Deputado do PT levou propina, diz acusado
Dono da Planam afirma à CPI que pagou João Grandão (MS) para que ele apresentasse emendas no valor de R$ 300 mil
Empresário também cita Adelor Vieira (PMDB-SC), líder da bancada evangélica na Câmara, como envolvido na máfia dos sanguessugas
O líder da bancada evangélica na Câmara, Adelor Vieira (PMDB-SC), e o deputado João Grandão (PT-MS) constam da lista de nomes citados pelo empresário Luiz Antônio Vedoin como supostos recebedores de propina do esquema que fraudava licitação de ambulâncias, segundo a Folha apurou.
O depoimento de Luiz Antonio, apontado pela PF como líder da quadrilha, tem servido de base para as investigações da CPI dos Sanguessugas. Grandão é o primeiro deputado petista a aparecer como alvo potencial da comissão.
Anteontem, a CPI divulgou os nomes de 56 deputados e um senador que tiveram inquéritos abertos pelo Ministério Público Federal. Além dos 57, a CPI ligou outros 42 nomes (ainda sob sigilo), entre parlamentares e ex-congressistas, que teriam sido citados por Luiz Antonio. João Grandão e Adelor estão entre os 42.
A senadora Serys Slhessarenko (PT-MT) havia sido citada no depoimento do empresário Darci Vedoin, pai de Luiz Antonio, mas seu nome não consta da lista da Procuradoria.
"De acordo com o depoimento dele [Vedoin], pelos menos 105 parlamentares tiveram algum benefício financeiro", disse o vice-presidente da CPI, Raul Jungmann (PPS-PE).
A Folha apurou que o nome de João Grandão aparece nas investigações por conta da apresentação de três emendas para a compra de ambulâncias no valor de R$ 300 mil. Um dos deputados da CPI informou que o nome de Grandão estaria também em transcrições de conversas gravadas pela PF.
Adelor Vieira destinou, no ano passado, emendas no valor de R$ 560 mil para a compra de ambulâncias a uma organização não-governamental que seria ligada à sua igreja, a Assembléia de Deus. Além de Adelor, há oficialmente sob investigação pelo menos dez outros membros da bancada evangélica. Membros da CPI dizem que esse número pode aumentar.
O deputado Fernando Gabeira (PV-RJ), integrante da CPI, disse que parte da bancada envolvida deveria ser investigada sob a ótica de uma quadrilha. Eles seriam liderados pelo ex-deputado Carlos Rodrigues (sem partido-RJ)
Adelor atribuiu o vazamento das informações referentes a ele a Gabeira. Por meio de sua assessoria, disse que as acusações são infundadas e levianas e que deve processar Gabeira.
Ninguém atendia ao telefone ontem no gabinete nem nos celulares de Grandão.
Nomeado ontem sub-relator, o deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP) criticou os partidos que anunciaram expulsão dos filiados citados, afirmando que a menção não implica necessariamente em culpa.
Sampaio estabeleceu oito critérios para definir o nível de relação de cada parlamentar no esquema. Os principais são recebimento de propina e gravações comprometedoras.
O ministro Jorge Hage (Controladoria Geral da União) classificou de "simplista e falaciosa" a agrupação dos deputados sanguessugas em dois blocos, governistas e oposição. Hage ressaltou que muitas das emendas que serviram de base para a venda de ambulâncias superfaturadas são anteriores a 2003.
Folha
20.7.06
Vestibular pró-PT
Vestibular do ABC cobra questões "pró-PT'
Segundo especialistas, prova da Universidade Federal do ABC faz propaganda para Lula; reitoria nega
Em seu primeiro vestibular, a UFABC (Universidade Federal do ABC) apresentou textos com apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Essa é a opinião de professores consultados pela Folha, que analisaram o exame aplicado no último domingo.
A universidade começará a funcionar em setembro, em Santo André, no ABC paulista, berço político de Lula. A criação da escola faz parte do programa de expansão do sistema de instituições federais de ensino superior, promovido pela gestão petista.
"A prova é uma propaganda para o governo Lula", afirmou o professor de história da UFSCar (Universidade Federal de São Carlos) Marco Antonio Villa. "No que diz respeito ao país, foram escolhidas apenas notícias positivas."
O vestibular foi feito pela Vunesp, fundação que também aplica o processo seletivo da Unesp (Universidade Estadual Paulista), vinculada ao governo estadual de São Paulo. O diretor acadêmico da Vunesp, Fernando Prado, nega que a prova apoie a gestão Lula.
Villa cita os textos relacionados à auto-suficiência do país em petróleo, à diminuição das queimadas no interior paulista e ao aumento da expectativa de vida dos brasileiros. A prova usou como base notícias publicas pela imprensa.
Uma questão que chamou a atenção de todos os professores ouvidos foi a que o candidato deveria analisar o convite das centrais sindicais CUT e Força Sindical para a comemoração do Dia do Trabalho.
O selo da CUT dizia: "Valorize o emprego e a ampliação dos direitos". Segundo o gabarito oficial, a resposta era a que afirmava que "a CUT defende o emprego e a reeleição de Lula à Presidência da República".
"A resposta faz uma defesa da CUT e uma ligação subliminar entre a reeleição do presidente e a luta pelo emprego", afirmou o professor de história Ciro de Moura Ramos, do curso Objetivo. "É uma questão ideológica, imperdoável".
Já o professor de matemática Marcel Xavier de Souza, do sistema Anglo, acredita que as questões "pró-PT" não comprometem a prova, que teve 90 perguntas.
A UFABC ofereceu 1.500 vagas neste vestibular. Cerca de 11 mil candidatos realizaram a prova no último domingo. "Pode ser um indício de controle ideológico do governo nos cursos", disse Villa.
Para o diretor da Vunesp Fernando Prado, o exame também apresentou questões que abordavam problemas "ainda não resolvidos pelo governo", como o desmatamento da Mata Atlântica e os lixões formados nas periferias.
Na questão sobre a CUT, Prado viu apenas um "erro técnico". "O selo da CUT não fala sobre o apoio à reeleição. Mas isso foi dito nos autofalantes da festa, na avenida Paulista. Isso é conhecimento de atualidades." Segundo o diretor, a direção da UFABC pediu que o exame cobrasse assuntos atuais.
Procurada pela Folha, a reitoria da universidade respondeu, por e-mail, que "a Vunesp é a instituição responsável pela organização e aplicação do vestibular. A UFABC não interferiu na escolha dos temas e considera adequados o nível e formato do exame".
A prova e o gabarito do vestibular podem ser vistos no site www.ufabc.edu.br.
Folha
Segundo especialistas, prova da Universidade Federal do ABC faz propaganda para Lula; reitoria nega
Em seu primeiro vestibular, a UFABC (Universidade Federal do ABC) apresentou textos com apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Essa é a opinião de professores consultados pela Folha, que analisaram o exame aplicado no último domingo.
A universidade começará a funcionar em setembro, em Santo André, no ABC paulista, berço político de Lula. A criação da escola faz parte do programa de expansão do sistema de instituições federais de ensino superior, promovido pela gestão petista.
"A prova é uma propaganda para o governo Lula", afirmou o professor de história da UFSCar (Universidade Federal de São Carlos) Marco Antonio Villa. "No que diz respeito ao país, foram escolhidas apenas notícias positivas."
O vestibular foi feito pela Vunesp, fundação que também aplica o processo seletivo da Unesp (Universidade Estadual Paulista), vinculada ao governo estadual de São Paulo. O diretor acadêmico da Vunesp, Fernando Prado, nega que a prova apoie a gestão Lula.
Villa cita os textos relacionados à auto-suficiência do país em petróleo, à diminuição das queimadas no interior paulista e ao aumento da expectativa de vida dos brasileiros. A prova usou como base notícias publicas pela imprensa.
Uma questão que chamou a atenção de todos os professores ouvidos foi a que o candidato deveria analisar o convite das centrais sindicais CUT e Força Sindical para a comemoração do Dia do Trabalho.
O selo da CUT dizia: "Valorize o emprego e a ampliação dos direitos". Segundo o gabarito oficial, a resposta era a que afirmava que "a CUT defende o emprego e a reeleição de Lula à Presidência da República".
"A resposta faz uma defesa da CUT e uma ligação subliminar entre a reeleição do presidente e a luta pelo emprego", afirmou o professor de história Ciro de Moura Ramos, do curso Objetivo. "É uma questão ideológica, imperdoável".
Já o professor de matemática Marcel Xavier de Souza, do sistema Anglo, acredita que as questões "pró-PT" não comprometem a prova, que teve 90 perguntas.
A UFABC ofereceu 1.500 vagas neste vestibular. Cerca de 11 mil candidatos realizaram a prova no último domingo. "Pode ser um indício de controle ideológico do governo nos cursos", disse Villa.
Para o diretor da Vunesp Fernando Prado, o exame também apresentou questões que abordavam problemas "ainda não resolvidos pelo governo", como o desmatamento da Mata Atlântica e os lixões formados nas periferias.
Na questão sobre a CUT, Prado viu apenas um "erro técnico". "O selo da CUT não fala sobre o apoio à reeleição. Mas isso foi dito nos autofalantes da festa, na avenida Paulista. Isso é conhecimento de atualidades." Segundo o diretor, a direção da UFABC pediu que o exame cobrasse assuntos atuais.
Procurada pela Folha, a reitoria da universidade respondeu, por e-mail, que "a Vunesp é a instituição responsável pela organização e aplicação do vestibular. A UFABC não interferiu na escolha dos temas e considera adequados o nível e formato do exame".
A prova e o gabarito do vestibular podem ser vistos no site www.ufabc.edu.br.
Folha
19.7.06
Palavras do Bruno Maranhão
Solto, Maranhão ajudará a reeleger 'companheiro Lula'
Líder do MLST solto no sábado diz que episódio da invasão à Câmara não prejudica imagem do presidente
O líder do Movimento de Libertação dos Sem-Terra (MLST), Bruno Maranhão, afirmou ontem que tem orgulho de ser dirigente do PT e espera não ser punido pela direção do partido, à qual enviou fax colocando-se à disposição para explicar o episódio da invasão e depredação da Câmara, em junho. Ele disse que quer trabalhar na campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e prometeu comparecer ao seu comício no próximo fim de semana, no Recife.
Foi a primeira entrevista após a libertação do líder, ocorrida sábado. "Conheço o companheiro Lula há 25 anos, não há dois dias", afirmou. "A nossa relação foi construída na luta, na ética. Mais do que nunca, eu vou apoiar e fazer campanha para ele. Sei que a direita vai usar meu nome para desgastar o Lula, mas o povo não vai levar em conta essa baixaria."
Embora alegue ter simpatia pelos candidatos do PSOL, Heloísa Helena, e do PDT, Cristovam Buarque, ele preferiu se manter fiel a Lula. O único em quem não votaria, conforme disse, é o candidato do PSDB, Geraldo Alckmin, que a seu ver representa a volta do atraso.
Maranhão atribuiu a violência na Câmara ao que chamou de "quarteto golpista do Congresso", por supostamente ter forçado o presidente da Câmara, Aldo Rebelo (PCdoB-SP), a reprimir os trabalhadores.
Maranhão acusou o presidente do PFL, senador Jorge Bornhausen (SC), definido como "um racista e nazista que comanda a direita e o retrocesso da Nação"; o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM); e os senadores Álvaro Dias (PSDB-PR) e Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA). "Esse quarteto golpista se aproxima da direita fascista da Venezuela."
Na hora do quebra-quebra, segundo Maranhão, havia estudantes e manifestantes das áreas de saúde e do Judiciário misturados aos sem-terra, mas "a polícia truculenta do Congresso reprimiu seletivamente os militantes do MLST".
MAUS TRATOS
Maranhão disse que ele e os demais manifestantes presos sofreram agressões físicas, torturas e privações de direitos básicos nos 38 dias de cadeia. Ele saiu do presídio da Papuda na última leva de 32 manifestantes libertada por alvará da 10ª Vara da Justiça Federal, sábado.
Os piores momentos, segundo ele, teriam ocorrido na Câmara, quando os manifestantes teriam passado 26 horas sem comida, algemados e sofrendo maus tratos. "Alguns receberam socos, tapas na orelha, empurrões e xingamentos."
Inspeção da Comissão de Direitos Humanos da Câmara e da Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência não comprovaram as denúncias. Por nota, a Câmara informou que em nenhum momento os integrantes do MLST passaram por constrangimento.
Estadão
Líder do MLST solto no sábado diz que episódio da invasão à Câmara não prejudica imagem do presidente
O líder do Movimento de Libertação dos Sem-Terra (MLST), Bruno Maranhão, afirmou ontem que tem orgulho de ser dirigente do PT e espera não ser punido pela direção do partido, à qual enviou fax colocando-se à disposição para explicar o episódio da invasão e depredação da Câmara, em junho. Ele disse que quer trabalhar na campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e prometeu comparecer ao seu comício no próximo fim de semana, no Recife.
Foi a primeira entrevista após a libertação do líder, ocorrida sábado. "Conheço o companheiro Lula há 25 anos, não há dois dias", afirmou. "A nossa relação foi construída na luta, na ética. Mais do que nunca, eu vou apoiar e fazer campanha para ele. Sei que a direita vai usar meu nome para desgastar o Lula, mas o povo não vai levar em conta essa baixaria."
Embora alegue ter simpatia pelos candidatos do PSOL, Heloísa Helena, e do PDT, Cristovam Buarque, ele preferiu se manter fiel a Lula. O único em quem não votaria, conforme disse, é o candidato do PSDB, Geraldo Alckmin, que a seu ver representa a volta do atraso.
Maranhão atribuiu a violência na Câmara ao que chamou de "quarteto golpista do Congresso", por supostamente ter forçado o presidente da Câmara, Aldo Rebelo (PCdoB-SP), a reprimir os trabalhadores.
Maranhão acusou o presidente do PFL, senador Jorge Bornhausen (SC), definido como "um racista e nazista que comanda a direita e o retrocesso da Nação"; o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM); e os senadores Álvaro Dias (PSDB-PR) e Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA). "Esse quarteto golpista se aproxima da direita fascista da Venezuela."
Na hora do quebra-quebra, segundo Maranhão, havia estudantes e manifestantes das áreas de saúde e do Judiciário misturados aos sem-terra, mas "a polícia truculenta do Congresso reprimiu seletivamente os militantes do MLST".
MAUS TRATOS
Maranhão disse que ele e os demais manifestantes presos sofreram agressões físicas, torturas e privações de direitos básicos nos 38 dias de cadeia. Ele saiu do presídio da Papuda na última leva de 32 manifestantes libertada por alvará da 10ª Vara da Justiça Federal, sábado.
Os piores momentos, segundo ele, teriam ocorrido na Câmara, quando os manifestantes teriam passado 26 horas sem comida, algemados e sofrendo maus tratos. "Alguns receberam socos, tapas na orelha, empurrões e xingamentos."
Inspeção da Comissão de Direitos Humanos da Câmara e da Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência não comprovaram as denúncias. Por nota, a Câmara informou que em nenhum momento os integrantes do MLST passaram por constrangimento.
Estadão
HH e a Bíblia
Heloísa Helena diz que a 'Bíblia' lhe ensinou socialismo
Na tribuna do Senado, candidata atacou juros altos
A senadora Heloísa Helena (AL), candidata do PSOL à Presidência da República, disse ontem que o modelo socialista defendido por ela não se assemelha a nenhum dos que já foram tentados em diferentes partes do mundo. Ela também afirmou ter certeza de que em vida não conhecerá esse regime político, "a maior declaração de amor já feita".
Heloísa contou que aprendeu a ser socialista lendo a Bíblia: "Lá diz que ou se serve ao amor ou ao dinheiro". Em discurso da tribuna do Senado, ela previu um destino dantesco para aqueles que se apegam ao dinheiro: "Vão virar churrasco no inferno".
A candidata queixou-se das durezas da campanha eleitoral. "No sábado, saí de Macapá por volta de uma hora da manhã, num calor de 40 graus, para descer no Rio Grande do Sul, onde fazia um frio danado. Isso num vôo com quatro escalas. Eu não tenho nenhum banqueiro para me ajudar com jatinhos".
JUROS
A senadora afirmou que o governo Lula é formado por "gente mentirosa, farsante ideologicamente e cínica", porque afirma sempre ser impossível baixar os juros alegando que isso provocaria fuga de capitais. "Façam isso. Quero ver se alguém vai aplicar dinheiro na Turquia", disse, referindo-se ao país que, segundo os economistas, pratica a segunda maior taxa de juros do mundo, perdendo apenas para o Brasil.
Heloísa qualificou os R$ 180 bilhões de juros pagos pelo País como a "bolsa-família banqueiro" do governo Lula. Em tom inflamado, disse que o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, deveria estar preso, por crime de lesa-pátria, e que a equipe econômica é formada por "moleques a serviço do capital financeiro" e não por homens ou mulheres sérias.
Estadão
Na tribuna do Senado, candidata atacou juros altos
A senadora Heloísa Helena (AL), candidata do PSOL à Presidência da República, disse ontem que o modelo socialista defendido por ela não se assemelha a nenhum dos que já foram tentados em diferentes partes do mundo. Ela também afirmou ter certeza de que em vida não conhecerá esse regime político, "a maior declaração de amor já feita".
Heloísa contou que aprendeu a ser socialista lendo a Bíblia: "Lá diz que ou se serve ao amor ou ao dinheiro". Em discurso da tribuna do Senado, ela previu um destino dantesco para aqueles que se apegam ao dinheiro: "Vão virar churrasco no inferno".
A candidata queixou-se das durezas da campanha eleitoral. "No sábado, saí de Macapá por volta de uma hora da manhã, num calor de 40 graus, para descer no Rio Grande do Sul, onde fazia um frio danado. Isso num vôo com quatro escalas. Eu não tenho nenhum banqueiro para me ajudar com jatinhos".
JUROS
A senadora afirmou que o governo Lula é formado por "gente mentirosa, farsante ideologicamente e cínica", porque afirma sempre ser impossível baixar os juros alegando que isso provocaria fuga de capitais. "Façam isso. Quero ver se alguém vai aplicar dinheiro na Turquia", disse, referindo-se ao país que, segundo os economistas, pratica a segunda maior taxa de juros do mundo, perdendo apenas para o Brasil.
Heloísa qualificou os R$ 180 bilhões de juros pagos pelo País como a "bolsa-família banqueiro" do governo Lula. Em tom inflamado, disse que o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, deveria estar preso, por crime de lesa-pátria, e que a equipe econômica é formada por "moleques a serviço do capital financeiro" e não por homens ou mulheres sérias.
Estadão
Urnas! O grande golpe contra lula!!!
Golpe contra Lula vai ser dado nas urnas em outubro, diz ACM
O senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) disse ontem em Plenário que o presidente Lula já fez por merecer a perda do mandato, mas que será retirado do cargo por meio do voto.
Dirigindo-se aos que o acusam de "golpista", o senador mencionou que o golpe será dado nas urnas.
– Ele poderia ter sido retirado pelo furto, se houvesse dureza como no passado, mas nós queremos derrotá-lo no voto – assinalou.
Alvaro Dias (PSDB-PR) comentou que o recém-libertado líder do Movimento de Libertação dos Sem Terra (MLST), Bruno Maranhão, acusou de golpistas a ele e aos senadores Antonio Carlos, Jorge Bornhausen (PFL-SC) e Arthur Virgílio (PSDB-AM).
– Somos golpistas porque queremos golpear a violência e a anarquia. Quem vai derrubar Lula é o povo brasileiro, de forma pacífica e democrática nas urnas – afirmou Alvaro Dias.
Antonio Carlos lamentou que o líder do MLST tenha sido libertado pela Justiça e, segundo o senador, tenha se apresentado ao presidente do PT, Ricardo Berzoini, para assumir novas missões.
– Na verdade, ele já procurou Lula para dizer que está à disposição para novas desordens, novas invasões em outra repartição pública ou instituição – advertiu.
Segundo Antonio Carlos, o presidente da República não diz a verdade quando se trata da aplicação do dinheiro público. Ele citou informações publicadas no jornal O Globo segundo as quais Lula gastaria R$ 1,8 milhão por hora, mas diz que não tem como pagar o reajuste dos aposentados. Ao mesmo tempo, acrescentou, o governo federal fez uma edição extra do Diário Oficial para publicar "a safadeza de pagar aqueles que estão se subjugando".
Para o senador, é por causa do governo Lula que a população está desiludida com os políticos.
– O que ele faz, a gente paga. Lula desmoraliza toda a classe política, mas as conseqüências eleitorais virão. Não se iludam. Lula mente e mentira tem pernas curtas. Nós vamos pegar essas mentiras em outubro – concluiu.
Senado
O senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) disse ontem em Plenário que o presidente Lula já fez por merecer a perda do mandato, mas que será retirado do cargo por meio do voto.
Dirigindo-se aos que o acusam de "golpista", o senador mencionou que o golpe será dado nas urnas.
– Ele poderia ter sido retirado pelo furto, se houvesse dureza como no passado, mas nós queremos derrotá-lo no voto – assinalou.
Alvaro Dias (PSDB-PR) comentou que o recém-libertado líder do Movimento de Libertação dos Sem Terra (MLST), Bruno Maranhão, acusou de golpistas a ele e aos senadores Antonio Carlos, Jorge Bornhausen (PFL-SC) e Arthur Virgílio (PSDB-AM).
– Somos golpistas porque queremos golpear a violência e a anarquia. Quem vai derrubar Lula é o povo brasileiro, de forma pacífica e democrática nas urnas – afirmou Alvaro Dias.
Antonio Carlos lamentou que o líder do MLST tenha sido libertado pela Justiça e, segundo o senador, tenha se apresentado ao presidente do PT, Ricardo Berzoini, para assumir novas missões.
– Na verdade, ele já procurou Lula para dizer que está à disposição para novas desordens, novas invasões em outra repartição pública ou instituição – advertiu.
Segundo Antonio Carlos, o presidente da República não diz a verdade quando se trata da aplicação do dinheiro público. Ele citou informações publicadas no jornal O Globo segundo as quais Lula gastaria R$ 1,8 milhão por hora, mas diz que não tem como pagar o reajuste dos aposentados. Ao mesmo tempo, acrescentou, o governo federal fez uma edição extra do Diário Oficial para publicar "a safadeza de pagar aqueles que estão se subjugando".
Para o senador, é por causa do governo Lula que a população está desiludida com os políticos.
– O que ele faz, a gente paga. Lula desmoraliza toda a classe política, mas as conseqüências eleitorais virão. Não se iludam. Lula mente e mentira tem pernas curtas. Nós vamos pegar essas mentiras em outubro – concluiu.
Senado
Anti-cúpula
Chávez testa popularidade durante Cúpula
Movimentos sociais organizam "comício" do venezuelano paralelo à reunião do Mercosul na Argentina
No Itamaraty, há a expectativa pela Cúpula do Mercosul que começa amanhã em Córdoba, na Argentina: que espaço estará disposto a ocupar Hugo Chávez?
Se depender dos movimentos sociais do continente e das históricas Mães da Praça de Maio, não há dúvidas: o presidente venezuelano será o protagonista e encerrará sua passagem pelo país em um evento paralelo, "de massa", após a reunião dos presidentes do bloco, na sexta-feira.
O local ainda não foi definido, se o estádio de Córdoba ou a universidade da cidade, disse à Folha o conselheiro político da Embaixada da Venezuela em Buenos Aires, Federico Ruiz.
"As Mães da Praça de Maio fizeram o convite pela embaixada e diretamente a Caracas e, como tem acontecido em outras oportunidades, a proposta é que o presidente participe de um ato de massa", disse Ruiz. De Caracas, a equipe de Chávez afirma que é "provável" que ele fale aos movimentos sociais.
Para Ruiz, o evento liderado pelo presidente venezuelano será uma continuação da Cúpula dos Povos, em novembro passado, onde Chávez discursou no ginásio de Mar del Plata condenando a Alca (Área de Livre Comércio das Américas), impulsionada pelos EUA.
Não deve haver moderação no discurso confrontativo de Chávez: "Essa cúpula, de algum modo, é um festejo, uma comemoração do aconteceu em Mar del Plata, que foi determinante para frear a intenção americana de impor a Alca no continente", analisa o conselheiro.
A articulação dos movimentos sociais e Chávez em Córdoba já é reflexo político da entrada da Venezuela no Mercosul. É a primeira vez que a cúpula do bloco concorre com uma agenda paralela de peso. Um dos organizadores do ato paralelo, o ex-guerrilheiro Enrique Gorriaran Merlo, disse ao jornal "Perfil" que também discursarão o presidente boliviano Evo Morales e "é provável que Fidel Castro venha".
Especula-se na Argentina que o ditador cubano chegaria entre quarta e quinta-feira. O Mercosul assinará com Cuba um acordo de preferências tarifárias para aumentar o comércio com a ilha, sob embargo americano há décadas. Por conta da política de segurança cubana, a regra é não confirmar a participação de Fidel.
O Brasil terá a Presidência temporária do Mercosul a partir da sexta-feira e, além do novo fator Chávez, terá de lidar com novas reclamações dos sócios menores do bloco. Na cúpula, o chanceler Celso Amorim reforçará a mensagem de que o país quer lançar o "new deal" para dinamizar as economias de Paraguai e Uruguai.
No caso do presidente Néstor Kirchner, o ponto crítico da cúpula será coordenar o papel de anfitrião com a "guerra das papeleiras" com os uruguaios. A posição do Uruguai é tentar retomar o diálogo, mas Kirchner afirmou que a luta contra as fábricas de celulose no vizinho "está apenas no começo".
Folha
Movimentos sociais organizam "comício" do venezuelano paralelo à reunião do Mercosul na Argentina
No Itamaraty, há a expectativa pela Cúpula do Mercosul que começa amanhã em Córdoba, na Argentina: que espaço estará disposto a ocupar Hugo Chávez?
Se depender dos movimentos sociais do continente e das históricas Mães da Praça de Maio, não há dúvidas: o presidente venezuelano será o protagonista e encerrará sua passagem pelo país em um evento paralelo, "de massa", após a reunião dos presidentes do bloco, na sexta-feira.
O local ainda não foi definido, se o estádio de Córdoba ou a universidade da cidade, disse à Folha o conselheiro político da Embaixada da Venezuela em Buenos Aires, Federico Ruiz.
"As Mães da Praça de Maio fizeram o convite pela embaixada e diretamente a Caracas e, como tem acontecido em outras oportunidades, a proposta é que o presidente participe de um ato de massa", disse Ruiz. De Caracas, a equipe de Chávez afirma que é "provável" que ele fale aos movimentos sociais.
Para Ruiz, o evento liderado pelo presidente venezuelano será uma continuação da Cúpula dos Povos, em novembro passado, onde Chávez discursou no ginásio de Mar del Plata condenando a Alca (Área de Livre Comércio das Américas), impulsionada pelos EUA.
Não deve haver moderação no discurso confrontativo de Chávez: "Essa cúpula, de algum modo, é um festejo, uma comemoração do aconteceu em Mar del Plata, que foi determinante para frear a intenção americana de impor a Alca no continente", analisa o conselheiro.
A articulação dos movimentos sociais e Chávez em Córdoba já é reflexo político da entrada da Venezuela no Mercosul. É a primeira vez que a cúpula do bloco concorre com uma agenda paralela de peso. Um dos organizadores do ato paralelo, o ex-guerrilheiro Enrique Gorriaran Merlo, disse ao jornal "Perfil" que também discursarão o presidente boliviano Evo Morales e "é provável que Fidel Castro venha".
Especula-se na Argentina que o ditador cubano chegaria entre quarta e quinta-feira. O Mercosul assinará com Cuba um acordo de preferências tarifárias para aumentar o comércio com a ilha, sob embargo americano há décadas. Por conta da política de segurança cubana, a regra é não confirmar a participação de Fidel.
O Brasil terá a Presidência temporária do Mercosul a partir da sexta-feira e, além do novo fator Chávez, terá de lidar com novas reclamações dos sócios menores do bloco. Na cúpula, o chanceler Celso Amorim reforçará a mensagem de que o país quer lançar o "new deal" para dinamizar as economias de Paraguai e Uruguai.
No caso do presidente Néstor Kirchner, o ponto crítico da cúpula será coordenar o papel de anfitrião com a "guerra das papeleiras" com os uruguaios. A posição do Uruguai é tentar retomar o diálogo, mas Kirchner afirmou que a luta contra as fábricas de celulose no vizinho "está apenas no começo".
Folha
Cidadã indignada
Ilustre general Barros Moreira.
Perplexa, tomo conhecimento do vosso insidioso convite a persona non grata não apenas às Forças Armadas, mas à toda Nação. Desejei estar enganada.
Contudo, confirmei através de informação na própria sede carioca.
Talvez não vos pareçam tão graves os itens que compõem o perfil desse marginal que veio marcar, indelével e negativamente (em minha opinião e na de milhões de pessoas briosas) a imagem da Escola Superior de Guerra.
Lamento, profunda e ferozmente, vossa falta de senso mediano, pois uma das mais fortes demonstrações de patriotismo, o bom soldado (eu disse bom soldado!) dá, ao fazer seu juramento, quando vai, voluntariamente, se alistar para servir a Pátria.
A conduta e modo de vida desse abjeto baderneiro, demonstram em tudo, o contrário do serviço à Pátria.
Vossa falta desse senso e de capacidade de enxergar o momento inédito na História do Brasil, há de lhe custar caro, general, muito caro.
Pessoalmente, guardo em meu coração os momentos inigualáveis, onde, como convidada, algumas vezes tive o prazer de contra-dança no clube militar paulista, de mãos dadas com um verdadeiro General, aquele que tinha preferência pelo cheiro de cavalos.
Ainda hoje, general, admiro esse Militar, João Baptista de Oliveira Figueiredo, por todas as iniciativas de boa convivência com nossos compatriotas, gestos de grandeza moral e generosidade impensáveis para aquela e para esta época.
Lamentei sinceramente sua perda na véspera do Natal de 1999.
Ele vaticinou desde as invasões a supermercados no Rio de Janeiro, muito antes de acontecerem, outras tragédias de perfeita previsibilidade. Disse que o povo faminto, insuflado por desordeiros, faria tudo aquilo que, inclusive desordeiro do jaez desse nada ilustre palestrante vosso convidado, fez.
Mais que octogenário e muito lúcido, partiu deixando um legado de honra e sabendo assumir suas responsabilidades diante de uma sociedade que, sem dúvida, não o mereceu.
Primeiro colocado no Colégio Militar de Porto Alegre, chefiou o Serviço de Informações com mão forte, que, no entanto, se estendeu em conciliação para seus compatriotas, nem tão patriotas assim. Mas ele não ignorava e não era um ignorante. Sabia.
Discursou nas Nações Unidas corajosamente criticando política de juros escorchantes, que hoje seriam brincadeira, se comparados ao que o apedeuta-mór pratica no Nosso País.
A frase "Prefiro cheiro de cavalo, do que cheiro de povo” entrou para a história da imprensa melancia como exemplo de apenas uma das grosserias que lhe imputaram e que ele, de fato, jamais negou, pois não esteve no governo para agradar a quem quer que fosse, muito menos a fariseus, pois não era homem de bajulação.
Tinha profundo desprezo pelos bajuladores. Paulo Salim Maluf que o diga!
Na opinião de muitos companheiros da caserna, jamais deveria ter sido indicado ao colégio eleitoral, pois, como sempre assumiu, gostava mesmo de "clarim e de quartel" e talvez por isso mesmo, jamais o Alvorada tornou a ser uma residência digna, ocupada por todos os que o sucederam (e mal, cada vez pior!) porque no seu tempo, aquilo era vero lugar de clarinada!
O lugar onde por vezes se entregava a algum descanso, de torto mesmo, só tinha o nome, porque com ele, tudo era direito.
Temente a Deus, embora jamais em demonstrações rasgadas de sua fé, não se conteve no episódio do passamento de Tancredo e disparou aquilo que novamente a imprensinha chamou de grosseria, mas ele estava, de novo, certo: "never". Nunca mais mesmo! Para alguém que disse na prévia, se alcançasse algumas centenas de votos, NEM DEUS lhe tiraria o cargo, bem que mereceu o tiro. E esse episódio, transformado farisaicamente em "diverticulite" a imprensa ordinária, mesmo tendo por testemunha legítima representante de uma das redes mais oportunistas que já se teve notícia, não esclareceu. Compreensível, não ficaria bem...
É assim entre cobras, general... elas mesmas se picam e se destróem mutuamente. Assista quando puder, se algum tempo lhe sobrar desses compromissos avessos à ordem, "Mississipi em chamas" e saberá do que falo.
Só um grave erro, indesculpável, cometeu aquele inesquecível governante: a Lei da Anistia.
Sabem os que são apaixonados por esse País (e certamente não deve ser vosso caso, o que respeito), que essa lei, não foi de iniciativa do General, visto que desde bem antes de sua indicação, entidades do movimento estudantil e sindical, organizações populares, OAB, ABI e a Igreja Católica, vinham já, fazendo grande alarde em torno dessa oportunidade que hoje abre espaço para visibilidade de parte da escória nacional, tão bem representada no vosso convidado.
Mas o General Figueiredo podia ter vetado e não vetou. Fazer o quê? ninguém é perfeito...
Sua grandeza se mostrou, sem medo, sensível ao pedido publicado na imprensa, de um dos maiores dramaturgos brasileiros, que, antes apoiador do regime militar, com franco acesso à mídia, mudou de lado, tão logo percebeu que seu próprio filho e xará, estava na clandestinidade e por isso preso, pela ingenuidade idêntica a de inúmeras vidas ainda na idade da poesia. Então, engajou-se na luta pela Anistia. E atendeu ao pai desesperado.
A anistia não foi, como queriam os desordeiros, o perdão aos participantes de "atos terroristas", consoante texto legal, mas liberou os militares acusados de assassinatos e torturas que, perto do se faz hoje no País (não que um erro justifique o outro) faria parecer pouco, muito pouco do quanto merecem os traidores da Pátria, desse bando que não sabe a letra do nosso maravilhoso hino, mas cantam a nacional socialista e empunham armas contra a vida!
Eu prefiro, de minha parte, general, conhecer e ensinar à minha descendência, não só a História da minha Pátria, história verdadeira, com erros e acertos de todas as personagens. Não gosto de farsas e acomodações propícias a certa manutenção de aparências. Gosto da verdade, do jeito que ela é. Antes das causas ditas libertárias, digo que só a verdade realmente liberta. Assim, antes da nacional socialista, prefiro todos os hinos e canções cívicos de meu País. Eles dizem mais de mim mesma.
Meu País, formado também de pessoas de bem, leais no caráter, que tem senso do ridículo, que apreciam cultura, civismo, patriotismo, enfim, que detestam e se envergonham de bajuladores, oportunistas, golpistas, vigaristas de quinta, usurpadores e calhordas, ESSE PAÍS, deplora seu convite ao palestrante dessa manhã e tem vergonha de vossa iniciativa.
Sinceros pêsames.
Sandra A Paulino - advogada-OAB/SP 80955
sandrapaulino@aasp.org.br
Perplexa, tomo conhecimento do vosso insidioso convite a persona non grata não apenas às Forças Armadas, mas à toda Nação. Desejei estar enganada.
Contudo, confirmei através de informação na própria sede carioca.
Talvez não vos pareçam tão graves os itens que compõem o perfil desse marginal que veio marcar, indelével e negativamente (em minha opinião e na de milhões de pessoas briosas) a imagem da Escola Superior de Guerra.
Lamento, profunda e ferozmente, vossa falta de senso mediano, pois uma das mais fortes demonstrações de patriotismo, o bom soldado (eu disse bom soldado!) dá, ao fazer seu juramento, quando vai, voluntariamente, se alistar para servir a Pátria.
A conduta e modo de vida desse abjeto baderneiro, demonstram em tudo, o contrário do serviço à Pátria.
Vossa falta desse senso e de capacidade de enxergar o momento inédito na História do Brasil, há de lhe custar caro, general, muito caro.
Pessoalmente, guardo em meu coração os momentos inigualáveis, onde, como convidada, algumas vezes tive o prazer de contra-dança no clube militar paulista, de mãos dadas com um verdadeiro General, aquele que tinha preferência pelo cheiro de cavalos.
Ainda hoje, general, admiro esse Militar, João Baptista de Oliveira Figueiredo, por todas as iniciativas de boa convivência com nossos compatriotas, gestos de grandeza moral e generosidade impensáveis para aquela e para esta época.
Lamentei sinceramente sua perda na véspera do Natal de 1999.
Ele vaticinou desde as invasões a supermercados no Rio de Janeiro, muito antes de acontecerem, outras tragédias de perfeita previsibilidade. Disse que o povo faminto, insuflado por desordeiros, faria tudo aquilo que, inclusive desordeiro do jaez desse nada ilustre palestrante vosso convidado, fez.
Mais que octogenário e muito lúcido, partiu deixando um legado de honra e sabendo assumir suas responsabilidades diante de uma sociedade que, sem dúvida, não o mereceu.
Primeiro colocado no Colégio Militar de Porto Alegre, chefiou o Serviço de Informações com mão forte, que, no entanto, se estendeu em conciliação para seus compatriotas, nem tão patriotas assim. Mas ele não ignorava e não era um ignorante. Sabia.
Discursou nas Nações Unidas corajosamente criticando política de juros escorchantes, que hoje seriam brincadeira, se comparados ao que o apedeuta-mór pratica no Nosso País.
A frase "Prefiro cheiro de cavalo, do que cheiro de povo” entrou para a história da imprensa melancia como exemplo de apenas uma das grosserias que lhe imputaram e que ele, de fato, jamais negou, pois não esteve no governo para agradar a quem quer que fosse, muito menos a fariseus, pois não era homem de bajulação.
Tinha profundo desprezo pelos bajuladores. Paulo Salim Maluf que o diga!
Na opinião de muitos companheiros da caserna, jamais deveria ter sido indicado ao colégio eleitoral, pois, como sempre assumiu, gostava mesmo de "clarim e de quartel" e talvez por isso mesmo, jamais o Alvorada tornou a ser uma residência digna, ocupada por todos os que o sucederam (e mal, cada vez pior!) porque no seu tempo, aquilo era vero lugar de clarinada!
O lugar onde por vezes se entregava a algum descanso, de torto mesmo, só tinha o nome, porque com ele, tudo era direito.
Temente a Deus, embora jamais em demonstrações rasgadas de sua fé, não se conteve no episódio do passamento de Tancredo e disparou aquilo que novamente a imprensinha chamou de grosseria, mas ele estava, de novo, certo: "never". Nunca mais mesmo! Para alguém que disse na prévia, se alcançasse algumas centenas de votos, NEM DEUS lhe tiraria o cargo, bem que mereceu o tiro. E esse episódio, transformado farisaicamente em "diverticulite" a imprensa ordinária, mesmo tendo por testemunha legítima representante de uma das redes mais oportunistas que já se teve notícia, não esclareceu. Compreensível, não ficaria bem...
É assim entre cobras, general... elas mesmas se picam e se destróem mutuamente. Assista quando puder, se algum tempo lhe sobrar desses compromissos avessos à ordem, "Mississipi em chamas" e saberá do que falo.
Só um grave erro, indesculpável, cometeu aquele inesquecível governante: a Lei da Anistia.
Sabem os que são apaixonados por esse País (e certamente não deve ser vosso caso, o que respeito), que essa lei, não foi de iniciativa do General, visto que desde bem antes de sua indicação, entidades do movimento estudantil e sindical, organizações populares, OAB, ABI e a Igreja Católica, vinham já, fazendo grande alarde em torno dessa oportunidade que hoje abre espaço para visibilidade de parte da escória nacional, tão bem representada no vosso convidado.
Mas o General Figueiredo podia ter vetado e não vetou. Fazer o quê? ninguém é perfeito...
Sua grandeza se mostrou, sem medo, sensível ao pedido publicado na imprensa, de um dos maiores dramaturgos brasileiros, que, antes apoiador do regime militar, com franco acesso à mídia, mudou de lado, tão logo percebeu que seu próprio filho e xará, estava na clandestinidade e por isso preso, pela ingenuidade idêntica a de inúmeras vidas ainda na idade da poesia. Então, engajou-se na luta pela Anistia. E atendeu ao pai desesperado.
A anistia não foi, como queriam os desordeiros, o perdão aos participantes de "atos terroristas", consoante texto legal, mas liberou os militares acusados de assassinatos e torturas que, perto do se faz hoje no País (não que um erro justifique o outro) faria parecer pouco, muito pouco do quanto merecem os traidores da Pátria, desse bando que não sabe a letra do nosso maravilhoso hino, mas cantam a nacional socialista e empunham armas contra a vida!
Eu prefiro, de minha parte, general, conhecer e ensinar à minha descendência, não só a História da minha Pátria, história verdadeira, com erros e acertos de todas as personagens. Não gosto de farsas e acomodações propícias a certa manutenção de aparências. Gosto da verdade, do jeito que ela é. Antes das causas ditas libertárias, digo que só a verdade realmente liberta. Assim, antes da nacional socialista, prefiro todos os hinos e canções cívicos de meu País. Eles dizem mais de mim mesma.
Meu País, formado também de pessoas de bem, leais no caráter, que tem senso do ridículo, que apreciam cultura, civismo, patriotismo, enfim, que detestam e se envergonham de bajuladores, oportunistas, golpistas, vigaristas de quinta, usurpadores e calhordas, ESSE PAÍS, deplora seu convite ao palestrante dessa manhã e tem vergonha de vossa iniciativa.
Sinceros pêsames.
Sandra A Paulino - advogada-OAB/SP 80955
sandrapaulino@aasp.org.br
Quem é Gercino José da Silva???
Ouvidor agrário ajudou a soltar chefes do MLST
O documento enviado pelo ouvidor agrário nacional, Gercino José da Silva, à Justiça foi decisivo para que o juiz federal Ricardo Augusto Soares Leite mandasse soltar 42 militantes do MLST acusados do vandalismo, no início de junho, na Câmara. Gercino enviou a cópia de um documento remetido pelo movimento ao presidente da Câmara, Aldo Rebelo (PCdoB-SP), no dia da invasão, no qual o MLST pede uma audiência para apresentar sua pauta de propostas.
O Ministério do Desenvolvimento Agrário divulgou nota ontem na qual confirma que Gercino atuou na libertação dos presos. Segundo a nota, o ouvidor “colocou-se à disposição da Justiça com o intuito de prestar esclarecimentos visando ao julgamento da demanda”.
Na decisão em que libertou os militantes do MLST, o juiz destacou a importância dos documento enviados pela Ouvidoria: “Em documento entregue pela Ouvidoria Agrária, o presidente da Câmara já tinha sido avisado de que cerca de vários manifestantes iriam ao Congresso Nacional tratar de vários assuntos. Assim, já se sabia previamente que se instalaria um clima de tensão no Congresso Nacional, sendo necessário o reforço da segurança ou a presença de agentes especializados na condução das reivindicações de movimentos de massa”, afirmou o juiz.
Dirigente do Incra elogiou MSLT em carta à Justiça
Um outro dirigente do Incra também teve participação na decisão do juiz de libertar os presos. A superintende do órgão em Pernambuco, Maria de Oliveira, ex-ouvidora agrária, enviou um ofício em que elogia o MLST, apresentado por ela como um movimento que sempre participou de mesas de negociações e apresentou alternativas para o desenvolvimento dos assentamentos. O MLST é mais organizado e mais forte em Pernambuco.
“Considero legítimas as gestões freqüentes desse movimento junto ao Incra e que o mesmo sempre direcionou suas ações para melhoria das condições de vida e pela dignidade humana daquelas famílias dependentes das políticas públicas incluindo a reforma agrária”afirmou Maria Oliveira no documento, anexo ao processo.
Anteontem, os procuradores que atuaram na prisão dos manifestantes do MLST acusaram o governo de interferir diretamente na libertação dos militantes.
Gercino já estivera na prisão onde estavam os manifestantes do MLST e ajudou na negociação para a soltura dos militantes, dois dias depois do quebra-quebra em junho. Ele atuou como mediador e acompanhou a saída dos 500 manifestantes presos.
Para Maranhão, Gercino é “uma das pessoas mais sérias deste país”.
— Ele é um negociador, um homem da paz. Ele não foi lá para me visitar, foi para saber como estávamos e para ajudar na retirada dos 500 companheiros. É uma figura ilibada — disse Maranhão.
O coordenador do movimento disse também que, na cadeia, recebeu as visitas dos deputados Luiz Eduardo Greenhalgh (PT-SP), presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara e advogado de movimentos sociais, e de João Alfredo (PSOL-CE), também ligado a essas entidades. Alfredo foi o relator da CPI da Terra e defendeu os sem-terra no seu relatório, derrotado pelos ruralistas.
Aldo divulgou nota e criticou Bruno Maranhão. Ele negou que tivesse havido abusos da Polícia Legislativa da Câmara, como disse Maranhão. Afirmou ainda que não é verdade que, no momento da prisão e mesmo na Papuda, os manifestantes sofreram agressões e maus tratos. “Não foi registrado qualquer fato que possa ser classificado como abuso de autoridade”, afirmou o presidente da Câmara.
Líder do PSDB reage a Maranhão
O líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), também reagiu, em nota, às declarações de Maranhão. “As imagens da invasão da Câmara e da depredação promovida pelos liderados de Bruno Maranhão constituem eloqüente desmentido às suas declarações”, afirmou Virgílio.
Gercino está no cargo desde o governo Fernando Henrique Cardoso. Ele é responsável por mediação de conflitos agrários no país, como as invasões de terra. Ao lado da ex-ouvidora Maria de Oliveira, Gercino ajudou no desfecho do episódio da invasão da fazenda de Fernando Henrique em Buritis, em março de 2002. Mas a Polícia Federal descumpriu acordo feito pelos dois com o MST e 16 líderes do movimento foram presos. Gercino e Maria pediram demissão do cargo, mas foi convencido a continuar após apelo dos movimentos sociais.
O documento enviado pelo ouvidor agrário nacional, Gercino José da Silva, à Justiça foi decisivo para que o juiz federal Ricardo Augusto Soares Leite mandasse soltar 42 militantes do MLST acusados do vandalismo, no início de junho, na Câmara. Gercino enviou a cópia de um documento remetido pelo movimento ao presidente da Câmara, Aldo Rebelo (PCdoB-SP), no dia da invasão, no qual o MLST pede uma audiência para apresentar sua pauta de propostas.
O Ministério do Desenvolvimento Agrário divulgou nota ontem na qual confirma que Gercino atuou na libertação dos presos. Segundo a nota, o ouvidor “colocou-se à disposição da Justiça com o intuito de prestar esclarecimentos visando ao julgamento da demanda”.
Na decisão em que libertou os militantes do MLST, o juiz destacou a importância dos documento enviados pela Ouvidoria: “Em documento entregue pela Ouvidoria Agrária, o presidente da Câmara já tinha sido avisado de que cerca de vários manifestantes iriam ao Congresso Nacional tratar de vários assuntos. Assim, já se sabia previamente que se instalaria um clima de tensão no Congresso Nacional, sendo necessário o reforço da segurança ou a presença de agentes especializados na condução das reivindicações de movimentos de massa”, afirmou o juiz.
Dirigente do Incra elogiou MSLT em carta à Justiça
Um outro dirigente do Incra também teve participação na decisão do juiz de libertar os presos. A superintende do órgão em Pernambuco, Maria de Oliveira, ex-ouvidora agrária, enviou um ofício em que elogia o MLST, apresentado por ela como um movimento que sempre participou de mesas de negociações e apresentou alternativas para o desenvolvimento dos assentamentos. O MLST é mais organizado e mais forte em Pernambuco.
“Considero legítimas as gestões freqüentes desse movimento junto ao Incra e que o mesmo sempre direcionou suas ações para melhoria das condições de vida e pela dignidade humana daquelas famílias dependentes das políticas públicas incluindo a reforma agrária”afirmou Maria Oliveira no documento, anexo ao processo.
Anteontem, os procuradores que atuaram na prisão dos manifestantes do MLST acusaram o governo de interferir diretamente na libertação dos militantes.
Gercino já estivera na prisão onde estavam os manifestantes do MLST e ajudou na negociação para a soltura dos militantes, dois dias depois do quebra-quebra em junho. Ele atuou como mediador e acompanhou a saída dos 500 manifestantes presos.
Para Maranhão, Gercino é “uma das pessoas mais sérias deste país”.
— Ele é um negociador, um homem da paz. Ele não foi lá para me visitar, foi para saber como estávamos e para ajudar na retirada dos 500 companheiros. É uma figura ilibada — disse Maranhão.
O coordenador do movimento disse também que, na cadeia, recebeu as visitas dos deputados Luiz Eduardo Greenhalgh (PT-SP), presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara e advogado de movimentos sociais, e de João Alfredo (PSOL-CE), também ligado a essas entidades. Alfredo foi o relator da CPI da Terra e defendeu os sem-terra no seu relatório, derrotado pelos ruralistas.
Aldo divulgou nota e criticou Bruno Maranhão. Ele negou que tivesse havido abusos da Polícia Legislativa da Câmara, como disse Maranhão. Afirmou ainda que não é verdade que, no momento da prisão e mesmo na Papuda, os manifestantes sofreram agressões e maus tratos. “Não foi registrado qualquer fato que possa ser classificado como abuso de autoridade”, afirmou o presidente da Câmara.
Líder do PSDB reage a Maranhão
O líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), também reagiu, em nota, às declarações de Maranhão. “As imagens da invasão da Câmara e da depredação promovida pelos liderados de Bruno Maranhão constituem eloqüente desmentido às suas declarações”, afirmou Virgílio.
Gercino está no cargo desde o governo Fernando Henrique Cardoso. Ele é responsável por mediação de conflitos agrários no país, como as invasões de terra. Ao lado da ex-ouvidora Maria de Oliveira, Gercino ajudou no desfecho do episódio da invasão da fazenda de Fernando Henrique em Buritis, em março de 2002. Mas a Polícia Federal descumpriu acordo feito pelos dois com o MST e 16 líderes do movimento foram presos. Gercino e Maria pediram demissão do cargo, mas foi convencido a continuar após apelo dos movimentos sociais.
17.7.06
Treinados no exterior
Movimento dos Atingidos por Barragens recebe treinamento no exterior
Suspeito de abrigar mentores de sabotagem na Cemig, movimento age sob inspiração de grupos internacionais. Coordenador da entidade aprendeu ‘resistência ao neoliberalismo’ em El Salvador
Suspeito de alojar militantes radicais que planejavam um atentado na Cemig, o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) age sob influência de organizações internacionais. Além de enviar seus líderes para treinamento no exterior, o movimento promove ações no Brasil com a presença de estrangeiros.
O Estado de Minas revelou no domingo que a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e os setores de inteligência da Polícia Federal, do Exército e das polícias civil e militar investigam integrantes do MAB pelo suposto envolvimento num plano de sabotagem na Cemig. O alvo seria o Centro de Operação do Sistema (COS), setor que controla 97% do fornecimento de energia elétrica de Minas e a transmissão de energia que passa por outros 20 estados e pelo Distrito Federal. O MAB nega que tenha planejado o atentado.
O MAB é uma das quatro entidades brasileiras – as outras são o MST e os pouco conhecidos Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) e Movimento de Mulheres Campesinas (MMC) – que integram a Via Campesina, organização internacional que reúne grupos de 56 países ligados à luta no campo. Recentemente, a Via Campesina se envolveu numa ação radical no Brasil.
Em março passado, 2.000 militantes da Via Campesina – brasileiros e estrangeiros – invadiram e destruíram o viveiro da Aracruz Celulose, em Barra do Ribeiro (RS), em protesto contra o avanço das áreas de monocultura de eucalipto. Em meia hora, os manifestantes destruíram 4 milhões de mudas de eucalipto, computares e uma grande quantidade de sementes. O prejuízo, segundo a empresa, foi de US$ 400 mil. O Ministério Público denunciou 37 pessoas por dano, furto, cárcere privado e formação de quadrilha. Entre elas, o britânico Paul Charles Nicholson, o indonêsio Henry Saragih e a dominicana Juana Ferrer de Sanchez. Na ocasião, a Via Campesina emitiu uma nota de protesto contra a decisão do Ministério Público. Entre os signatários, estava o MAB.
Chile e Venezuela
Em abril passado, a manifestação do MAB e do MST em Belo Horizonte, que terminou com a invasão e depredação do hall do edifício-sede da Cemig, também contou com a participação de militantes estrangeiros. A chilena Juana Calfunao, chefe lonko (autoridade tradicional) da comunidad indígena Juan Paillalef, chegou a discursar. Na manifestação, além de Juana, havia pelo menos um cidadão venezuelano a quem integrantes do MAB chamavam de Simão.
Juana já foi homenageada no Brasil com a medalha Chico Mendes, da seção fluminense do grupo Tortura Nunca Mais. Em Minas, participou da simulação de um julgamento dos “crimes do latifúndio”, promovido por entidades ligadas a movimentos sociais, em abril.
Bandeiras genéricas
Criado com o propósito de articular as demandas específicas das populações atingidas pela construção de barragens, o MAB tem assumido bandeiras mais genéricas nos últimos anos. Passou a condenar o neoliberalismo, as privatizações e alguns organismos internacionais, como o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).
O MAB também assumiu propostas de entidades estrangeiras às quais está ligado, como a campanha pela redução das tarifas públicas encampada pelo Movimento Popular de Resistência 12 de Outubro (MPR-12), de El Salvador. Neste momento, uma das principais reivindicações do MAB é a diminuição do valor cobrado pelo fornecimento de energia elétrica e a isenção da tarifa para famílias de baixa renda.
‘Articulação legítima’
O coordenador nacional do movimento, Joceli Andrioli, defende a ligação do MAB com movimentos estrangeiros. “A articulação internacional que existe é extremamente legítima, é muito positiva. É a articulação do povo trabalhador em nível mundial. Quem dera um dia todos os povos pudessem se unir”, afirma. Segundo Joceli, o que é negativo para o país é a “influência internacional da CIA (serviço secreto norte-americano), dos grupos terroristas e do neoliberalismo”.
Suspeito de abrigar mentores de sabotagem na Cemig, movimento age sob inspiração de grupos internacionais. Coordenador da entidade aprendeu ‘resistência ao neoliberalismo’ em El Salvador
Suspeito de alojar militantes radicais que planejavam um atentado na Cemig, o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) age sob influência de organizações internacionais. Além de enviar seus líderes para treinamento no exterior, o movimento promove ações no Brasil com a presença de estrangeiros.
O Estado de Minas revelou no domingo que a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e os setores de inteligência da Polícia Federal, do Exército e das polícias civil e militar investigam integrantes do MAB pelo suposto envolvimento num plano de sabotagem na Cemig. O alvo seria o Centro de Operação do Sistema (COS), setor que controla 97% do fornecimento de energia elétrica de Minas e a transmissão de energia que passa por outros 20 estados e pelo Distrito Federal. O MAB nega que tenha planejado o atentado.
O MAB é uma das quatro entidades brasileiras – as outras são o MST e os pouco conhecidos Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) e Movimento de Mulheres Campesinas (MMC) – que integram a Via Campesina, organização internacional que reúne grupos de 56 países ligados à luta no campo. Recentemente, a Via Campesina se envolveu numa ação radical no Brasil.
Em março passado, 2.000 militantes da Via Campesina – brasileiros e estrangeiros – invadiram e destruíram o viveiro da Aracruz Celulose, em Barra do Ribeiro (RS), em protesto contra o avanço das áreas de monocultura de eucalipto. Em meia hora, os manifestantes destruíram 4 milhões de mudas de eucalipto, computares e uma grande quantidade de sementes. O prejuízo, segundo a empresa, foi de US$ 400 mil. O Ministério Público denunciou 37 pessoas por dano, furto, cárcere privado e formação de quadrilha. Entre elas, o britânico Paul Charles Nicholson, o indonêsio Henry Saragih e a dominicana Juana Ferrer de Sanchez. Na ocasião, a Via Campesina emitiu uma nota de protesto contra a decisão do Ministério Público. Entre os signatários, estava o MAB.
Chile e Venezuela
Em abril passado, a manifestação do MAB e do MST em Belo Horizonte, que terminou com a invasão e depredação do hall do edifício-sede da Cemig, também contou com a participação de militantes estrangeiros. A chilena Juana Calfunao, chefe lonko (autoridade tradicional) da comunidad indígena Juan Paillalef, chegou a discursar. Na manifestação, além de Juana, havia pelo menos um cidadão venezuelano a quem integrantes do MAB chamavam de Simão.
Juana já foi homenageada no Brasil com a medalha Chico Mendes, da seção fluminense do grupo Tortura Nunca Mais. Em Minas, participou da simulação de um julgamento dos “crimes do latifúndio”, promovido por entidades ligadas a movimentos sociais, em abril.
Bandeiras genéricas
Criado com o propósito de articular as demandas específicas das populações atingidas pela construção de barragens, o MAB tem assumido bandeiras mais genéricas nos últimos anos. Passou a condenar o neoliberalismo, as privatizações e alguns organismos internacionais, como o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).
O MAB também assumiu propostas de entidades estrangeiras às quais está ligado, como a campanha pela redução das tarifas públicas encampada pelo Movimento Popular de Resistência 12 de Outubro (MPR-12), de El Salvador. Neste momento, uma das principais reivindicações do MAB é a diminuição do valor cobrado pelo fornecimento de energia elétrica e a isenção da tarifa para famílias de baixa renda.
‘Articulação legítima’
O coordenador nacional do movimento, Joceli Andrioli, defende a ligação do MAB com movimentos estrangeiros. “A articulação internacional que existe é extremamente legítima, é muito positiva. É a articulação do povo trabalhador em nível mundial. Quem dera um dia todos os povos pudessem se unir”, afirma. Segundo Joceli, o que é negativo para o país é a “influência internacional da CIA (serviço secreto norte-americano), dos grupos terroristas e do neoliberalismo”.
Rainha em ação
Rainha cria 'frente' para invasões
Em ano de eleições, líder quer intensificar ações em SP
O líder do Movimento dos Sem-Terra (MST), José Rainha Júnior, está criando uma "frente única" de movimentos para pressionar pela reforma agrária no Estado de São Paulo neste ano eleitoral. A primeira ação conjunta está prevista para este mês, com a invasão de 20 fazendas no Pontal do Paranapanema e na Alta Paulista, no oeste do Estado. Já aderiram à nova frente o Movimento dos Agricultores Rurais Sem-Terra (Mast), o Unidos pela Terra (Uniterra), a Associação Renovadora Sem Terra (ARST) e o Movimento Nacional e Federal (MNF).
Os líderes se reuniram na última sexta-feira em Presidente Venceslau, no Pontal, para definir as tarefas. Juntamente com a ala do MST ligada a Rainha, esses grupos mantêm 21 acampamentos no Estado e reúnem cerca de 10 mil militantes, dos quais 3,2 mil acampados. "A reforma agrária está parada e vamos cobrar o governo de uma forma mais firme", disse Milton José da Silva, presidente do Mast, referindo-se ao governo do Estado, hoje ocupado por Cláudio Lembo (PFL). A estratégia das ações será definida em nova reunião, no dia 21.
O nome das fazendas a serem invadidas não será divulgado antecipadamente."São terras que já foram julgadas devolutas em última instância, das quais o governo ainda não tomou posse. Queremos que sejam destinadas para assentamentos", disse o líder. Segundo ele, muitas famílias estão há mais de seis anos na beira de estradas.
A ala "oficial" do MST na região não vai participar das ações, mas está em minoria. Esse grupo, coordenado por Clédson Mendes e apoiado pela direção estadual, detém o controle de dois acampamentos, enquanto Rainha lidera oito, embora já não tenha status de dirigente no MST - o movimento o considera apenas um militante. Procurado para falar da frente, Mendes não ligou de volta.
PRISÃO
O presidente da União Democrática Ruralista (UDR), Luiz Antonio Nabhan Garcia, disse que vai pedir a prisão de Rainha. "Ele está em liberdade provisória e mesmo assim articula as invasões, que são crimes." O líder dos sem-terra foi condenado a 10 anos e 2 meses de prisão em decorrência da invasão de uma fazenda, em 2002, mas conseguiu liminar no Superior Tribunal de Justiça para aguardar em liberdade o julgamento de um recurso. Nabhan considera que a união dos movimentos é jogada política de Rainha para ajudar a candidatura de sua mulher, Diolinda Alves de Souza (PT), candidata a deputada estadual.
Rainha não foi encontrado ontem. Seu porta-voz, Vagmar Oliveira, disse que a frente não tem dirigente e será coordenada por um colegiado.
Estadão
Em ano de eleições, líder quer intensificar ações em SP
O líder do Movimento dos Sem-Terra (MST), José Rainha Júnior, está criando uma "frente única" de movimentos para pressionar pela reforma agrária no Estado de São Paulo neste ano eleitoral. A primeira ação conjunta está prevista para este mês, com a invasão de 20 fazendas no Pontal do Paranapanema e na Alta Paulista, no oeste do Estado. Já aderiram à nova frente o Movimento dos Agricultores Rurais Sem-Terra (Mast), o Unidos pela Terra (Uniterra), a Associação Renovadora Sem Terra (ARST) e o Movimento Nacional e Federal (MNF).
Os líderes se reuniram na última sexta-feira em Presidente Venceslau, no Pontal, para definir as tarefas. Juntamente com a ala do MST ligada a Rainha, esses grupos mantêm 21 acampamentos no Estado e reúnem cerca de 10 mil militantes, dos quais 3,2 mil acampados. "A reforma agrária está parada e vamos cobrar o governo de uma forma mais firme", disse Milton José da Silva, presidente do Mast, referindo-se ao governo do Estado, hoje ocupado por Cláudio Lembo (PFL). A estratégia das ações será definida em nova reunião, no dia 21.
O nome das fazendas a serem invadidas não será divulgado antecipadamente."São terras que já foram julgadas devolutas em última instância, das quais o governo ainda não tomou posse. Queremos que sejam destinadas para assentamentos", disse o líder. Segundo ele, muitas famílias estão há mais de seis anos na beira de estradas.
A ala "oficial" do MST na região não vai participar das ações, mas está em minoria. Esse grupo, coordenado por Clédson Mendes e apoiado pela direção estadual, detém o controle de dois acampamentos, enquanto Rainha lidera oito, embora já não tenha status de dirigente no MST - o movimento o considera apenas um militante. Procurado para falar da frente, Mendes não ligou de volta.
PRISÃO
O presidente da União Democrática Ruralista (UDR), Luiz Antonio Nabhan Garcia, disse que vai pedir a prisão de Rainha. "Ele está em liberdade provisória e mesmo assim articula as invasões, que são crimes." O líder dos sem-terra foi condenado a 10 anos e 2 meses de prisão em decorrência da invasão de uma fazenda, em 2002, mas conseguiu liminar no Superior Tribunal de Justiça para aguardar em liberdade o julgamento de um recurso. Nabhan considera que a união dos movimentos é jogada política de Rainha para ajudar a candidatura de sua mulher, Diolinda Alves de Souza (PT), candidata a deputada estadual.
Rainha não foi encontrado ontem. Seu porta-voz, Vagmar Oliveira, disse que a frente não tem dirigente e será coordenada por um colegiado.
Estadão
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