4.8.06
Rochinha
Rochinha, hoje chefe de gabinete de Berzoini, indicaria à Casa Civil emendas de interesse dos sanguessugas
No depoimento ontem à CPI dos Sanguessugas, o empresário Luiz Antônio Vedoin, um dos donos da Planam, revelou que a máfia dos sanguessugas contava com a ajuda de um petista de alta patente. Trata-se de Francisco Rocha da Silva, o Rochinha - dirigente do partido, amigo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e atual chefe de gabinete do presidente do PT, Ricardo Berzoini. De acordo com Vedoin, ele fazia a ligação entre o Ministério da Saúde e a Casa Civil da Presidência. Nos tempos do ministro Humberto Costa, Rochinha dava expediente na Saúde como assessor especial e, para garantir a liberação rápida do dinheiro, indicava à Casa Civil as emendas de interesse dos sanguessugas.
Segundo o deputado Júlio Delgado (PSB-MG), que presenciou o depoimento de Vedoin, quem acompanhava o trabalho de Rochinha era José Airton Cirilo, dirigente do PT do Ceará aparentemente envolvido até o pescoço no esquema das ambulâncias. "Rochinha fazia a interlocução do Ministério da Saúde com a Casa Civil", disse o deputado, após o término do depoimento do dono da Planam.
Cirilo teria contado a Vedoin que Rochinha acertava com a Casa Civil as emendas que deveriam ter prioridade. Mas o chefe da máfia garantiu nunca ter-se encontrado pessoalmente com Rochinha. De acordo com essa versão, a participação do petista se dava nas sombras, sem que os empresários do esquema entrassem em contato com ele.
O mesmo não se pode dizer de Cirilo, que operava na linha de frente, em permanente contato com os empresários. Ex-presidente do PT no Ceará e membro do Diretório Nacional, foi ele quem acertou com Vedoin o pagamento das emendas dos sanguessugas . Ele chegou a receber R$ 867,7 mil nas contas dos intermediários José Caubi Diniz e Raimundo Lacerda Filho.
O ex-assessor especial do Ministério da Saúde afirmou que em nenhum momento teve encontros ou entendimentos com o dono da Planam.
Rochinha disse também que nunca teve discussões a respeito de liberação de recursos de emendas do Ministério da Saúde com o petista José Airton Cirilo.
"Eu não vou entrar nesse jogo. Nunca conversei com José Airton sobre isso e não era a minha função cuidar de emendas. Isso é uma grande lambança", afirmou.
CAMPANHA
Na opinião de Rochinha, setores da mídia estariam patrocinando uma campanha contra a reeleição do presidente Lula e nem sequer investigaram o que aconteceu no governo anterior em relação às ambulâncias.
"Ele (Vedoin) precisa dizer para onde foram as primeiras cem ambulâncias. Parece que os envolvidos não participaram da base de Fernando Henrique Cardoso", disse Rochinha.
Ainda de acordo com o petista, a única parte verdadeira do depoimento de Vedoin estaria no fato de ele nunca ter mantido qualquer contato com o chefe da máfia dos sanguessugas. Todo o resto seria mentira.
"Ele já citou um mundo. Por que vou dar resposta a um criminoso que eu nunca vi?", perguntou.
Estadão
Vedoin e o RJ
Num trecho do depoimento, Vedoin diz que Nylton Simões — que está indiciado pelo Ministério Público Federal de Mato Grosso como um dos 81 envolvidos no esquema dos Sanguessugas — foi o responsável por seu encontro com o ex-ministro da Saúde Humberto Costa. Segundo ele, Nylton teria conhecido um homem identificado como pastor Lourenço, que teria trabalhado no governo Benedita da Silva. O pastor teria apresentado Vedoin ao petista Benedito Domingues, ex-vice governador do Distrito Federal, que o teria levado ao ministro. A ex-governadora Benedita da Silva, coordenadora da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Rio, informou por sua assessoria que Nylton ou Lourenço jamais foram seus assessores.
A grande quantidade de emendas de deputados do Rio liberadas fez com que Vedoin e Nylton brigassem. De acordo com o depoimento de Vedoin, Nylton queria ter 2% de todas as emendas liberadas no estado. Mas Vedoin não concordou. O Rio é o estado com o maior número de deputados apontados como envolvidos no esquema: 16 até agora. Segundo o depoimento de Vedoin, “Nylton Simões trabalha com os seguintes deputados: Almerinda de Carvalho (PMDB), José Divino (PRB), Nelson Bornier (PMDB), Carlos Nader (PP), Reinaldo Gripp (PL), Josias Quintal (PSB), Betão (PL), Paulo Feijó (PSDB)”.
Nilton também representava, segundo Vedoin, o grupo nas licitações direcionadas dentro das prefeituras envolvidas no esquema. No depoimento, o empresário cita várias prefeituras da Baixada Fluminense onde Nylton teria tido encontros, alguns deles até diretamente com prefeitos, como no caso da de Magé, Nubia Cozzolino (PMDB). Outro contato de Nylton na região era com Maria José, que seria assessora do deputado Itamar Serpa (PSDB) e teria recebido R$ 69 mil de propina.
Segundo Vedoin, “Maria José também cooperou com os contatos do interrogando nos municípios de Belford Roxo, Paracambi, Japeri, Nova Iguaçu e São João do Meriti.” Em entrevista ao GLOBO, Itamar diz que só estava citado porque uma funcionária de nome Ada, que não seria nomeada por ele, teria usado o telefone do gabinete para ligar para integrantes da máfia.
Para aumentar os ganhos no esquema, Nylton criou uma ONG para fazer trabalhos para o governo federal no Rio, segundo o depoimento de Vedoin. O Instituto Brasileiro de Cultura e Educação (Ibrae) passou a realizar serviços para o Ministério da Ciência e Tecnologia na área de inclusão digital. A máfia vendia emendas para a compra de ônibus para o instituto. As comissões eram divididas entre Nylton e deputado federal Paulo Baltazar (PSB), conforme antecipou O GLOBO em maio deste ano. O deputado nega participação no esquema.
Na época, o presidente do Ibrae, Marco Antonio Tadeu Alves, disse que Nylton não era ligado à organização e que prestava apenas serviços voluntários à ONG. Marco Antonio, que segundo Vedoin teria recebido propina, prometeu devolver os recursos recebidos do Ministério da Saúde porque não havia conseguido realizar a licitação para os serviços contratados.
OGlobo
3.8.06
Conselheira orienta presos
Na Grande Vitória, neste ano, 19 ônibus foram incendiados. A polícia descobriu que a ordem dos ataques partiu de dentro do presídio de Viana e uma gravação telefônica - autorizada pela Justiça - revela a participação de uma representante do Conselho Estadual de Direitos Humanos nos atentados.
Na conversa, Isabel Borges diz a um preso como escrever um bilhete para deixar nos ônibus queimados.
Isabel: "não pode pôr que é 'a pedido de vocês...”
Preso: "ah! Mas é alguém que foi pra rua porque aqui (no presídio) não tem comunicação não filha."
Isabel: "não, mas tem que por de outro jeito”.
Isabel então lê um texto que seria o ideal.
Isabel: "vocês estão no sofrimento na casa de custódia em Viana, pela superlotação, falta d’água, presos doentes sem medicação, porque também não estão recebendo visitas nem a entrada de malotes. Estamos esperando uma resposta, com solução que possa ajudar os irmãos que estão sofrendo."
A representante dos Direitos Humanos diz ainda como os presos deveriam se apresentar em audiência.
Isabel: "se fosse vocês (presos) iria para o fórum sujos, com uniformes sujos. Porque eu vou fazer um documento para o juiz falando que um pouquinho de auto-estima que o preso tinha está acabando."
Durante 20 anos, Isabel Borges também atuou na Pastoral Carcerária. Constantemente, estava em contato com os presos. Ela admite que conversava com eles por telefone, mas nega que tenha orientado a forma correta de escrever bilhetes. “Eu nego e duvida que exista isso. Eu não proporia nada, não propus nada. Isso não pode existir, a não ser que tenha sido forjada”, disse Isabel Borges, conselheira acusada.
O secretário Estadual de Segurança proibiu Isabel de visitar os presídios e disse que ela já foi indiciada. "Lamentavelmente esta ocorrência é muito grave e mostra um desvio de conduta que a gente repudia e está tomando as providências", explicou Evaldo Martinelli, secretário de Segurança.
O Conselho Estadual dos Direitos Humanos disse que ficou surpreso com o conteúdo das gravações. Informou que vai se reunir para decidir o que será feito em relação à conselheira Isabel Borges.
Globo
"Voz do Brasil" boicota oposição!!
Senadores da oposição denunciaram ontem o que consideram censura às críticas que fazem ao governo Lula em dois órgãos de divulgação das atividades parlamentares: A voz do Brasil e o Jornal do Senado. A censura, segundo eles, ocorre quando têm os discursos boicotados no programa veiculado em todo o País, de segunda à sexta-feira, ou pela supressão nos discursos das frases mais agressivas contra o presidente da República e seus ministros. "Estamos de volta ao tempo do DIP de Getúlio Vargas", protestou em plenário o presidente do PFL, Jorge Bornhausen (SC), referindo-se ao Departamento de Imprensa e Propaganda que controlava a mídia na ditadura de Vargas.
Para o líder do PSDB, senador Arthur Virgílio (AM), o uso eleitoreiro de meio de comunicação "serve para alguém manter o poder". "Vou ficar com os ouvidos grudados na Voz do Brasil, é preciso não mais haver nenhum censor, isto aqui é uma democracia e como tal não admite que sejam cerceados os direitos dos parlamentares da oposição, porque eles representam uma parcela eficiente da população que está com nojo da corrupção", alegou.
Levantamento feito por assessores de Bornhausen, mostra que nas últimas edições da Voz do Brasil não consta nenhum dos ataque feitos a Lula pelos seus mais contundentes críticos. Ou seja, ficaram de fora, além de Bornhausen, os discursos de Tasso Jereissati (PSDB-CE), Arthur Virgílio, Álvaro Dias (PSDB-PR) e do senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA). A pedido deles, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), prometeu agir. "Isso é um absurdo, que não vai acontecer", disse. "Se aconteceu por falha ou seja lá o que for, do setor de comunicação do Senado, vou tomar providências cabíveis", prometeu.
EXPLICAÇÕES
O secretário de Comunicação do Senado, jornalista Armando Rollemberg, afirma que na Casa "não tem e nem haverá nenhuma espécie de censura". Prova disso, disse, seria o fato de as sessões serem transmitidas ao vivo. Rollemberg defendeu que, quando muito, pode ter havido falha no critério de edição. "A editoria preferiu priorizar a defesa dos parlamentares que estão sendo acusados", alegou, referindo-se ao espaço dado à senadora Serys Slhessarenko (PT), à líder do PT, Ideli Salvatti (SC) e ao senador Magno Dias (PL-ES).
Ele disse ainda que as queixas mais constantes partem de governistas que se sentem preteridos. Para ele, a diferença se explica pelo fato de que "muitas vezes há cinco ou seis da oposição no plenário e só um ou dois do governo".
Estadão
2.8.06
Petrobrás
Segundo cálculos dos petroleiros, dinheiro seria suficiente para construir três refinarias ou quatro plataformas
A Petrobrás assinou com a Federação Única dos Petroleiros (FUP)acordo para liquidar o rombo atuarial de seu fundo de pensão, a Petros, avaliada pela Justiça em R$ 9,3 bilhões. O presidente da companhia, José Sérgio Gabrielli, confirmou ontem ao Estado que as negociações, iniciadas há mais de dois anos, estão em fase final e devem 'praticamente zerar o déficit do fundo'. O prazo para a conclusão do acordo é 31 de agosto.
O objetivo é repactuar, em 30 anos, o déficit do fundo. Em contrapartida, todas as ações na Justiça contra a Petros seriam extintas. A proposta precisa ser aprovada por 95% dos 95 mil participantes do fundo de pensão, ou seja, por 90.250 petroleiros. 'Uma vez feito esse acordo, a Petrobrás passa a ter uma dívida com a Petros. Essa dívida passa a ser ativo a receber pelo fundo e compensa o déficit', explicou Gabrielli.
Pelos cálculos da FUP, o dinheiro que a Petrobrás injetaria no fundo seria suficiente para construir três refinarias ou quatro plataformas de petróleo. Segundo a entidade, os recursos equivalem 'a 65% dos investimentos do governo federal em 2006, excetuando-se os orçamentos das empresas estatais'.
Há cerca de um mês, a Petrobrás enviou aos participantes do fundo 'kits de adesão', como informou o diretor da Associação dos Participantes da Petros (Apape), Nei Ribeiro. O material contém documentos para serem assinados por quem aderir à proposta. A Petrobrás oferece uma indenização por possíveis perdas, correspondente a três salários do funcionário, no valor máximo de R$ 15 mil.
A proposta abrange participantes ativos e inativos e, se todos aceitarem, as indenizações podem atingir R$ 1,425 bilhão.
Gabrielli explica que esse pacote de benefícios tem como objetivo 'compensar os participantes das perdas motivadas pela migração para o novo plano'.
Entre as perdas está a mudança de reajuste atual das aposentadorias e pensões, que deixariam de seguir o índice do dissídio do pessoal ativo para serem indexadas ao IPCA anual.
Não há consenso entre sindicatos e associações representativas dos petroleiros. A Apape está convocando para amanhã uma manifestação em frente à sede da Petrobrás. Mas a FUP destaca que, além do passivo, foram resolvidos problemas antigos, como a correção do cálculo das pensões e o limite de idade para funcionários que entraram até 1979.
A Petrobrás tem quase 50% de suas ações negociadas na Bolsa de Nova York - os American Depositary Recepts (ADRs). A resolução do rombo da Petros é importante para a estatal ganhar pontos na avaliação internacional de investidores, chegando ao grau de empresa 'investment grade', ou seja, com baixo risco.
A Petros foi criada em 1970.
O plano era extremamente vantajoso para os funcionários e previa o sistema de 'benefício definido'. Ou seja, o funcionário sabia exatamente quanto iria receber ao se aposentar.
Agora, a estatal tenta mudar o plano para 'contribuição definida', sistema pelo qual o aposentado tem direito ao benefício correspondente ao que contribuiu durante a vida ativa. A Petrobrás prevê contribuir mais com o fundo de pensão, assumindo o custeio paritário também com aposentados e pensionistas.
Para novos funcionários, a estatal garante um plano complementar misto, que assegura benefícios de risco, benefício mínimo e renda vitalícia. O Plano Petros 2 só será apresentado após aprovação pela Secretaria de Previdência Complementar.
Estadão
Filha de Fidel
Mas Alina Fernandez, filha de Fidel Castro exilada nos EUA, diz que não quer mais falar sobre o pai ou Cuba
Alina Fernandez Revuelta, filha ilegítima de Fidel Castro e exilada em Miami desde 1993, se nega a falar sobre a atual situação em Cuba depois que seu pai, a quem se refere como 'o comandante', transferiu provisoriamente seus poderes ao irmão Raúl. Contatada ontem por telefone, Alina se negou a especular sobre a questão: 'Recebi a notícia como todas as pessoas, pela televisão. Não quero mais falar sobre isto', pediu.
Essa foi a segunda vez que Alina falou com o Estado, que a a contatou há duas semanas para entrevistá-la sobre o aniversário de 80 anos de Fidel, em 13 de agosto. Na ocasião, Alina chegou a abordar a eventual saída de Fidel do poder, manifestando o desejo de voltar a Cuba.
Fruto de um caso extraconjugal que Fidel teve na década de 50 com Natalia Revuelta, Alina nasceu em 1956 e só aos 10 anos soube ser sua filha.
Ela descreve a convivência com o líder cubano como 'terna', mas isto não a impediu de notar o que ocorria a seu redor. 'Sempre houve o discurso de que os países não tinham o direito de intervir nos outros, mas sabíamos que Cuba, uma ilhota mergulhada em um caos econômico, tinha soldados em Angola e Etiópia', recorda, referindose às intervenções militares na Etiópia entre 1977 e 1978 e em Angola até 1990.
Aos poucos, as promessas não cumpridas, a restrição das escolhas individuais, a falta de comunicação com o exterior avivaram em Alina o desejo de reafirmar a própria identidade.
Para tanto, não lhe bastou parar de falar com seu pai quando tinha pouco mais de 20 anos: ela também sentiu a necessidade de deixar seu país.
Disfarçada de turista espanhola, conseguiu chegar aos EUA no Natal de 1993, ano em que Cuba atravessava 'o período das necessidades especiais', causado pelo colapso da União Soviética em 1991. 'Os professores não iam à escola porque não havia transportes; se fossem, não havia eletricidade para dar as aulas', recorda. 'Minha filha de 16 anos ficou sem propósito ou futuro'.
Com a pressão da comunidade internacional, Alina conseguiu que a filha chegasse a Miami sete dias depois de sua fuga.
Por sua história de vida, relatada na autobiografia
Castro's Daughter - an Exile's Memoir of Cuba, Alina não consegue evitar que o sentimento de exilada suprima o fato de ser filha de Fidel. 'Mais do que sua filha, sou uma cubana que, assim como outros 3 milhões, se viu forçada a deixar seu país.'
Estadão
Cotas
Denunciado ontem um dos 14 estudantes acusado de fraudar o sitema de cotas da UFBA
O Ministério Público Federal na Bahia denunciou ontem um dos 14 estudantes acusados de fraudar o sistema de cotas da Universidade Federal da Bahia (UFBA), segundo informações do jornal O Globo.
Para conseguir a vaga, a ex-estudante de medicina Taiane Amorim Brito, 21 anos, pagou R$ 800 para obter dois históricos falsos, nos quais se atestava que ela concluíra o ensino fundamental e a 1º e 2º séries do ensino médio numa escola da rede pública no bairro da Ribeira, em Salvador.
Um cruzamento de dados realizado pela Secretaria estadual de Educação comprovou a falsificação, classificada de grosseira pela secretária estadual de Educação, Anaci Paim. A aluna, que admitiu a fraude, estudou em colégio particular de um bairro nobre de Salvador.
Segundo os procuradores da República Sidney Madruga e André Batista Neves, ela se declarou parda ao fazer a opção pelas cotas, apesar de ser branca e ter cabelos claros. Ao justificar, a ex-estudante disse que todo mundo na Bahia ser pardo.
Madruga disse ainda que outros 12 universitários serão denunciados. Os envolvidos poderão responder por falsidade ideológica, cuja pena varia de um a cinco anos de reclusão.
O caso de Taiane foi o primeiro descoberto na UFBA, que vem apurando fraudes no sistema de cotas desde janeiro deste ano.
A política de cotas foi aprovada na universidade m 2004 e passou a valer a partir do vestibular de janeiro de 2005. A instituição destina 45% das suas vagas para alunos da rede pública. Há também cotas para descendentes indígenas e para quem se declara negro ou pardo.
Terra
Renan e Sarney irritados
Presidente do Senado foi contra confirmação de José Agenor no Ministério da Saúde
A confirmação de José Agenor Álvares da Silva no cargo de ministro da Saúde ampliou a insatisfação da ala governista do PMDB com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Desde março, o presidente do Senado, Renan Calheiros (AL), tentava emplacar no ministério seu afilhado Paulo Lustosa, que atualmente comanda a Funasa. Não conseguiu.
Aliado de Lula, Renan tem dado sinais de descontentamento com o governo e com a campanha do presidente à reeleição. Sob o argumento oficial de que não era viável conciliar a participação no conselho político da campanha com a presidência do Senado, retirou-se do colegiado. Na prática, ele já sabia há mais de um mês que não conseguiria nomear Lustosa, vetado pelo PT. Mas decidiu escancarar seu aborrecimento com um gesto prático.
Renan não está só. O senador José Sarney (AP) também não esconde suas mágoas com o governo, mesmo após o PMDB ter recebido a presidência dos Correios e três diretorias da estatal. Há duas semanas, Sarney deu aval à articulação para aproximar o candidato tucano à Presidência, Geraldo Alckmin, de sua filha, a senadora Roseana Sarney (PFL), candidata ao governo do Maranhão.
Um auxiliar de Lula disse ao Estado que o presidente só confirmou José Agenor no cargo ontem porque "acabou a disputa". Agenor era secretário-executivo da Saúde e assumiu o ministério no fim de março, quando Saraiva Felipe deixou o posto para disputar a eleição.
O presidente avaliou ainda que era preciso fortalecer José Agenor neste momento de tiroteio político, por causa das denúncias envolvendo a máfia dos sanguessugas.
Dirigentes do PMDB dizem que tanto Renan como Sarney estão "insatisfeitos" com o governo, "irritados" com o PT e "preocupadíssimos" com erros na campanha pela reeleição. Nos bastidores, os dois desfiam um rosário de queixas, a começar pelo fato de que o presidente não lhes deu o destaque esperado como conselheiros políticos e pouco os tem ouvido.
Eles também consideram que a estratégia de bater na candidata do PSOL, Heloísa Helena, não é inteligente. Responsabilizam o presidente do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP), e o ministro das Relações Institucionais, Tarso Genro, pelo movimento. Para o PMDB governista, o PT acaba fortalecendo Heloísa, permitindo que ela assuma papel de vítima.
Mesmo com as lamentações, Renan e Sarney não desembarcaram do projeto da reeleição, porque avaliam que Lula continua fortíssimo. Mas o que está em jogo é o quinhão de poder do partido. Os dois aliados já não acreditam que Lula esteja disposto a enfrentar o PT para um governo de coalizão.
A expectativa era que Lula definisse já o espaço de poder do partido no eventual segundo mandato e que cumprisse promessas de nomeações. Contavam com a verticalização dos cargos no Ministério de Minas e Energia, com diretorias da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e de agências reguladoras. Em conversas reservadas, Sarney diz que o ministro de Minas e Energia, Silas Rondeau, é indicação sua, mas quem continua mandando é a chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff.
Estadão
Febem Vip
Quarta-feira, 31 de Maio de 2006 07:40
O governador Cláudio Lembro vem hoje a Rio Preto para inaugurar a primeira unidade de semiliberdade da Febem (Fundação do Bem Estar do Menor), numa versão "vip" e apenas para adolescentes infratores de baixo potencial ofensivo, segundo o diretor da entidade Dário Mendes.
Uma casa com quase 700 metros quadrados, localizada numa das regiões mais caras da cidade, dotada de quatro suítes completas, sala para atividades pedagógicas, sala de TV, refeitório e piscina foi alugada pelo governo por R$ 3,5 mil por mês. As despesas mensais totalizam cerca de R$ 48,5 mil. Com este valor, cada garoto assistido vai custar R$ 1.212,50 por mês, o equivalente a quase três salários mínimos.
Na casa, os delinqüentes terão assistência social, psicológica e pedagógica. Eles vão sair pela manhã, para freqüentar cursos e aulas normais nas escolas públicas. No local, a febem vai oferecer o café da manhã, almoço e jantar, além do dormitório. Nas quatro suítes foram instalados beliches. Os quartos são equipados com ar-condicionado
Durante a inauguração da unidade, que é um modelo, o governador Claúdio Lembo poderá enfrentar manifestação de vizinhos que estão indignados com a presença dos adolescentes infratores na região. O diretor da casa Dário Mendes garante que apenas quarenta garotos serão atendidos pelo projeto.
Segundo Mendes, não serão aceitos adolescentes infratores, autores de crimes graves como homicídio, roubo, estupro e seqüestro. Ele também afirmou que, não serão aceitos garotos de outras cidades "só vamos receber meninos de Rio Preto e que sejam primários".
Aqui o crime compensa!!!
TSE e Palocci
Petista apresentou dois CPFs e pode ter candidatura impugnada
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) intimou anteontem o ex-ministro Antonio Palocci para esclarecer até amanhã irregularidades apontadas pelo Ministério Público Federal em sua candidatura a deputado federal, sob pena de tê-la impugnada. O procurador regional eleitoral Mario Luiz Bonsaglia constatou, entre outros problemas, que no processo de requerimento de candidatura são apresentados dois números de CPF diferentes.
Nas certidões criminais juntadas por Palocci aparece o número do CPF 081.532.288-70, diferente do documento apresentado pelo ex-ministro: o 062.605.448-63. No site da Secretaria da Receita Federal, o primeiro número pertence a Nélio Aguiar Bíscaro e o segundo, a Palocci.
Em Ribeirão Preto, cidade natal de Palocci e onde ele tem domicílio eleitoral declarado, a Telefônica informa que existe um Nélio Aguiar Bíscaro entre seus assinantes, o único em toda sua área de abrangência, mas ninguém foi encontrado no telefone informado.
Bonsaglia apontou ainda discrepância entre os bens declarados e apontados pelo ex-ministro. "Ademais, o ora requerido (Palocci) não indicou os valores individuais de todos os bens declarados", diz ele em seu despacho. Por fim, o procurador informou ao TSE que o requerimento de registro de candidatura não foi assinado por Palocci, mas sim pelo representante constituído por meio de uma procuração, "o que não preenche os requisitos da Lei 9.504/97".
A assessoria de imprensa de Palocci informou que ele foi notificado apenas da divergência dos números do CPF e que teria providenciado uma troca nas certidões criminais. Segundo a assessoria, houve erro de digitação.
Estadão