraldo Alckmin e José Serra. As conversas telefônicas indicavam que Vedoin estava empenhado em reunir indícios de envolvimento dos tucanos com a máfia das ambulâncias. O superintendente da PF em Cuiabá, Geraldo Pereira, explica que a prisão de Vedoin ocorreu pelo crime de ocultação e venda de provas. "Temos mais elementos contra ele", diz o superintendente. "Essa investigação não começou ontem."
Na semana em que a Polícia Federal estourou as negociações clandestinas de Vedoin para incriminar os tucanos, a revista Istoé publicou uma reportagem de capa na qual Vedoin e seu pai, Darci Vedoin, acusam Serra de envolvimento com a máfia dos sanguessugas. No início da noite de quinta-feira, antes de a reportagem de Istoé vir a público, o advogado Otto de Azevedo Júnior, que defende Vedoin, entrou em contato com a redação de VEJA para avisar que havia protocolado uma petição na Justiça Federal com novas acusações de Vedoin. Otto disse ainda que as denúncias seriam publicadas na Istoé, mas citou apenas o envolvimento do nome do ex-ministro Barjas Negri, que foi secretário executivo de Serra e o sucedeu na Pasta da Saúde. Uma hora depois, em novo contato telefônico, dessa vez com o próprio Luiz Antônio Vedoin, VEJA perguntou ao dono da Planam se, na entrevista a Istoé, ele havia citado o nome de José Serra. Vedoin negou peremptoriamente, mas o que se viu no dia seguinte é que ele havia mentido. Ao que tudo indica, Vedoin foi uma das peças de uma chantagem. Há muito por esclarecer nesse episódio. Espera-se, no entanto, que ele não sirva de álibi para livrar de punição os políticos sanguessugas que foram denunciados, com provas e fortes evidências, pelo empresário.
Veja
A Polícia Federal anunciou, na sexta-feira passada, a prisão do empresário Luiz Antônio Vedoin em um motel em Cuiabá. Vedoin é um dos sócios da Planam, empresa que chefiava a máfia dos sanguessugas. O empresário foi preso como resultado de escutas telefônicas feitas pela PF. As escutas mostraram que Vedoin havia se envolvido em um esquema sujo de chantagem e guerra eleitoral: comprometera-se a repassar a um tesoureiro petista e a um segurança que trabalha para o PT um conjunto de fotos e vídeos em que José Serra, candidato ao governo de São Paulo, aparecia em cerimônias de entrega de ambulâncias, no período em que era ministro da Saúde. Na quinta-feira, a PF deteve Paulo Trevisan, tio de Vedoin, quando ele tentava embarcar de Cuiabá para São Paulo. Na bagagem, Trevisan levava fotografias, uma fita de vídeo e um DVD com 23 minutos de duração no qual aparecem imagens de uma solenidade de entrega de ambulâncias em Cuiabá, em 2001. No evento, estavam presentes Serra e o então governador paulista, Geraldo Alckmin.
De Cuiabá, os agentes da Polícia Federal avisaram os colegas de São Paulo e informaram sobre os contatos que o tio de Vedoin manteria na cidade. Na manhã de sexta-feira passada, devidamente alertados, os agentes paulistas prenderam, no Hotel Ibis, em frente ao Aeroporto de Congonhas, dois desses contatos. Um deles é Valdebran Carlos Padilha da Silva, empreiteiro de Mato Grosso, tesoureiro informal nas campanhas do PT no estado. Ele é ligado ao deputado petista Carlos Abicalil, notório engolidor de provas na CPI dos Correios. Valdebran e Abicalil operam juntos. O deputado usa uma casa de Valdebran como comitê de campanha em Cuiabá; Valdebran, por sua vez, seria um dos responsáveis por viabilizar as emendas de Abicalil.
Valdebran atualmente tem trabalhado pela candidatura ao governo da petista Serys Slhessarenko, envolvida no escândalo dos sanguessugas. Ele estava com muito dinheiro em seu poder: 758.000 reais e 109.800 dólares, tudo em dinheiro vivo. O outro preso é Gedimar Pereira Passos, um agente federal aposentado que recentemente passou a trabalhar como segurança no PT. Assim como Padilha, ele deveria encontrar-se com o tio de Vedoin e, também como Padilha, trazia consigo uma bolada em dinheiro vivo: 139.000 dólares e 410.000 reais. A PF suspeita que todo esse dinheiro seria trocado pelas fitas em poder do tio de Vedoin.
Semanas depois que fez um acordo com a Justiça Federal para delação premiada, em julho passado, o empresário Luiz Antônio Trevisan Vedoin passou a ter suas ligações telefônicas secretamente monitoradas pela Polícia Federal. As autoridades estavam desconfiadas do comportamento do empresário, que parecia proteger alguns envolvidos e esconder parte de seu baú de provas. O monitoramento permitiu aos agentes federais ter a certeza de que Vedoin estava fazendo chantagem e negociando acusações. Nas últimas negociações, descobriu-se que os alvos eram Geraldo Alckmin e José Serra. As conversas telefônicas indicavam que Vedoin estava empenhado em reunir indícios de envolvimento dos tucanos com a máfia das ambulâncias. O superintendente da PF em Cuiabá, Geraldo Pereira, explica que a prisão de Vedoin ocorreu pelo crime de ocultação e venda de provas. "Temos mais elementos contra ele", diz o superintendente. "Essa investigação não começou ontem."
Na semana em que a Polícia Federal estourou as negociações clandestinas de Vedoin para incriminar os tucanos, a revista Istoé publicou uma reportagem de capa na qual Vedoin e seu pai, Darci Vedoin, acusam Serra de envolvimento com a máfia dos sanguessugas. No início da noite de quinta-feira, antes de a reportagem de Istoé vir a público, o advogado Otto de Azevedo Júnior, que defende Vedoin, entrou em contato com a redação de VEJA para avisar que havia protocolado uma petição na Justiça Federal com novas acusações de Vedoin. Otto disse ainda que as denúncias seriam publicadas na Istoé, mas citou apenas o envolvimento do nome do ex-ministro Barjas Negri, que foi secretário executivo de Serra e o sucedeu na Pasta da Saúde. Uma hora depois, em novo contato telefônico, dessa vez com o próprio Luiz Antônio Vedoin, VEJA perguntou ao dono da Planam se, na entrevista a Istoé, ele havia citado o nome de José Serra. Vedoin negou peremptoriamente, mas o que se viu no dia seguinte é que ele havia mentido. Ao que tudo indica, Vedoin foi uma das peças de uma chantagem. Há muito por esclarecer nesse episódio. Espera-se, no entanto, que ele não sirva de álibi para livrar de punição os políticos sanguessugas que foram denunciados, com provas e fortes evidências, pelo empresário.
Veja
15.9.06
Relatório da PF mostra ministros envolvidos com irregularidades
Lula reivindica os méritos do combate à corrupção, mas esquece de falar que o governo anterior também realizou e iniciou operações importantes
A declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de que 81% dos grupos corruptos desmontados pela Polícia Federal nasceram no governo Fernando Henrique Cardoso, quando esmiuçada, revela dados que constrangem o governo.
De fato, várias quadrilhas citadas no balanço da PF, entregue por Lula a jornalistas durante entrevista a Band na última quinta-feira, 14, nasceram em governos anteriores, sobretudo os de José Sarney (1985-1990) e Fernando Collor (1990-1992). No entanto, embora possa capitalizar politicamente o bom desempenho da PF, o governo Lula ostenta um dado incômodo: quatro ex-ministros do governo petista estão entre os apanhados em denúncias de corrupção investigadas pela PF.
A quadrilha desmontada pela Operação Vampiros em 2004, na qual está indiciado o ex-ministro da Saúde Humberto Costa, já desviava dinheiro da saúde em 1990, no governo Collor, conforme constatou a CPI da Central de Medicamentos (Ceme).
Além de Costa, foram investigados José Dirceu (Casa Civil), acusado no inquérito do mensalão, Luiz Gushiken (Comunicação de Governo), acusado de irregularidades nos gastos com publicidade e Antônio Palocci (Fazenda), indiciado pela violação do sigilo bancário do caseiro Francenildo dos Santos Costa e em inquéritos por desvio de dinheiro público quando foi prefeito de Ribeirão Preto, na década de 90.
Embora Lula reivindique os méritos do combate à corrupção, o governo anterior também realizou e iniciou operações importantes, como as que desmantelaram quadrilhas que recursos das superintendências de desenvolvimento da Amazônia (Sudam) e do Nordeste (Sudene). Foi um trabalho articulado da PF com o Ministério Público que desmantelou a megaquadrilha comandada no Acre pelo ex-deputado Hildebrando Paschoal.
Também foi desmantelada pelo governo Fernando Henrique uma poderosa organização comandada pelo Comendador Arcanjo, no Mato Grosso, envolvida em desvio de recursos públicos, narcotráfico, lavagem de dinheiro e remessas ilegais. Começou no governo anterior o trabalho que levou a desarticular as quadrilhas do crime organizado no Espírito Santo e que mandava bilhões ilegalmente para fora do País no esquema Bestado.
Algumas quadrilhas, de tão antigas, passaram de pai para filho e já caminhavam para a terceira geração. É o caso da máfia das sanguessugas, que vendia ambulâncias superfaturadas a prefeituras para desviar recursos de emendas de parlamentares. O esquema, montado na empresa Planam, no Mato Grosso, foi organizado na década de 90 pelo empresário Darcy Vedoin e transferido para o filho, Luiz Antônio, recapturado nesta sexta-feira, 15, pela PF.
Algumas das quadrilhas especializadas em fraudes na Previdência nasceram no governo Sarney, quando foi montada uma rede de corrupção comandada pelo juiz Nestor do Nascimento e a advogada Jorgina de Freitas, desmantelada no governo passado. Além disso, vários grupos desmontados no atual governo tiveram o trabalho de investigação iniciado anos antes.
O último balanço da Polícia Federal mostra que, de janeiro de 2003 a 13 de setembro último, foram realizadas 239 grandes operações no Brasil, mais da metade delas dedicadas ao combate à corrupção. Nessas ações, foram desmanteladas cerca de 300 quadrilhas de ramos diversos e presas 3.692 pessoas, das quais, cerca de 1.800 indiciadas por corrupção, entre elas, 692 servidores públicos.
Estadão
A declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de que 81% dos grupos corruptos desmontados pela Polícia Federal nasceram no governo Fernando Henrique Cardoso, quando esmiuçada, revela dados que constrangem o governo.
De fato, várias quadrilhas citadas no balanço da PF, entregue por Lula a jornalistas durante entrevista a Band na última quinta-feira, 14, nasceram em governos anteriores, sobretudo os de José Sarney (1985-1990) e Fernando Collor (1990-1992). No entanto, embora possa capitalizar politicamente o bom desempenho da PF, o governo Lula ostenta um dado incômodo: quatro ex-ministros do governo petista estão entre os apanhados em denúncias de corrupção investigadas pela PF.
A quadrilha desmontada pela Operação Vampiros em 2004, na qual está indiciado o ex-ministro da Saúde Humberto Costa, já desviava dinheiro da saúde em 1990, no governo Collor, conforme constatou a CPI da Central de Medicamentos (Ceme).
Além de Costa, foram investigados José Dirceu (Casa Civil), acusado no inquérito do mensalão, Luiz Gushiken (Comunicação de Governo), acusado de irregularidades nos gastos com publicidade e Antônio Palocci (Fazenda), indiciado pela violação do sigilo bancário do caseiro Francenildo dos Santos Costa e em inquéritos por desvio de dinheiro público quando foi prefeito de Ribeirão Preto, na década de 90.
Embora Lula reivindique os méritos do combate à corrupção, o governo anterior também realizou e iniciou operações importantes, como as que desmantelaram quadrilhas que recursos das superintendências de desenvolvimento da Amazônia (Sudam) e do Nordeste (Sudene). Foi um trabalho articulado da PF com o Ministério Público que desmantelou a megaquadrilha comandada no Acre pelo ex-deputado Hildebrando Paschoal.
Também foi desmantelada pelo governo Fernando Henrique uma poderosa organização comandada pelo Comendador Arcanjo, no Mato Grosso, envolvida em desvio de recursos públicos, narcotráfico, lavagem de dinheiro e remessas ilegais. Começou no governo anterior o trabalho que levou a desarticular as quadrilhas do crime organizado no Espírito Santo e que mandava bilhões ilegalmente para fora do País no esquema Bestado.
Algumas quadrilhas, de tão antigas, passaram de pai para filho e já caminhavam para a terceira geração. É o caso da máfia das sanguessugas, que vendia ambulâncias superfaturadas a prefeituras para desviar recursos de emendas de parlamentares. O esquema, montado na empresa Planam, no Mato Grosso, foi organizado na década de 90 pelo empresário Darcy Vedoin e transferido para o filho, Luiz Antônio, recapturado nesta sexta-feira, 15, pela PF.
Algumas das quadrilhas especializadas em fraudes na Previdência nasceram no governo Sarney, quando foi montada uma rede de corrupção comandada pelo juiz Nestor do Nascimento e a advogada Jorgina de Freitas, desmantelada no governo passado. Além disso, vários grupos desmontados no atual governo tiveram o trabalho de investigação iniciado anos antes.
O último balanço da Polícia Federal mostra que, de janeiro de 2003 a 13 de setembro último, foram realizadas 239 grandes operações no Brasil, mais da metade delas dedicadas ao combate à corrupção. Nessas ações, foram desmanteladas cerca de 300 quadrilhas de ramos diversos e presas 3.692 pessoas, das quais, cerca de 1.800 indiciadas por corrupção, entre elas, 692 servidores públicos.
Estadão
Governo quer mais dados!
Governo concorda que crise no campo colaborou com aumento do trabalho infantil
O governo ainda quer mais dados para avaliar os reais motivos que levaram ao crescimento do trabalho infantil no ano passado, segundo mostrou a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad), do IBGE. O secretário de Avaliação e Gestão da Informação do Ministério do Desenvolvimento Social, Rômulo Paes, concorda que a crise no campo ajudou a levar a este fenômeno, mas destacou que a pesquisa não tem um suplemento especial para buscar respostas precisas. Segundo ele, isso ocorrerá na Pnad 2006, cujo levantamento deve começar em breve.
- Enquanto no Brasil houve maior formalização do trabalho, na área rural há crescimento de consumo próprio. Precisamos entender mais o que acontece - afirmou o secretário.
De qualquer forma, o secretário refuta a idéia de que os programas sociais do governo não estejam dando resultados no combate ao trabalho infantil. E cita a integração do Bolsa Família ao Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (Peti), que paga entre R$ 25 e R$ 40 mensais para cada criança que for tirada do mercado de trabalho e levada para a escola.
A idéia é unificar os dois projetos e universalizar o benefício, chegando a 2,7 milhões de crianças que trabalham. Hoje, o Peti atende a 1,01 milhão. Está sendo criado um único cadastro dos dois programas. As características do Peti serão mantidas, mas com pagamento vindo do Bolsa Família.
Paes comemorou a melhora de alguns indicadores da Região Nordeste, a mais pobre do país. Para ele, o crescimento do emprego local é conseqüência do processo de descentralização econômica pelo qual o Brasil tem passado, e creditou também ao Bolsa Família a redução da desigualdade social na região.
O Globo
O governo ainda quer mais dados para avaliar os reais motivos que levaram ao crescimento do trabalho infantil no ano passado, segundo mostrou a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad), do IBGE. O secretário de Avaliação e Gestão da Informação do Ministério do Desenvolvimento Social, Rômulo Paes, concorda que a crise no campo ajudou a levar a este fenômeno, mas destacou que a pesquisa não tem um suplemento especial para buscar respostas precisas. Segundo ele, isso ocorrerá na Pnad 2006, cujo levantamento deve começar em breve.
- Enquanto no Brasil houve maior formalização do trabalho, na área rural há crescimento de consumo próprio. Precisamos entender mais o que acontece - afirmou o secretário.
De qualquer forma, o secretário refuta a idéia de que os programas sociais do governo não estejam dando resultados no combate ao trabalho infantil. E cita a integração do Bolsa Família ao Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (Peti), que paga entre R$ 25 e R$ 40 mensais para cada criança que for tirada do mercado de trabalho e levada para a escola.
A idéia é unificar os dois projetos e universalizar o benefício, chegando a 2,7 milhões de crianças que trabalham. Hoje, o Peti atende a 1,01 milhão. Está sendo criado um único cadastro dos dois programas. As características do Peti serão mantidas, mas com pagamento vindo do Bolsa Família.
Paes comemorou a melhora de alguns indicadores da Região Nordeste, a mais pobre do país. Para ele, o crescimento do emprego local é conseqüência do processo de descentralização econômica pelo qual o Brasil tem passado, e creditou também ao Bolsa Família a redução da desigualdade social na região.
O Globo
Trabalho infantil cresceu
IBGE: trabalho infantil cresceu 10,3% de 2004 para 2005
O número de crianças de 5 a 14 anos de idade que trabalhavam no país em 2005 cresceu 10,3% em relação a 2004, segundo a Pnad do IBGE. Segundo o instituto, o aumento foi influenciado pelo crescimento na categoria dos trabalhadores na produção para o próprio consumo, típica da atividade agrícola, e, em menor grau, na dos não-remunerados, também concentrada nessa atividade.
Em 2005, a atividade agrícola detinha 76,7% do contingente ocupado de 5 a 9 anos de idade.
De 2004 para 2005, o nível da ocupação passou de 1,5% para 1,8% no grupo etário de 5 a 9 anos; de 10,1% para 10,8% no de 10 a 14 anos; e de 31,1% para 30,8% no de 15 a 17 anos de idade.
A concentração em atividade agrícola das crianças e adolescentes ocupados diminuía com o aumento da idade, o mesmo ocorrendo com os trabalhos sem contrapartida de remuneração.
Em 2005, o nível da ocupação masculina na faixa etária de 5 a 17 anos ficou em 15,6% e o da feminina, 8,6%.
O envolvimento de crianças e adolescentes em atividade econômica apresentou diferenças regionais importantes. A região Sudeste foi a que deteve menor nível da ocupação das crianças e adolescentes (8,6%), vindo em seguida a Centro-Oeste (10,5%). No outro extremo, ficou o Nordeste (15,9%), seguido pela região Sul (14,0%). O percentual na região Norte foi de 13,1%.
O Globo
O número de crianças de 5 a 14 anos de idade que trabalhavam no país em 2005 cresceu 10,3% em relação a 2004, segundo a Pnad do IBGE. Segundo o instituto, o aumento foi influenciado pelo crescimento na categoria dos trabalhadores na produção para o próprio consumo, típica da atividade agrícola, e, em menor grau, na dos não-remunerados, também concentrada nessa atividade.
Em 2005, a atividade agrícola detinha 76,7% do contingente ocupado de 5 a 9 anos de idade.
De 2004 para 2005, o nível da ocupação passou de 1,5% para 1,8% no grupo etário de 5 a 9 anos; de 10,1% para 10,8% no de 10 a 14 anos; e de 31,1% para 30,8% no de 15 a 17 anos de idade.
A concentração em atividade agrícola das crianças e adolescentes ocupados diminuía com o aumento da idade, o mesmo ocorrendo com os trabalhos sem contrapartida de remuneração.
Em 2005, o nível da ocupação masculina na faixa etária de 5 a 17 anos ficou em 15,6% e o da feminina, 8,6%.
O envolvimento de crianças e adolescentes em atividade econômica apresentou diferenças regionais importantes. A região Sudeste foi a que deteve menor nível da ocupação das crianças e adolescentes (8,6%), vindo em seguida a Centro-Oeste (10,5%). No outro extremo, ficou o Nordeste (15,9%), seguido pela região Sul (14,0%). O percentual na região Norte foi de 13,1%.
O Globo
Al-Qaeda ameaça atacar a França
Al-Qaeda ameaça atacar a França
Rede anuncia união a grupo argelino e promete 'causar danos aos principais membros da coalizão de cruzados'
A rede terrorista Al-Qaeda se uniu a um grupo extremista islâmico da Argélia - antiga colônia francesa - para atacar em conjunto os interesses da França e dos EUA. A equiparação da França aos EUA como alvo potencial da Al-Qaeda surpreendeu pelo fato de o governo francês ter se oposto ferrenhamente à invasão do Iraque, em 2003.
A aliança foi anunciada segunda-feira, no vídeo em que o n º 2 da Al-Qaeda, o egípcio Ayman al-Zawahiri, celebrou o quinto aniversário dos atentados do 11 de Setembro. Mas só veio a público ontem, depois que a transcrição desse trecho da mensagem foi divulgada pelo diário francês Le Figaro. Zawahiri faz um chamado ao Grupo Salafista para a Pregação e o Combate (GSPC) para que se transforme 'num espinho na garganta dos cruzados americanos e franceses'.
O termo cruzado refere-se às campanhas militares da Cristandade na Idade Média para retomar dos muçulmanos o controle da Terra Santa. É usado pelos radicais islâmicos como sinônimo de inimigos do Islã. No vídeo, Zawahiri diz: 'Osama bin Laden me disse para anunciar aos muçulmanos que o GSPC se uniu à Al-Qaeda. Isso deve ser fonte de pesar, frustração e tristeza para os apóstatas, os filhos traidores da França (referência ao governo da Argélia, ex-colônia francesa). Rezamos a Deus para que nossos irmãos do GSPC sejam bem-sucedidos em causar danos aos principais membros da coalizão de cruzados e em particular a seu líder, a depravada América.'
O chamado de Zawahiri foi endossado quarta-feira no site do GSPC por seu líder máximo, Abu Musab Abdel Wadoud, num comunicado em que prometeu lealdade a Bin Laden e pediu a união dos muçulmanos para derrotar os EUA. Trata-se de uma aliança perigosa para a França porque no ano passado o GSPC classificou a França como seu inimigo nº 1.
Peritos em terrorismo sempre apontaram a Itália como o possível próximo alvo em potencial da Al-Qaeda, pelo fato de o ex-primeiro-ministro Silvio Berlusconi ter-se aliado ao presidente americano, George W. Bush, na invasão do Iraque, onde há tropas italianas entre as forças de ocupação. Espanha e Grã-Bretanha, que também apoiaram os EUA com tropas, foram alvo de atentados com grande número de civis mortos e feridos em 2004 e 2005, respectivamente.
'Temos de ser extremamente vigilantes e atentos, como estamos sendo há vários anos', reagiu o primeiro ministro francês, Dominique de Villepin. 'Não se trata de afrouxar a guarda. Existe realmente uma situação de risco que deve, evidentemente, nos manter vigilantes e nos fazer adaptar nossos dispositivos (de segurança).'
Horas depois, o ministro do Interior, Nicolas Sarkozy, declarou à TV francesa que o governo 'leva muito a sério' as ameaças terroristas da Al-Qaeda, mas não vê nada de novo em seu conteúdo. 'A ameaça terrorista contra a França é elevada e permanente e sabemos que devemos manter a vigilância absoluta. Sabemos desde 11 de setembro de 2003 que o GSPC declarou lealdade à Al-Qaeda.' Ele se referia a uma mensagem colocada nessa data pelo GSPC na internet. AFP, AP E REUTERS
'Osama bin Laden me disse para anunciar aos muçulmanos que o GSPC (Grupo Salafista para a Pregação e o Combate se uniu à Al-Qaeda. Isso deve ser uma fonte de pesar, frustração e tristeza para os apóstatas (do regime na Argélia), os filhos traidores da França'
Estadão
Rede anuncia união a grupo argelino e promete 'causar danos aos principais membros da coalizão de cruzados'
A rede terrorista Al-Qaeda se uniu a um grupo extremista islâmico da Argélia - antiga colônia francesa - para atacar em conjunto os interesses da França e dos EUA. A equiparação da França aos EUA como alvo potencial da Al-Qaeda surpreendeu pelo fato de o governo francês ter se oposto ferrenhamente à invasão do Iraque, em 2003.
A aliança foi anunciada segunda-feira, no vídeo em que o n º 2 da Al-Qaeda, o egípcio Ayman al-Zawahiri, celebrou o quinto aniversário dos atentados do 11 de Setembro. Mas só veio a público ontem, depois que a transcrição desse trecho da mensagem foi divulgada pelo diário francês Le Figaro. Zawahiri faz um chamado ao Grupo Salafista para a Pregação e o Combate (GSPC) para que se transforme 'num espinho na garganta dos cruzados americanos e franceses'.
O termo cruzado refere-se às campanhas militares da Cristandade na Idade Média para retomar dos muçulmanos o controle da Terra Santa. É usado pelos radicais islâmicos como sinônimo de inimigos do Islã. No vídeo, Zawahiri diz: 'Osama bin Laden me disse para anunciar aos muçulmanos que o GSPC se uniu à Al-Qaeda. Isso deve ser fonte de pesar, frustração e tristeza para os apóstatas, os filhos traidores da França (referência ao governo da Argélia, ex-colônia francesa). Rezamos a Deus para que nossos irmãos do GSPC sejam bem-sucedidos em causar danos aos principais membros da coalizão de cruzados e em particular a seu líder, a depravada América.'
O chamado de Zawahiri foi endossado quarta-feira no site do GSPC por seu líder máximo, Abu Musab Abdel Wadoud, num comunicado em que prometeu lealdade a Bin Laden e pediu a união dos muçulmanos para derrotar os EUA. Trata-se de uma aliança perigosa para a França porque no ano passado o GSPC classificou a França como seu inimigo nº 1.
Peritos em terrorismo sempre apontaram a Itália como o possível próximo alvo em potencial da Al-Qaeda, pelo fato de o ex-primeiro-ministro Silvio Berlusconi ter-se aliado ao presidente americano, George W. Bush, na invasão do Iraque, onde há tropas italianas entre as forças de ocupação. Espanha e Grã-Bretanha, que também apoiaram os EUA com tropas, foram alvo de atentados com grande número de civis mortos e feridos em 2004 e 2005, respectivamente.
'Temos de ser extremamente vigilantes e atentos, como estamos sendo há vários anos', reagiu o primeiro ministro francês, Dominique de Villepin. 'Não se trata de afrouxar a guarda. Existe realmente uma situação de risco que deve, evidentemente, nos manter vigilantes e nos fazer adaptar nossos dispositivos (de segurança).'
Horas depois, o ministro do Interior, Nicolas Sarkozy, declarou à TV francesa que o governo 'leva muito a sério' as ameaças terroristas da Al-Qaeda, mas não vê nada de novo em seu conteúdo. 'A ameaça terrorista contra a França é elevada e permanente e sabemos que devemos manter a vigilância absoluta. Sabemos desde 11 de setembro de 2003 que o GSPC declarou lealdade à Al-Qaeda.' Ele se referia a uma mensagem colocada nessa data pelo GSPC na internet. AFP, AP E REUTERS
'Osama bin Laden me disse para anunciar aos muçulmanos que o GSPC (Grupo Salafista para a Pregação e o Combate se uniu à Al-Qaeda. Isso deve ser uma fonte de pesar, frustração e tristeza para os apóstatas (do regime na Argélia), os filhos traidores da França'
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