Juíza bloqueia contas do PT, de Genoíno e Delúbio
A Justiça decretou o bloqueio de valores depositados em contas e aplicações financeiras do PT, de seu ex-presidente José Genoino e de seu ex-tesoureiro Delúbio Soares, no montante de R$ 3,37 milhões - valor atualizado até agosto de 2005 e devido pelo partido ao Banco BMG, de quem tomou empréstimo que não pagou, de R$ 2,4 milhões.
Até ontem, segundo planilha do Banco Central, haviam sido rastreados e indisponibilizados R$ 158.423,54. Desse total, a maior parte foi encontrada em duas contas de Delúbio - R$ 85.697,24 em uma agência do Banco do Brasil, mais R$ 36.829,13 no Itaú, somando R$ 122.526, 37. Do PT, aparentemente em pior situação financeira que Delúbio, foram confiscados R$ 25.617,51 de 9 contas - o menor valor, R$ 187,42, estava em agência do Bradesco.
Em duas contas de José Genoino foram rastreados R$ 10.279,66, sendo R$ 34,33 na Caixa Econômica Federal e R$ 10.245,33 no BB. “O bloqueio com relação a Genoino foi revertido hoje (ontem)”, afirmou o criminalista Luiz Fernando Pacheco, defensor do ex-dirigente. “Genoino é pessoa sem bens e sem aplicações”, assinalou o advogado. “O dinheiro tem caráter alimentar, ele o recebe pela aposentadoria de parlamentar.”
A ordem de bloqueio foi dada pela juíza Adriana Sashsida Garcia, de São Paulo, que mandou executar decisão da 34.ª Vara Cível de Belo Horizonte, onde foi aberta ação de cobrança da dívida do PT. Como avalistas, Delúbio e Genoino são devedores solidários. O negócio foi fechado em fevereiro de 2003 com intermediação de Marcos Valério, apontado como operador do mensalão no Congresso.
A ação teve início em agosto de 2005. Os advogados do BMG, Sérgio Bermudes, Gustavo Fernandes de Andrade e Raphael de Moraes Miranda, argumentaram que o PT não honrou promissória de R$ 3,12 milhões que havia emitido em garantia. O juiz Edson de Almeida Campos Júnior mandou citar os devedores para que em 24 horas quitassem o débito ou nomeassem bens à penhora. A oficial de Justiça Marcia Corrêa comunicou que não fez a penhora “em virtude de não localizar bens que satisfaçam o crédito”.
Há três meses, a juíza Adriana Garcia ordenou o bloqueio, mas a busca identificou apenas R$ 15.203,47 em contas do PT. No dia 24 de maio, a juíza determinou o bloqueio online. O PT informou que não foi notificado do bloqueio e que está tentando renegociar a dívida. Arnaldo Malheiros Filho, criminalista que defende Delúbio, disse que não foi informado sobre o embargo do dinheiro do ex-tesoureiro.
8.6.06
R$100 mi para "sem-terra"
Sem-terra receberam R$ 100 mi do governo
700 organizações tiveram verbas para reforma agrária
O governo Lula já repassou, por intermédio do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), mais de R$ 100 milhões às entidades ligadas ao Movimento dos Sem-Terra (MST) e outras organizações do campo. Os dados foram extraídos do Sistema Integrado de Administração Financeira (Siafi) e mostram também que mais de 700 organizações não-governamentais, sindicatos e instituições privadas sem fins lucrativos foram beneficiadas pelas verbas destinadas à reforma agrária e à reestruturação de assentamentos.
No total, os convênios assinados pelo MDA com essas entidades somam cerca de R$ 589 milhões entre 2003 e 2005. Individualmente, a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag) e suas federações estaduais foram as que obtiveram o maior volume de liberações: R$ 45 milhões. Os sindicatos de trabalhadores rurais receberam R$ 21 milhões.
Entre as entidades ligadas ao MST ou aos movimentos de assentados, o destaque é para a Central de Associações Comunitárias do Assentamento de Rio Bonito do Iguaçu, no Paraná. Essa ONG, que atua em um dos maiores assentamentos do País, foi beneficiada por R$ 17 milhões de empenhos.
Sediada em São Paulo, a Associação Nacional de Cooperação Agrícola (Anca) é o principal braço operacional do MST e recebeu dos cofres federais R$ 2,1 milhões. Se contarmos as associações estaduais que também servem ao movimento, os repasses somam mais R$ 8,2 milhões. Em três anos, o Instituto de Capacitação e Pesquisa em Reforma Agrária, de Veranópolis (RS) - uma espécie de universidade do MST -, já teve R$ 7,8 milhões de empenhos e pelo menos R$ 5 milhões de pagamentos.
O MDA não é o único ministério a repassar verbas para esse tipo de entidade. Os Ministérios da Saúde, da Educação e outros mais têm sido assediados pelos sem-terra.
Por se tratarem de recursos federais, as entidades beneficiadas devem prestar contas sobre a aplicação das verbas de acordo com o plano de gastos apresentado, mas - como se viu recentemente no escândalo das ambulâncias - pode haver irregularidades na comprovação das despesas.
Estadão
700 organizações tiveram verbas para reforma agrária
O governo Lula já repassou, por intermédio do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), mais de R$ 100 milhões às entidades ligadas ao Movimento dos Sem-Terra (MST) e outras organizações do campo. Os dados foram extraídos do Sistema Integrado de Administração Financeira (Siafi) e mostram também que mais de 700 organizações não-governamentais, sindicatos e instituições privadas sem fins lucrativos foram beneficiadas pelas verbas destinadas à reforma agrária e à reestruturação de assentamentos.
No total, os convênios assinados pelo MDA com essas entidades somam cerca de R$ 589 milhões entre 2003 e 2005. Individualmente, a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag) e suas federações estaduais foram as que obtiveram o maior volume de liberações: R$ 45 milhões. Os sindicatos de trabalhadores rurais receberam R$ 21 milhões.
Entre as entidades ligadas ao MST ou aos movimentos de assentados, o destaque é para a Central de Associações Comunitárias do Assentamento de Rio Bonito do Iguaçu, no Paraná. Essa ONG, que atua em um dos maiores assentamentos do País, foi beneficiada por R$ 17 milhões de empenhos.
Sediada em São Paulo, a Associação Nacional de Cooperação Agrícola (Anca) é o principal braço operacional do MST e recebeu dos cofres federais R$ 2,1 milhões. Se contarmos as associações estaduais que também servem ao movimento, os repasses somam mais R$ 8,2 milhões. Em três anos, o Instituto de Capacitação e Pesquisa em Reforma Agrária, de Veranópolis (RS) - uma espécie de universidade do MST -, já teve R$ 7,8 milhões de empenhos e pelo menos R$ 5 milhões de pagamentos.
O MDA não é o único ministério a repassar verbas para esse tipo de entidade. Os Ministérios da Saúde, da Educação e outros mais têm sido assediados pelos sem-terra.
Por se tratarem de recursos federais, as entidades beneficiadas devem prestar contas sobre a aplicação das verbas de acordo com o plano de gastos apresentado, mas - como se viu recentemente no escândalo das ambulâncias - pode haver irregularidades na comprovação das despesas.
Estadão
2.6.06
Lula ameaça oposição
LULA AMEAÇA QUEM ACUSAR SEUS CORRUPTOS
Chantagem: Oposição é colocada contra a parede
Lula colocou a Oposição contra a parede: disse que ninguém terá coragem de exibir na TV imagens com as confissões de corrupção dos membros do seu governo.
Apesar da pesquisa favorável do Ibope, Lula mostrou-se nervoso como nunca se viu. Seu desabafo em Manaus foi impressionante.
Lula disse: "Quero que eles coloquem CPI na televisão todo dia, toda hora. Que coloquem as torturas que fizeram com muita gente lá" acrescentando a informação mentirosa de que foi dele a decisão de vetar o artigo da lei eleitoral que proibia cenas externas, como as das CPIs, na propaganda eleitoral.
À noite, foi desmascarado pela jornalista Cristiana Lobo, da Globo News, que lembrou o verdadeiro motivo do veto: Lula queria garantir a exibição dos atos de inauguração e filmes sobre ele mesmo. A jornalista se declarou surpreendida. Na verdade, o Presidente havia excedido em matéria de desfaçatez e mentira. Quando os jornalistas mostraram estranheza com suas declarações, Lula desqualificou as acusações feitas à antiga direção do PT e a ex-integrantes do governo nas CPIs dos Correios e do Mensalão, já comprovadas pela Polícia Federal e Ministério Público. Disse que tudo não passava de "palavrório”.
Chantagem: Oposição é colocada contra a parede
Lula colocou a Oposição contra a parede: disse que ninguém terá coragem de exibir na TV imagens com as confissões de corrupção dos membros do seu governo.
Apesar da pesquisa favorável do Ibope, Lula mostrou-se nervoso como nunca se viu. Seu desabafo em Manaus foi impressionante.
Lula disse: "Quero que eles coloquem CPI na televisão todo dia, toda hora. Que coloquem as torturas que fizeram com muita gente lá" acrescentando a informação mentirosa de que foi dele a decisão de vetar o artigo da lei eleitoral que proibia cenas externas, como as das CPIs, na propaganda eleitoral.
À noite, foi desmascarado pela jornalista Cristiana Lobo, da Globo News, que lembrou o verdadeiro motivo do veto: Lula queria garantir a exibição dos atos de inauguração e filmes sobre ele mesmo. A jornalista se declarou surpreendida. Na verdade, o Presidente havia excedido em matéria de desfaçatez e mentira. Quando os jornalistas mostraram estranheza com suas declarações, Lula desqualificou as acusações feitas à antiga direção do PT e a ex-integrantes do governo nas CPIs dos Correios e do Mensalão, já comprovadas pela Polícia Federal e Ministério Público. Disse que tudo não passava de "palavrório”.
Cinismo à toda prova
PETISTAS FORAM TORTURADOS PARA ADMITIR CORRUPÇÃO?
Lula negará que PT expulsou Delúbio, perseguiu Silvinho, demitiu Genoíno?
Se a CPI obteve sob tortura as confissões e depoimentos que desmascararam o “mensalão” e o “valerioduto” – como afirma Lula, condenando pobres inocentes indefesos – como se explica que o próprio PT defenestrou sua diretoria, expulsou seu tesoureiro geral, Delúbio Soares; botou para correr seu secretario geral, Silvinho Pereira; obrigou a renunciar seu Presidente Nacional, José Genoíno?
Houve tortura também no PT?
Para evitar essa hipótese, que desmoralizaria, Lula vai dizer que o PT foi induzido ao erro por uma conspiração das CPIs, mas que vai reabilitar todo mundo, a começar pelo ex-Ministro José Dirceu, que voltará ao Palácio do Planalto, se Lula for reeleito.
Quem votar em Lula, está avisado: José Dirceu voltará com ele ao Palácio do Planalto, Marcos Valério voltará a fazer contratos com o Banco do Brasil para distribuir dinheiro aos deputados amigos e pagar o marqueteiro Duda Mendonça, em dólares, no exterior.
Ou seja, tudo o que se sabe sobre os roubos do PT e do Governo Lula é invenção, não aconteceu.
O plano é negar a corrupção e repetir sistematicamente a negação para criar a idéia de que tudo foi um pesadelo. Duda garante que vai dar certo.
Lula negará que PT expulsou Delúbio, perseguiu Silvinho, demitiu Genoíno?
Se a CPI obteve sob tortura as confissões e depoimentos que desmascararam o “mensalão” e o “valerioduto” – como afirma Lula, condenando pobres inocentes indefesos – como se explica que o próprio PT defenestrou sua diretoria, expulsou seu tesoureiro geral, Delúbio Soares; botou para correr seu secretario geral, Silvinho Pereira; obrigou a renunciar seu Presidente Nacional, José Genoíno?
Houve tortura também no PT?
Para evitar essa hipótese, que desmoralizaria, Lula vai dizer que o PT foi induzido ao erro por uma conspiração das CPIs, mas que vai reabilitar todo mundo, a começar pelo ex-Ministro José Dirceu, que voltará ao Palácio do Planalto, se Lula for reeleito.
Quem votar em Lula, está avisado: José Dirceu voltará com ele ao Palácio do Planalto, Marcos Valério voltará a fazer contratos com o Banco do Brasil para distribuir dinheiro aos deputados amigos e pagar o marqueteiro Duda Mendonça, em dólares, no exterior.
Ou seja, tudo o que se sabe sobre os roubos do PT e do Governo Lula é invenção, não aconteceu.
O plano é negar a corrupção e repetir sistematicamente a negação para criar a idéia de que tudo foi um pesadelo. Duda garante que vai dar certo.
1.6.06
A ignorância
'Presidente é homem de Deus e olha pelos pobres'
Gratos ao presidente da Venezuela Hugo Chávez, felizes com a possibilidade de recuperar a visão e também excitados por viajarem pela primeira vez de avião, os pacientes selecionados são idosos e evangélicos em sua grande maioria.Sem noção de onde fica a Venezuela e da razão que levou Chávez a contemplar Abreu e Lima - município de 100 mil habitantes - com o programa humanitário, muitos especulavam. "Acho que é porque o pai do presidente Chávez morava aqui numa rua próxima", arriscou João Cícero de Figueiroa, de 67 anos. "Deixa de ser burro, João", retrucou sua esposa, Lúcia. "Quem mora aqui é o 'irmão' Bolívar."Maria Nazaré Nunes da Costa, de 69 anos, não tinha idéia da localização da Venezuela. "Uns dizem que é para cá, outros dizem que é para lá, eu só sei que é longe e que eu vou", disse. Com seus companheiros, Nazaré acredita que é Deus no céu e Chávez na terra. "É homem de Deus, olha pelos pobres."Simón Bolívar, herói da independência no século 19, é ídolo de Hugo Chávez, que também admira o general Abreu e Lima, pernambucano que foi até Caracas lutar ao lado de Bolívar. Chávez esteve em Abreu e Lima duas vezes.
Estadão
Gratos ao presidente da Venezuela Hugo Chávez, felizes com a possibilidade de recuperar a visão e também excitados por viajarem pela primeira vez de avião, os pacientes selecionados são idosos e evangélicos em sua grande maioria.Sem noção de onde fica a Venezuela e da razão que levou Chávez a contemplar Abreu e Lima - município de 100 mil habitantes - com o programa humanitário, muitos especulavam. "Acho que é porque o pai do presidente Chávez morava aqui numa rua próxima", arriscou João Cícero de Figueiroa, de 67 anos. "Deixa de ser burro, João", retrucou sua esposa, Lúcia. "Quem mora aqui é o 'irmão' Bolívar."Maria Nazaré Nunes da Costa, de 69 anos, não tinha idéia da localização da Venezuela. "Uns dizem que é para cá, outros dizem que é para lá, eu só sei que é longe e que eu vou", disse. Com seus companheiros, Nazaré acredita que é Deus no céu e Chávez na terra. "É homem de Deus, olha pelos pobres."Simón Bolívar, herói da independência no século 19, é ídolo de Hugo Chávez, que também admira o general Abreu e Lima, pernambucano que foi até Caracas lutar ao lado de Bolívar. Chávez esteve em Abreu e Lima duas vezes.
Estadão
Mais de Cháves
Chávez agora patrocina cirurgias
79 pernambucanos viajaram ontem para a Venezuela e serão operados de catarata por entidade que tem parceria cubana
O presidente venezuelano, Hugo Chávez, quem diria, além de ter ganho o título de cidadão honorário do município pernambucano Abreu e Lima, virou agora padrinho de quase uma centena de conterrâneos. Patrocinados pelo governo da Venezuela, 99 moradores da cidade, na região metropolitana do Recife, embarcaram ontem, no Aeroporto dos Guararapes, às 12h40 para Caracas, em um avião fretado.
Setenta e nove deles sofrem de catarata em estágio avançado e irão se submeter a cirurgias oftálmicas. Outras 16 viajaram como acompanhantes, além de uma equipe de quatro pessoas da prefeitura.
Chávez tornou-se cidadão de Abreu e Lima em dezembro, quando também inaugurou os bustos do "libertador" Simón Bolívar e do general Abreu e Lima, no centro da cidade. Em janeiro, ele levou 40 crianças de uma estadual e outra particular para conhecer Caracas.
O embaixador da Venezuela no Brasil, Júlio Garcia Montoya, esteve no embarque e desejou que os pacientes retornem com a visão recuperada, inclusive para assistir aos jogos da Copa do Mundo. Ele reiterou que através do programa humanitário Misión Milagro Internacional, que realiza cirurgias de catarata de graça em pacientes pobres de países latino-americanos, seu país está disposto a atender a todas as prefeituras brasileiras que demonstrem interesse
Segundo ele, a meta do Misión Milagro - uma cooperação entre Venezuela e Cuba - é fazer cirurgias de catarata e epterismo (carnosidades no globo ocular) em 600 mil latino-americanos carentes em um ano e chegar a 6 milhões em dez anos.
REPÚDIO
O acordo foi realizado entre o governo venezuelano e a prefeitura de Abreu e Lima, sem envolver governo federal e estadual, e foi questionado por entidades médicas.
O secretário municipal de Saúde, Ivanildo Cruz, considerou "um presente" a iniciativa venezuelana e afirmou que os pacientes esperavam há muito tempo pelas cirurgias. Para o presidente da Sociedade de Oftalmologia de Pernambuco, Vasco Bravo, o presente é "de grego". "A comunidade oftalmológica repudia a ajuda", afirmou ele, ao considerar um absurdo a viagem para fazer as cirurgias quando elas poderiam ser realizadas no País.
"Estamos perplexos, e como tudo foi feito à revelia dos governos federal e pernambucano, não se sabe como foi feita a triagem dos pacientes, quem irá operá-los e quem se responsabilizará pelo seguimento do tratamento, que dura em média seis meses", disse. Sua preocupação foi compartilhada pelo secretário executivo da Secretaria Estadual de Saúde, João Alexandre. O secretário afirmou que, mesmo com a paralisação no início do ano da campanha do Ministério da Saúde, que habilitou várias clínicas para realização de cirurgias de catarata, o governo estadual tem recursos previstos para cirurgias eletivas, sendo apenas necessária a entrega de projetos dos municípios. Até agora, apenas Jaboatão dos Guararapes fez o dever de casa. Ele lembrou ainda que a Fundação Altino Ventura continua realizando, gratuitamente, 200 cirurgias de catarata por mês.
O prefeito de Abreu e Lima, Flávio Gadelha (sem partido) garantiu que a prefeitura assumirá o pós-operatório em uma clínica particular que fez a seleção dos pacientes e os exames pré-operatórios.
Ivanildo Cruz informou que os médicos são todos venezuelanos e capacitados por Cuba. Os abreulimenses ficarão em Maracay, a cerca de uma hora de Caracas, por oito dias. Se alguém precisar de nova cirurgia, o governo venezuelano arcará com as despesas, segundo o embaixador.
Estadão
79 pernambucanos viajaram ontem para a Venezuela e serão operados de catarata por entidade que tem parceria cubana
O presidente venezuelano, Hugo Chávez, quem diria, além de ter ganho o título de cidadão honorário do município pernambucano Abreu e Lima, virou agora padrinho de quase uma centena de conterrâneos. Patrocinados pelo governo da Venezuela, 99 moradores da cidade, na região metropolitana do Recife, embarcaram ontem, no Aeroporto dos Guararapes, às 12h40 para Caracas, em um avião fretado.
Setenta e nove deles sofrem de catarata em estágio avançado e irão se submeter a cirurgias oftálmicas. Outras 16 viajaram como acompanhantes, além de uma equipe de quatro pessoas da prefeitura.
Chávez tornou-se cidadão de Abreu e Lima em dezembro, quando também inaugurou os bustos do "libertador" Simón Bolívar e do general Abreu e Lima, no centro da cidade. Em janeiro, ele levou 40 crianças de uma estadual e outra particular para conhecer Caracas.
O embaixador da Venezuela no Brasil, Júlio Garcia Montoya, esteve no embarque e desejou que os pacientes retornem com a visão recuperada, inclusive para assistir aos jogos da Copa do Mundo. Ele reiterou que através do programa humanitário Misión Milagro Internacional, que realiza cirurgias de catarata de graça em pacientes pobres de países latino-americanos, seu país está disposto a atender a todas as prefeituras brasileiras que demonstrem interesse
Segundo ele, a meta do Misión Milagro - uma cooperação entre Venezuela e Cuba - é fazer cirurgias de catarata e epterismo (carnosidades no globo ocular) em 600 mil latino-americanos carentes em um ano e chegar a 6 milhões em dez anos.
REPÚDIO
O acordo foi realizado entre o governo venezuelano e a prefeitura de Abreu e Lima, sem envolver governo federal e estadual, e foi questionado por entidades médicas.
O secretário municipal de Saúde, Ivanildo Cruz, considerou "um presente" a iniciativa venezuelana e afirmou que os pacientes esperavam há muito tempo pelas cirurgias. Para o presidente da Sociedade de Oftalmologia de Pernambuco, Vasco Bravo, o presente é "de grego". "A comunidade oftalmológica repudia a ajuda", afirmou ele, ao considerar um absurdo a viagem para fazer as cirurgias quando elas poderiam ser realizadas no País.
"Estamos perplexos, e como tudo foi feito à revelia dos governos federal e pernambucano, não se sabe como foi feita a triagem dos pacientes, quem irá operá-los e quem se responsabilizará pelo seguimento do tratamento, que dura em média seis meses", disse. Sua preocupação foi compartilhada pelo secretário executivo da Secretaria Estadual de Saúde, João Alexandre. O secretário afirmou que, mesmo com a paralisação no início do ano da campanha do Ministério da Saúde, que habilitou várias clínicas para realização de cirurgias de catarata, o governo estadual tem recursos previstos para cirurgias eletivas, sendo apenas necessária a entrega de projetos dos municípios. Até agora, apenas Jaboatão dos Guararapes fez o dever de casa. Ele lembrou ainda que a Fundação Altino Ventura continua realizando, gratuitamente, 200 cirurgias de catarata por mês.
O prefeito de Abreu e Lima, Flávio Gadelha (sem partido) garantiu que a prefeitura assumirá o pós-operatório em uma clínica particular que fez a seleção dos pacientes e os exames pré-operatórios.
Ivanildo Cruz informou que os médicos são todos venezuelanos e capacitados por Cuba. Os abreulimenses ficarão em Maracay, a cerca de uma hora de Caracas, por oito dias. Se alguém precisar de nova cirurgia, o governo venezuelano arcará com as despesas, segundo o embaixador.
Estadão
O salário do voto
Assim como a legislação eleitoral impõe severas limitações às transferências de recursos entre os entes federativos, notadamente da União para Estados e municípios, nos três meses que precedem as eleições nacionais, a Lei de Responsabilidade Fiscal proíbe aumentos de gastos com o funcionalismo nos seis meses finais do mandato dos governantes. Isso explica o que o presidente Lula fez nesta terça-feira, a pouco mais de quatro meses do pleito do qual, sem rubor nas faces, continua afirmando não saber se participará. Por medida provisória e não por projeto de lei, precisamente em razão do calendário, o candidatíssimo à reeleição aumentou os salários de 160 mil servidores de 7 setores do Executivo, com efeitos retroativos em certos casos. Docentes do ensino superior, por exemplo, passam a ganhar 50% mais, em média.
Não vai ficar nisso. O que a imprensa, com toda a razão, imediatamente passou a chamar de "pacote pré-eleitoral de bondades" e o senador pefelista Antonio Carlos Magalhães, de "malandragem" se expandirá até a data fatal de 30 de junho com a edição de 5 novas MPs para beneficiar diversas outras categorias. Em algumas áreas, os aumentos poderão beirar os 30%. Ao todo, terão os seus vencimentos majorados 1,3 milhão de funcionários civis e militares, na ativa ou aposentados. Computados os membros de suas famílias aptos a votar, tem-se um respeitável colégio eleitoral com cuja gratidão Lula decerto conta para liquidar a disputa no primeiro turno de 3 de outubro.
Quando o pacote terminar de ser aberto, o Tesouro passará a arcar com uma despesa adicional de R$ 3,5 bilhões, conforme projeções divulgadas ontem, somados os dispêndios deste e do próximo ano. É bom lembrar que a folha de pagamento da União aumentou 38% de 2003 a 2006. O problema não consiste em saber se os servidores federais ganham pouco ou muito - mesmo porque, conforme se manipular os números, se chegará à conclusão que se queira. Além disso, na desordem dos gastos dos três Poderes com pessoal há de tudo, a começar do fato de que o salário do presidente da República não só nunca chegou a ser o mais alto do funcionalismo, como é uma ridicularia perto do que consta nos mais nutridos contracheques do Judiciário e do Legislativo.
O problema é a flagrante inoportunidade de acertar salários na esfera pública em ano de eleição - e sob pressão de greves. Até ontem eram 8 os setores cujos funcionários cruzaram os braços para ser incluídos no pacotão salarial, entre eles a turma do INSS, para variar, e os auditores da Receita, que infligem pesados prejuízos ao comércio exterior brasileiro, como se vê nos abarrotados depósitos em aeroportos como o de Viracopos e nas quilométricas filas de caminhões no Porto de Paranaguá. O próprio Lula, numa dessas infreqüentes situações em que ele diz o que sabe e sabe o que diz, afirma que "servidor público não faz greve, tira férias" porque, seja qual for o seu desfecho, a paralisação para quem a faz tem invariavelmente custo zero.
Lula, reconheça-se, quer que essas greves deixem de ser férias, regulamentando a questão - embora essa seja uma das promessas que não cumpriu. Quer ainda - e está certo - combater a crônica disparidade de vencimentos na União, onde variam, na média, de quase R$ 12 mil no Ministério Público a R$ 2.700 entre os militares. Sempre em média, um servidor do Legislativo ganha três vezes mais que o do Executivo (militares excluídos). Ocorre, como na questão dos aumentos, que ano eleitoral é a época mais contra-indicada para esse tipo de iniciativa, porque o assunto é um terreno minado. O Planalto quer reduzir gradativamente os imensos desníveis de remuneração, congelando os salários mais nababescos pagos no Legislativo e no Judiciário e elevando aos poucos os do Executivo. Por mais que as contas públicas verguem sob o peso do custeio da máquina pública, mexer nesse vespeiro, em tempo de eleição, é rigorosamente o que diz o economista Raul Velloso - "um perigo".
Segundo o especialista, "todas as vezes que falam em unificação dos cargos e salários, pensam em igualar os salários por cima, pelos maiores vencimentos". Ele aconselha "calma e paciência" ao presidente Lula, para obter a anuência de legisladores e judicadores a um plano de correção das desigualdades mais escabrosas que não produza o efeito perverso de limitar ainda mais a capacidade do Executivo de usar o dinheiro do contribuinte para fins produtivos.
Estadão
Não vai ficar nisso. O que a imprensa, com toda a razão, imediatamente passou a chamar de "pacote pré-eleitoral de bondades" e o senador pefelista Antonio Carlos Magalhães, de "malandragem" se expandirá até a data fatal de 30 de junho com a edição de 5 novas MPs para beneficiar diversas outras categorias. Em algumas áreas, os aumentos poderão beirar os 30%. Ao todo, terão os seus vencimentos majorados 1,3 milhão de funcionários civis e militares, na ativa ou aposentados. Computados os membros de suas famílias aptos a votar, tem-se um respeitável colégio eleitoral com cuja gratidão Lula decerto conta para liquidar a disputa no primeiro turno de 3 de outubro.
Quando o pacote terminar de ser aberto, o Tesouro passará a arcar com uma despesa adicional de R$ 3,5 bilhões, conforme projeções divulgadas ontem, somados os dispêndios deste e do próximo ano. É bom lembrar que a folha de pagamento da União aumentou 38% de 2003 a 2006. O problema não consiste em saber se os servidores federais ganham pouco ou muito - mesmo porque, conforme se manipular os números, se chegará à conclusão que se queira. Além disso, na desordem dos gastos dos três Poderes com pessoal há de tudo, a começar do fato de que o salário do presidente da República não só nunca chegou a ser o mais alto do funcionalismo, como é uma ridicularia perto do que consta nos mais nutridos contracheques do Judiciário e do Legislativo.
O problema é a flagrante inoportunidade de acertar salários na esfera pública em ano de eleição - e sob pressão de greves. Até ontem eram 8 os setores cujos funcionários cruzaram os braços para ser incluídos no pacotão salarial, entre eles a turma do INSS, para variar, e os auditores da Receita, que infligem pesados prejuízos ao comércio exterior brasileiro, como se vê nos abarrotados depósitos em aeroportos como o de Viracopos e nas quilométricas filas de caminhões no Porto de Paranaguá. O próprio Lula, numa dessas infreqüentes situações em que ele diz o que sabe e sabe o que diz, afirma que "servidor público não faz greve, tira férias" porque, seja qual for o seu desfecho, a paralisação para quem a faz tem invariavelmente custo zero.
Lula, reconheça-se, quer que essas greves deixem de ser férias, regulamentando a questão - embora essa seja uma das promessas que não cumpriu. Quer ainda - e está certo - combater a crônica disparidade de vencimentos na União, onde variam, na média, de quase R$ 12 mil no Ministério Público a R$ 2.700 entre os militares. Sempre em média, um servidor do Legislativo ganha três vezes mais que o do Executivo (militares excluídos). Ocorre, como na questão dos aumentos, que ano eleitoral é a época mais contra-indicada para esse tipo de iniciativa, porque o assunto é um terreno minado. O Planalto quer reduzir gradativamente os imensos desníveis de remuneração, congelando os salários mais nababescos pagos no Legislativo e no Judiciário e elevando aos poucos os do Executivo. Por mais que as contas públicas verguem sob o peso do custeio da máquina pública, mexer nesse vespeiro, em tempo de eleição, é rigorosamente o que diz o economista Raul Velloso - "um perigo".
Segundo o especialista, "todas as vezes que falam em unificação dos cargos e salários, pensam em igualar os salários por cima, pelos maiores vencimentos". Ele aconselha "calma e paciência" ao presidente Lula, para obter a anuência de legisladores e judicadores a um plano de correção das desigualdades mais escabrosas que não produza o efeito perverso de limitar ainda mais a capacidade do Executivo de usar o dinheiro do contribuinte para fins produtivos.
Estadão
Lula e Quércia
Lula insinuou que Quércia era ladrão em 1994
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o ex-governador Orestes Quércia (PMDB) trocaram ofensas em 1994, quando ambos disputaram a Presidência. Em fevereiro, Quércia disse que "o candidato da direita é Lula, com seu partido fascista", ao que o petista respondeu dizendo que Quércia usava "métodos semelhantes aos da Gestapo".
Quércia voltou ao ataque: "Lula pertence a um partido que durante o dia finge defender os trabalhadores e à noite bebe uísque com a burguesia". E criticou o petista: "Lula nunca dirigiu nem um carrinho de pipoca". Este retrucou: "É verdade que nunca dirigi um carrinho de pipoca, mas também nunca roubei a pipoca".
Os dois se aproximaram em 98: "O Lula eu respeito e admiro", disse Quércia. Lula retribuiu em 2002: "Até agora não teve nenhuma acusação [contra Quércia] concretizada".
Folha
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o ex-governador Orestes Quércia (PMDB) trocaram ofensas em 1994, quando ambos disputaram a Presidência. Em fevereiro, Quércia disse que "o candidato da direita é Lula, com seu partido fascista", ao que o petista respondeu dizendo que Quércia usava "métodos semelhantes aos da Gestapo".
Quércia voltou ao ataque: "Lula pertence a um partido que durante o dia finge defender os trabalhadores e à noite bebe uísque com a burguesia". E criticou o petista: "Lula nunca dirigiu nem um carrinho de pipoca". Este retrucou: "É verdade que nunca dirigi um carrinho de pipoca, mas também nunca roubei a pipoca".
Os dois se aproximaram em 98: "O Lula eu respeito e admiro", disse Quércia. Lula retribuiu em 2002: "Até agora não teve nenhuma acusação [contra Quércia] concretizada".
Folha
Juros dos aposentados
QUEM FICOU COM OS JUROS DOS APOSENTADOS?
Ato eleitoral do Governo revela três anos do golpe do “crédito consignado”
Durante três anos – a partir de uma “negociação” do então ministro José Dirceu com o Banco BMG, já no esquema do “valerioduto” – os bancos cobraram por volta de 3,14% de juros dos pobres aposentados que tomaram empréstimos com desconto em folha feito pela Previdência Social. Eram juros extorsivos, uma vez que os bancos não correm o menor risco. Depois de uma temporada exclusiva do BMG, sinal de informação privilegiada, os empréstimos com desconto em folha começaram a ser praticados por toda a rede bancária, sempre com juros descabidos.
Quarta-feira – em mais um medida do Governo com fins eleitorais – o Governo anunciou o tabelamento dos juros desses empréstimos, agora fixados em 2,9%. Os aposentados pagam 38,74% de juros ao ano. Ou seja, se pedem R$ 1 mil de empréstimo, pagam mais um terço desse valor ao ano.
Lula, quando anunciou o empréstimo consignado, disse que se tratava de um ato de libertação dos aposentados e trabalhadores. Quem tomou esse empréstimo, porém, desequilibrou suas finanças e está pendurado nos agiotas.
A decisão de tabelar os juros dos empréstimos consignados é uma confissão do golpe aplicado nos aposentados e da negociata que beneficiou os arrecadadores do PT.
Ato eleitoral do Governo revela três anos do golpe do “crédito consignado”
Durante três anos – a partir de uma “negociação” do então ministro José Dirceu com o Banco BMG, já no esquema do “valerioduto” – os bancos cobraram por volta de 3,14% de juros dos pobres aposentados que tomaram empréstimos com desconto em folha feito pela Previdência Social. Eram juros extorsivos, uma vez que os bancos não correm o menor risco. Depois de uma temporada exclusiva do BMG, sinal de informação privilegiada, os empréstimos com desconto em folha começaram a ser praticados por toda a rede bancária, sempre com juros descabidos.
Quarta-feira – em mais um medida do Governo com fins eleitorais – o Governo anunciou o tabelamento dos juros desses empréstimos, agora fixados em 2,9%. Os aposentados pagam 38,74% de juros ao ano. Ou seja, se pedem R$ 1 mil de empréstimo, pagam mais um terço desse valor ao ano.
Lula, quando anunciou o empréstimo consignado, disse que se tratava de um ato de libertação dos aposentados e trabalhadores. Quem tomou esse empréstimo, porém, desequilibrou suas finanças e está pendurado nos agiotas.
A decisão de tabelar os juros dos empréstimos consignados é uma confissão do golpe aplicado nos aposentados e da negociata que beneficiou os arrecadadores do PT.
Embaixadora, Kroll e Planalto
Ex-embaixadora levou Kroll ao Planalto
Donna Hrinak, dos EUA, intermediou encontros do fundador da empresa de espionagem com Thomaz Bastos e Dirceu
Assessoria do Ministério da Justiça confirmou a reunião com executivo; segundo a pasta, foi discutida a ação da PF contra a companhia
Pouco tempo depois de deixar a diplomacia americana, a ex-embaixadora dos Estados Unidos no Brasil Donna Hrinak intermediou encontros entre executivos da Kroll e autoridades brasileiras.
No final de 2004, Hrinak levou Jules Kroll, fundador da empresa de espionagem, a um encontro com os ministros Márcio Thomaz Bastos (Justiça) e José Dirceu (Casa Civil) no Palácio do Planalto. A ex-embaixadora teria apresentado também o ex-diretor da Kroll Frank Holder ao senador Romeu Tuma (PFL-SP).
Hrinak se aposentou em junho de 2004. Em setembro daquele ano, a Polícia Federal deflagrou a Operação Chacal, tendo a Kroll como alvo por ter investigado autoridades brasileiras supostamente a mando do Opportunity, de Daniel Dantas.
Ao deixar a embaixada, Hrinak se tornou alta executiva da empresa Steel Hector & Davis, especializada em aproximar a iniciativa privada de governos. A Steel Hector havia sido contratada pela Kroll. Pouco tempo após a Operação Chacal ter sido veiculada na imprensa, Hrinak levou Jules a Thomaz Bastos e Dirceu.
A assessoria do Ministério da Justiça confirmou a reunião. Informou que Jules deu sua visão sobre o caso e reclamou da ação da PF contra sua empresa, a qual considerou inapropriada. De acordo com o ministério, Bastos teria dito a Jules para que ele entrasse com uma representação contra o governo caso se sentisse prejudicado.
Romeu Tuma também confirmou ter sido procurado, em seu gabinete no Congresso, por Hrinak, acompanhada de Frank Holder. Segundo o senador, ela pedira para que ouvisse as explicações de Holder sobre as ações da Kroll no país. Holder teria lhe dito que a Kroll não teria investigado autoridades brasileiras.
Contradição
A reportagem entrou em contato por telefone com Hrinak, nos EUA, duas vezes. Na primeira, perguntou se ela teria levado Holder ao gabinete de Tuma e a Thomaz Bastos. Ela negou as duas coisas.
Disse que nunca tivera contato com Holder no Brasil, que apenas o havia encontrado duas vezes em seminários nos Estados Unidos. Nada mencionou sobre o encontro entre Jules Kroll, Thomaz Bastos e Dirceu no Planalto.
A Folha voltou ao senador, dizendo que Hrinak havia negado o encontro em seu gabinete na companhia de Holder. Ele reafirmou o que dissera e acrescentou que tinha uma testemunha, o delegado da PF aposentado Marco Antonio Cavaleiro. "Eu a recebi com muito prazer, tenho muito respeito por ela. Não sei por que ela está negando, o encontro não era segredo nem reservado", disse Tuma.
Na segunda ligação a Hrinak, a reportagem lhe informou que a assessoria do Ministério da Justiça confirmara o encontro dela com Thomaz Bastos e Dirceu, mas não na companhia de Holder e sim na de Jules Kroll. Ela confirmou, então, a reunião, mas continuou negando o encontro com Holder e Tuma.
Folha
Donna Hrinak, dos EUA, intermediou encontros do fundador da empresa de espionagem com Thomaz Bastos e Dirceu
Assessoria do Ministério da Justiça confirmou a reunião com executivo; segundo a pasta, foi discutida a ação da PF contra a companhia
Pouco tempo depois de deixar a diplomacia americana, a ex-embaixadora dos Estados Unidos no Brasil Donna Hrinak intermediou encontros entre executivos da Kroll e autoridades brasileiras.
No final de 2004, Hrinak levou Jules Kroll, fundador da empresa de espionagem, a um encontro com os ministros Márcio Thomaz Bastos (Justiça) e José Dirceu (Casa Civil) no Palácio do Planalto. A ex-embaixadora teria apresentado também o ex-diretor da Kroll Frank Holder ao senador Romeu Tuma (PFL-SP).
Hrinak se aposentou em junho de 2004. Em setembro daquele ano, a Polícia Federal deflagrou a Operação Chacal, tendo a Kroll como alvo por ter investigado autoridades brasileiras supostamente a mando do Opportunity, de Daniel Dantas.
Ao deixar a embaixada, Hrinak se tornou alta executiva da empresa Steel Hector & Davis, especializada em aproximar a iniciativa privada de governos. A Steel Hector havia sido contratada pela Kroll. Pouco tempo após a Operação Chacal ter sido veiculada na imprensa, Hrinak levou Jules a Thomaz Bastos e Dirceu.
A assessoria do Ministério da Justiça confirmou a reunião. Informou que Jules deu sua visão sobre o caso e reclamou da ação da PF contra sua empresa, a qual considerou inapropriada. De acordo com o ministério, Bastos teria dito a Jules para que ele entrasse com uma representação contra o governo caso se sentisse prejudicado.
Romeu Tuma também confirmou ter sido procurado, em seu gabinete no Congresso, por Hrinak, acompanhada de Frank Holder. Segundo o senador, ela pedira para que ouvisse as explicações de Holder sobre as ações da Kroll no país. Holder teria lhe dito que a Kroll não teria investigado autoridades brasileiras.
Contradição
A reportagem entrou em contato por telefone com Hrinak, nos EUA, duas vezes. Na primeira, perguntou se ela teria levado Holder ao gabinete de Tuma e a Thomaz Bastos. Ela negou as duas coisas.
Disse que nunca tivera contato com Holder no Brasil, que apenas o havia encontrado duas vezes em seminários nos Estados Unidos. Nada mencionou sobre o encontro entre Jules Kroll, Thomaz Bastos e Dirceu no Planalto.
A Folha voltou ao senador, dizendo que Hrinak havia negado o encontro em seu gabinete na companhia de Holder. Ele reafirmou o que dissera e acrescentou que tinha uma testemunha, o delegado da PF aposentado Marco Antonio Cavaleiro. "Eu a recebi com muito prazer, tenho muito respeito por ela. Não sei por que ela está negando, o encontro não era segredo nem reservado", disse Tuma.
Na segunda ligação a Hrinak, a reportagem lhe informou que a assessoria do Ministério da Justiça confirmara o encontro dela com Thomaz Bastos e Dirceu, mas não na companhia de Holder e sim na de Jules Kroll. Ela confirmou, então, a reunião, mas continuou negando o encontro com Holder e Tuma.
Folha
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