28.3.08

O nome é Erenice!

Braço direito de Dilma fez dossiê contra família FHC

Ordem para reunir dados sigilosos partiu de secretária-executiva da Casa Civil

Erenice Guerra nega ter se reunido com secretários do ministério para discutir "levantamento de dados de suprimento de fundos"


Partiu da secretária-executiva da Casa Civil, braço direito da ministra Dilma Rousseff, a ordem para a organização de um dossiê com todas as despesas realizadas pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, sua mulher Ruth e ministros da gestão tucana a partir de 1998. O banco de dados montado a pedido de Erenice Alves Guerra é paralelo ao Suprim, o sistema oficial de controle de despesas com suprimentos de fundos do governo.
O governo nega tratar-se de um dossiê. A interlocutores Erenice se responsabiliza pela decisão de organizar processos de despesas de FHC, isentando a chefe de ter tomado a decisão. Ela é conhecida como "faz-tudo" de Dilma, sendo a funcionária mais próxima da ministra que Luiz Inácio Lula da Silva vê como presidenciável para 2010.
Quando o trabalho começou a ser feito, corriam as negociações no Congresso para investigar gastos com cartões corporativos do presidente Lula. Por pressão de governistas, as investigações recuariam ao período de governo tucano. O banco de dados avançara sobre parte do material guardado no arquivo morto, num dos prédios anexos do Planalto.
Um dos relatórios produzidos na Casa Civil, a que a Folha teve acesso, mostra que os dados foram organizados de forma diversa do Suprim (Sistema de Controle de Suprimento de Fundos), que tem os registros dos gastos do período Lula.
Com 13 páginas, o documento registra detalhes, fora da ordem cronológica, de diversos gastos, com ênfase nos feitos pela ex-primeira-dama Ruth e naqueles que envolvem bebidas e itens como lixas de unha.
Na primeira semana após o Carnaval, segundo a Folha apurou, Erenice marcou reunião no Planalto com membros da Secretaria de Administração, da Secretaria de Controle Interno da Presidência e de outras áreas da Casa Civil.
Solicitou que fossem cedidos funcionários de cada área para que se criasse uma força-tarefa encarregada de desarquivar documentos referentes aos gastos do governo anterior a partir da rubrica suprimento de fundos, que inclui cartões corporativos e contas "tipo B" (despesa justificada por nota depois de o servidor receber uma determinada verba).
A Folha apurou que Erenice justificou a empreitada aos subordinados alegando ser preciso fazer o levantamento para atender a eventuais demandas da CPI dos Cartões e destacou sua chefe-de-gabinete, Maria de La Soledad Castrillo, para coordenar os trabalhos.
Por meio de sua assessoria, Erenice negou que tivesse tido reunião com os secretários de Controle Interno e da Secretaria de Administração e Diretoria de Logística, "para discutir qualquer tipo de assunto referente a levantamento de dados de suprimento de fundos".
Mas confirmou que a Casa Civil está alimentando banco de dados com informações do suprimento de fundos entre 1998 e 2002 e admitiu que a gestão da base de dados é da Secretaria de Administração e o trabalho envolve áreas de Tecnologia da Informação, Orçamento e Finanças e Logística.
A seleção e a organização de despesas do governo FHC durou um mês e meio, até os primeiros lançamentos das despesas no Suprim -que seria o destino das informações. Com a publicação da última edição da revista "Veja", em que trechos do relatório com 13 páginas a que a Folha teve acesso ontem foram divulgados, os dados passaram a ser digitados diretamente no Suprim.
Por isso a Casa Civil afirma que as informações "vazadas" à imprensa seriam fragmentos de relatórios de gastos ainda em fase de digitação.
Folha

24.3.08

Um dossiê feito para chantagear

Para intimidar a oposição, o Planalto usa documentos com informações sigilosas sobre as despesas do ex-presidente FHC

Claus Meyer/TIBA

A CPI que investiga o uso dos cartões corporativos do governo começou a ouvir depoimentos na semana passada num falso clima de cordialidade. Comandada pelo PT e pelo PSDB, a comissão não analisou os pedidos de quebra de sigilo nem os requerimentos de convocação de ministros, mas chamou atenção pelo tom desafiador de algumas declarações de representantes do governo. O ministro Jorge Hage, chefe da Controladoria-Geral da União, depois de minimizar a importância das denúncias investigadas, disse aos parlamentares que "é possível que surjam coisas mais graves do que as que já foram descobertas até agora". O quê? Ele não revelou. Mais explícito, o ministro Paulo Bernardo, do Planejamento, sugeriu que a comissão se dedicasse ao exame das chamadas contas tipo B, um fundo de despesas que antecedeu a criação dos cartões. Por quê? Ele também não revelou. Os dois ministros do governo Lula, na verdade, foram usados como porta-vozes de uma tentativa de intimidação. O Palácio do Planalto mandou fazer um dossiê sobre os gastos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso em seus últimos cinco anos de governo – e ameaça divulgá-lo para tentar constranger os oposicionistas que insistem em investigar o presidente Lula.

VEJA teve acesso a parte do dossiê. Elaborado com base em dados considerados sigilosos pelo próprio governo, o material reúne detalhes das despesas do ex-presidente Fernando Henrique, de sua mulher, Ruth Cardoso, e de assessores próximos nos anos de 1998, 2000 e 2001 nas chamadas contas tipo B – aquelas a que o ministro Paulo Bernardo se referiu. O documento lista centenas de compras realizadas pelo gabinete do ex-presidente, desce a insignificâncias, como pagamento de gorjetas e aquisição de material de higiene pessoal, e faz insinuações potencialmente graves, se verídicas, sobre a mistura de recursos públicos com despesas de campanha eleitoral. Estão também discriminados compras de bebidas, alimentos e aluguel de carros. As planilhas ainda revelam as iniciais de quatro agentes da Agência Brasileira de Inteligência (JCS, PSWR, SLCC e JCSB), seus CPFs e os valores que eles sacaram em dinheiro, 1,6 milhão de reais em 2002, usando as chamadas "despesas secretas". Uma simples consulta ao site da Receita Federal permite a identificação dos agentes. Os autores do dossiê queriam mostrar que no governo passado também houve abuso nos gastos secretos.

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ARMAÇÃO OFICIAL
O dossiê lista centenas de compras realizadas principalmente no segundo mandato do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Elaborado dentro do Palácio do Planalto, detalha gastos pessoais da família presidencial – informações consideradas pelo próprio governo como sigilosas. A intenção é mostrar que o governo Lula não inovou ao usar os cartões corporativos para quitar despesas como bebidas caras, hotéis de luxo e produtos de higiene. O documento sugere que houve promiscuidade entre o dinheiro público e a campanha eleitoral dos tucanos (à esq.), e foi usado por governistas para mandar recados aos adversários (á dir.).


Fotos Alejandro Pagni/AFP e Paulo Vitale
Lula e Fernando Henrique: os gastos do atual presidente são mantidos em sigilo, mas os de FHC foram parar no Congresso

É grave saber que informações de estado, algumas sigilosas por lei, estão sendo usadas para chantagear políticos de oposição. Mais grave ainda saber que a estrutura funcional do estado está sendo utilizada para montar um dossiê contra adversários – e, o que é mais espantoso, dentro do Palácio do Planalto, na vizinhança do gabinete do presidente Lula. Com o início da crise dos cartões, um grupo de funcionários da Casa Civil da Presidência da República se debruçou, durante semanas, sobre uma imensa pilha de processos, notas fiscais e relatórios de viagem. Oficialmente, fazia um levantamento administrativo de rotina sobre todas as despesas realizadas pelo gabinete do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Extra-oficialmente, a missão tinha outro objetivo: juntar material para ser usado, se necessário, numa operação para neutralizar a ação dos parlamentares da oposição no Congresso. Milhares de transações de 1998 a 2002 foram analisadas, e separadas apenas as que continham despesas pessoais do presidente, da primeira-dama e de seus auxiliares mais próximos. Todas foram selecionadas em uma planilha que identifica o número do processo, o servidor que efetuou a despesa, a empresa beneficiada, a data de execução e o número da nota fiscal referente ao desembolso. Além de listar valores, o documento descreve o serviço e o beneficiário do gasto.

O dossiê construído dentro do Palácio do Planalto, usado pelos assessores do presidente na CPI em tom de ameaça e vazado pelos petistas como estratégia de intimidação, contém informações consideradas sigilosas e iguais às que o governo Lula briga para manter longe dos olhos da opinião pública. De um universo de gastos de 408 milhões de reais, os funcionários do Planalto pinçaram 295 transações em três anos, num total de 612.000 reais. A ex-primeira-dama Ruth Cardoso é mencionada 23 vezes como beneficiária de despesas com locação de carros, hospedagem em hotéis, compra de ingressos para peças de teatro no exterior e até como ordenadora da compra de um porta-retratos, no valor de 100 dólares, para presentear um oficial da Colômbia designado para acompanhá-la durante visita ao país. Gastos com vinhos importados, champanhes franceses, carnes raras e até caviar foram compilados da documentação armazenada na Presidência da República e reproduzidos no dossiê. O levantamento tem o objetivo de mostrar que a equipe do presidente Lula não inovou ao usar as contas tipo B e os cartões corporativos para bancar despesas exóticas. Seus autores chegam a insinuar que dinheiro público usado para a compra de garrafas de champanhe teria sido desviado para a campanha eleitoral que reelegeu FHC em 1998.

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Foto: Nilton Fukuda/AE
O ex-ministro Aloysio Nunes Ferreira é personagem oculto de uma nota publicada nos jornais por meio da qual o governo pretendia mandar recados à oposição: ele diz que viajou a trabalho

Produzido com base em dados disponíveis na Secretaria de Controle Interno da Presidência da República, órgão responsável pela fiscalização dos gastos palacianos e subordinado à ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, o dossiê começou a circular parcialmente pelo Congresso Nacional em meados do mês passado, logo após o deputado Carlos Sampaio, do PSDB de São Paulo, anunciar que tinha em mãos as assinaturas suficientes para a criação da CPI dos Cartões. Os tucanos dizem ter tomado conhecimento da existência do documento apenas na semana passada, embora admitam que muitas das informações contidas nele já vinham sendo divulgadas de maneira cifrada.

Foi dentro desse clima de intimidação que a CPI dos Cartões foi criada e começou a funcionar. Um fato: o discurso oposicionista que levou à instalação da comissão foi se abrandando à medida que o governo mandava sinais de que tinha munição contra políticos que integraram o governo FHC. No início de fevereiro, em um acordo de bastidores que acabou se tornando público, emissários do PSDB e do PT combinaram que a CPI seria instalada, mas pouparia os gastos pessoais de Lula, FHC e seus familiares e também dos principais dirigentes dos dois partidos. O acerto previu também a divisão dos principais cargos da comissão. A senadora tucana Marisa Serrano, com o aval dos petistas, ficou com a presidência e o deputado petista Luiz Sérgio, com o aval dos tucanos, garantiu a relatoria.

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Foto: Bruno Miranda/Folha Imagem
Os gastos da ex-primeira-dama Ruth Cardoso aparecem em destaque no dossiê. São 23 referências a despesas com aluguel de veículos, hospedagem, bilhetes para peças de teatro no exterior e presente oficial

A disputa subterrânea entre PT e PSDB pela abrangência das investigações, no entanto, continuou intensa, com parlamentares da oposição ameaçando não cumprir o acordo. Críticas às dificuldades criadas pelo governo para investigar passaram a ser imediatamente respondidas por petistas que invocavam a divulgação das contas tipo B. A guerra nos bastidores ganhou, por fim, as páginas dos jornais. Algumas notas publicadas apresentam uma incrível simetria com as informações do dossiê produzido dentro do Planalto. Uma delas informou, em 15 de fevereiro, que o governo armazenava dados sobre gastos na gestão de FHC. Dizia também que um ministro tucano costumava passar os fins de semana no Rio de Janeiro e que sua fatura incluía a hospedagem em um hotel de luxo. A nota terminava reproduzindo a declaração de um líder do governo no Congresso, mantido sob anonimato. "Se abrir esse baú, a Matilde (ex-ministra que perdeu o cargo por fazer compras em um free shop com o cartão do governo) vira uma freira franciscana." Analisando o dossiê, descobre-se que o ministro em questão pode ser Aloysio Nunes Ferreira, que ocupou a Pasta da Justiça durante o governo de FHC. No dia 17 de maio de 2001, ele ficou hospedado no Hotel Copacabana Palace, no Rio de Janeiro. A fatura custou 1.231 reais, segundo o dossiê. "Essa concepção detetivesca é vil. Estive no Rio a trabalho e, de fato, fiquei hospedado no Copacabana Palace. Se havia alguma irregularidade, em vez de produzir um dossiê, o governo deveria ter encaminhado o caso para o Ministério Público", afirma Nunes Ferreira.

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A nota relata que o petista Pepe Vargas quer investigar os gastos com a compra de vinhos durante o governo FHC. Coincidência: o dossiê fala de vinhos

Em entrevista a VEJA, o ex-presidente Fernando Henrique disse que já sabia que as contas de seu governo vinham sendo bisbilhotadas no Palácio do Planalto, mas que só foi informado da existência do dossiê na semana passada, ainda assim por comentários de alguns aliados. "Isso é um absurdo. É uma chantagem feita a partir do Palácio do Planalto. Uma tentativa de intimidar e de desmoralizar que eu nunca vi em um regime democrático", afirma Fernando Henrique. O líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio, também se mostrou indignado com a produção do dossiê oficial. "Informações sobre as contas do governo passado circulavam no Congresso na base da fumaça. Era uma coisa nojenta, chantagista, mas nunca imaginamos que chegariam ao ponto de produzir um dossiê com base em dados que o próprio governo considera secretos", diz Virgílio. Em nota, a Casa Civil informa que os gastos da Presidência são sistematicamente auditados pela Secretaria de Controle Interno e que as eventuais irregularidades são sanadas e encaminhadas ao Tribunal de Contas da União.


Nabor Goulart/AE
Dilma Rousseff, da Casa Civil, informou que os gastos da Presidência são auditados, inclusive os do governo passado

A produção de dossiês para intimidar e chantagear adversários políticos não é uma novidade na política brasileira, muito menos em sua fração petista. Na última eleição presidencial, um membro do comitê de campanha do presidente Lula foi preso tentando comprar um dossiê fajuto com o qual o PT pretendia constranger José Serra, então candidato à Presidência da República. Ninguém foi punido até hoje, mas a investigação revelou que a trama foi planejada e executada com o conhecimento, a participação e o aval da cúpula de campanha do presidente Lula. No topo da cadeia de comando estava o presidente do PT, Ricardo Berzoini, que chegou a ser afastado do cargo, mas nem sequer foi indiciado pela polícia. Na ocasião, o presidente Lula reprovou a ação dos companheiros publicamente, chamando-os de "aloprados". O dossiê dos gastos guarda uma série de semelhanças com a armação da campanha eleitoral, mas tem uma grande diferença: a ação de 2006 foi executada por pessoas próximas ao presidente. A de agora foi produzida dentro do Palácio do Planalto. O que os aloprados de hoje não entendem é que, por uma questão de simetria político-jurídica, a divulgação dos gastos secretos do então presidente Fernando Henrique Cardoso implica necessariamente a divulgação dos gastos secretos do atual presidente, Lula. Popularmente, isso tem um nome: tiro pela culatra.


Dida Sampaio/AE
Lula Marques/Folha Imagem
Ricardo Berzoini chefiava a campanha de Lula quando seus subordinados foram presos comprando um dossiê contra José Serra Hamilton Lacerda, um dos "aloprados", foi filmado carregando uma mala de dinheiro, mas ainda assim negou seu envolvimento


Celso Junior/AE
Dida Sampaio/AE
Gedimar Passos foi preso com dólares e reais para comprar o dossiê contra os tucanos: ele envolveu o Planalto e, depois, disse que foi coagido Jorge Lorenzetti, conhecido como o churrasqueiro do presidente Lula, era um dos coordenadores da campanha e também da operação de 2006

15.3.08

Terror premiado

Vítima da guerrilha recebe um terço do que o governo paga ao terrorista que o mutilou


Alexandre Oltramari

Robson Fernandjes/AE
Lovecchio Filho perdeu a perna com a explosão: "Só quero justiça"

O Brasil continua vivendo o paradoxo de premiar quem deveria ser punido e punir quem deveria ser premiado. Em 1968, Orlando Lovecchio Filho, então com 22 anos, foi vítima de um ato terrorista. Uma bomba detonada por militantes da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), um grupo terrorista de esquerda, dilacerou uma de suas pernas, que teve de ser amputada. A ação tinha como alvo o consulado americano em São Paulo. Mutilado, Lovecchio, a vítima, teve de abandonar o sonho de se tornar piloto comercial e, há quatro anos, passou a receber do INSS uma pensão por invalidez no valor de 571 reais. Na semana passada, o colunista Elio Gaspari, dos jornais O Globo e Folha de S.Paulo, revelou que o destino, ou melhor, o estado brasileiro foi bem mais generoso com um outro personagem da história. Diógenes Carvalho Oliveira, o autor do atentado, recebeu do governo federal a confirmação de sua aposentadoria como vítima da repressão durante o governo militar. Além de uma pensão vitalícia de 1 627 reais, Diógenes vai embolsar 400 000 reais referentes a pagamentos atrasados. Um prêmio, sem dúvida, ao absurdo.

Depois do atentado, Diógenes ainda participou de cursos de treinamento em explosivos em Cuba, atacou quartéis do Exército e esteve envolvido na execução de um americano considerado suspeito. Preso, ele foi torturado pelos agentes do governo e, depois, libertado em troca do cônsul do Japão em São Paulo, que havia sido seqüestrado pela guerrilha. O terrorista fugiu para o México, viveu na Europa e passou três anos na África. De volta ao Brasil, foi filiado ao PT até sua voz aparecer em uma gravação na qual pedia ao chefe da polícia do Rio Grande do Sul que aliviasse a repressão aos bicheiros gaúchos. Desde 2002, existe uma lei que garante aos anistiados políticos uma reparação financeira por eventuais danos ou abusos cometidos pela ditadura militar. Por mais absurdo que isso possa parecer, portanto, a indenização paga pelo governo a Diógenes Oliveira, o terrorista que matou e mutilou um inocente, é perfeitamente legal, embora possa ser considerada injusta.

Zero Hora
Diógenes Oliveira, autor do atentado terrorista: a lei nem sempre é justa

Lovecchio Filho, a vítima que foi mutilada, teve de abandonar o curso de piloto, estudou administração, montou uma empresa e faliu quando Fernando Collor confiscou a poupança. Hoje, separado e pai de um filho, trabalha como corretor de imóveis no litoral paulista. Ao saber do prêmio dado ao terrorista, ele apenas lamentou e disse que já escreveu três cartas ao presidente Lula para pedir que seja criada uma lei que garanta os mesmos benefícios às vítimas da guerrilha. "Não quero vantagem nenhuma. Só igualdade e justiça", diz ele. As cartas nunca foram respondidas.

1.3.08

A caixa-preta dos comunistas

Principal programa social do Ministério do Esporte, o Segundo Tempo é alvo de denúncias de desvio de dinheiro através de ONGs ligadas ao PCdoB


Ricardo Brito


Fabio Motta/AE e Claudio/Zero Hora
O ministro Orlando Silva e as crianças atendidas pelo Segundo Tempo: ONGs escolhidas sem critério, alunos-fantasma e até monitor acusado de pedofilia

O Ministério do Esporte coordena um dos programas mais bem-intencionados do governo Lula. Nos últimos cinco anos, 439 milhões de reais foram investidos no Segundo Tempo – um projeto que busca tirar das ruas crianças e jovens em situação de risco, oferecendo atividades esportivas e alimentação. Oficialmente, o programa atende 1 milhão de pessoas em todos os estados. Para implementar as ações e garantir a execução do projeto, o ministério selecionou 200 entidades filantrópicas sem fins lucrativos, as conhecidas organizações não-governamentais (ONGs). Uma bela parceria entre setores da sociedade, se a esperteza política e os aproveitadores de sempre não se unissem à empreitada. O resultado é que, além dos jovens, o programa Segundo Tempo tem ajudado também comunistas e amigos do PCdoB, o partido que comanda o Ministério do Esporte, a encher os bolsos de dinheiro. Sem controle ou nenhuma fiscalização, ONGs escolhidas a dedo receberam repasses milionários, simularam a criação de núcleos de treinamento, registraram alunos-fantasma, fraudaram as prestações de contas e surrupiaram parte dos recursos que deveriam ajudar crianças carentes.

VEJA teve acesso ao resultado de uma investigação realizada pela polícia de Brasília, e encaminhada à CPI das ONGs, no Senado, sobre a atuação de algumas entidades que receberam milhões para executar o Segundo Tempo. É uma amostra singular da farra em que se transformaram as chamadas parcerias do governo com o terceiro setor. O Ministério Público também investiga casos de entidades que receberam recursos e nem sequer existiam. Outras usavam falsos cadastros de alunos para fazer de conta que realizavam o trabalho. Apenas quatro entidades da periferia de Brasília – Associação João Dias de Kung Fu, Federação Brasiliense de Kung Fu, Associação dos Funcionários do Ceub e Associação Gomes de Matos – receberam 4,7 milhões de reais do Ministério do Esporte. Depoimentos colhidos de funcionários e ex-funcionários mostram como o dinheiro era desviado. Os donos das ONGs orientavam seus monitores a percorrer escolas públicas e colher assinaturas de estudantes para simular uma lista de freqüência nos cursos que não existiam. Recebiam o dinheiro, com--pravam notas fiscais frias para justificar as despesas e embolsavam a diferença – quase tudo. Além das histórias de fraude em comum, há mais um detalhe curioso que une as ONGs selecionadas pelo Ministério do Esporte em Brasília: elas são comandadas por pessoas ligadas ao PCdoB ou a militantes do partido. Coincidência? Talvez, mas improvável.


Antonio Cruz e U Marcelino/BG Press
O ex-ministro Agnelo Queiroz (à dir.) e o senador Inácio Arruda: camaradagem com as ONGs amigas e dificuldade para investigar

A suspeita é que uma parte do dinheiro desviado pelas ONGs, além de enriquecer alguns, ainda seja usada para abastecer campanhas políticas dos comunistas. Em Brasília, para onde foram destinados 71 milhões de reais do Segundo Tempo, donos de entidades se converteram ao comunismo depois de assinar os convênios com o ministério e alguns até disputaram eleições representando o PCdoB. Não por coincidência, logo no início, quando começaram as fraudes, o ministro encarregado do programa era Agnelo Queiroz, do PCdoB, que tem a capital como base eleitoral. As ONGs brasilienses, à época, receberam mais dinheiro que quaisquer outras no Brasil, apesar de a cidade registrar indicadores sociais invejáveis. Agnelo deixou o ministério para concorrer a uma vaga no Senado, sempre contando com o apoio camarada dos donos das ONGs milionárias. Em 2006, o ministro não foi eleito, e em seu lugar assumiu Orlando Silva, também do PCdoB, que redistribuiu os recursos, dessa vez privilegiando São Paulo, talvez por coincidência sua base eleitoral.

Orlando Silva admite que não havia critérios objetivos para escolher as ONGs e que também eram frágeis os mecanismos de controle sobre a destinação dos recursos e a execução do programa. A falta de fiscalização provocou situações absurdas, como a contratação de um acusado de pedofilia como monitor de crianças na periferia de Brasília. "Não podemos criminalizar as ONGs. Só que, para segurança do estado, é melhor firmar parcerias com os governos e estamos fazendo isso", explica o ministro. O problema é que uma boa parte dos recursos públicos destinados às crianças do Segundo Tempo já foi expropriada, o Ministério do Esporte não tem a mínima idéia de onde foi parar o dinheiro e, ao que parece, também não tem muita disposição em descobrir. Até agora, apenas uma denúncia que se tornou pública foi encaminhada à Controladoria-Geral da União para apuração. Membros da CPI das ONGs reclamam que, além da má vontade do ministério, há enorme dificuldade em investigar o programa Segundo Tempo no Congresso. "O senador Inácio Arruda, relator da comissão, foi indicado ao cargo para blindar os comunistas", diz o senador Alvaro Dias, do PSDB. Inácio Arruda, do PCdoB do Ceará, rebate: "É um escárnio. Não vou nem comentar".

17.2.08

O DRAMA DA PETROBRÁS

Waldo Luís Viana*

Pouca gente sabe, mas já fui empregado da Petrobrás. Não terceirizado, mas por concurso. E pedi demissão, dez meses depois, sendo entrevistado por quatro psicólogas que, naturalmente, me olhavam atônitas. Saí, porque queria completar o curso de Economia na Gama Filho, chegava em casa à meia-noite, atravessando toda a cidade, do bairro de Piedade ao Leme, jantava, dormia de madrugada e acordava às seis e trinta da manhã para estar às oito no Edifício-sede.

Em minha época, 1976, não havia auxílio-refeição, vale-transporte, nem nada. Era só o salário-seco, mais auxílio-periculosidade (para subir e descer de elevador) e cartão de ponto. Ah, como detesto cartão de ponto, mas agradeço a Deus, porque foi o pavor dele que me fez poeta: “sou um homem que vive nos interlúdios concedidos pelo relógio de ponto...” – dizia nos versos trôpegos da mocidade...

Queria ser escritor – imagina?, no Brasil de Paulo Coelho e José Sarney – e as psicólogas me perguntavam, sofridas, o motivo de eu querer ir embora. Sem muita paciência – já tinha pavio curto naquela época – redargüi: “quero ver o sol nascer...”. Elas não entenderam nada, tadinhas, mas eu chegava em casa tarde, saía cedo e não via o sol subir no horizonte. Coisa de poeta.

Fui posto no serviço de pessoal da empresa e era tão bom datilógrafo que me puseram para compulsar documentos sigilosos sobre a empresa. Impressionou-me a quantidade de internações psiquiátricas entre os petroleiros, mas isso não podia comentar com ninguém. Internavam-me em sala sem janela e fui dos únicos datilógrafos a utilizar máquinas elétricas com pedais, já extintas, para confeccionar tabelas de relatórios “top-secret” para a diretoria. Minha curiosidade era imensa e, como era muito rápido, lia tudo e anotava os detalhes escabrosos num bloquinho. Tudo isso eu já destruí, mas de memória, na época, o maior número de internamentos eram os do serviço de contabilidade. Fora a incidência de alcoolismo que era muito grande no geral. Segredo tão ou melhor guardado do que o da Igreja Católica em relação ao alcoolismo entre os prelados...

Há trinta e dois anos, com Shigeaki Ueki na presidência, vivíamos a presidência do déspota prussiano Ernesto Geisel e as conseqüências do choque do petróleo, que fizeram o japonezinho desligar a sua piscina de água quente para poupar energia. Como fazia parte da “peãozada”, fingia-me de morto e não tocava em política, assunto proibido. A Petrobrás já era, então, orgulho nacional e não havia pai de família que não estufasse o peito de orgulho, quando afirmava que o filho trabalhava na empresa.

Quando pedi demissão descontentei meus pais. Resolvera seguir o destino pedregoso e íngreme da não burocracia. Para mim, era insuportável ver aqueles técnicos de administração, de gravatinha, batendo em meu ombro e dizendo a frase-modelo: “meu filho, quando eu me aposentar...”

A empresa articulava uma espécie de lavagem cerebral no empregado, como se não funcionasse sozinha, dada a sua grandiosidade. Muitos trabalhavam com febre, com medo de ir ao serviço médico e serem mal vistos pelos chefetes de seção.

Naquela época, a empresa gastava 11% de seu orçamento com despesas de pessoal e, atualmente, reduziu esse “gasto” para 9%, entregando algumas atividades-meio a terceirizados, aliás muito mal vistos pelos concursados, que detêm crachá autêntico. Não sei como está hoje, mas o cartão de ponto é exigido até para profissionais de curso superior, os horários são rígidos e a mega-empresa continua um quartel. De fazer inveja aos atuais militares que nem rancho têm para oferecer aos recrutas.

Os privilégios dos petroleiros existem, mas as benesses e salários-extras continuam em poder de uma elite muito bem estabelecida, estruturada e corporativa. São ciosos de seus privilégios e têm cabeça de funcionários públicos, ou seja, sabem que se mantiverem a cabecinha conservadora, não contestatória, se lamberem muito bem as botas dos chefes (que eles chamam, na intimidade, de “os picas grandes”), permanecerão até a aposentadoria, quando como verdadeiros trapos humanos vão requerer aposentadoria com complemento financeiro da PETROS.

Essa empresa hoje é imensa, tentacular, um estado dentro do estado, e a União, apesar de todos os esforços do governo tucano para privatizá-la, no que foi impedido pelo Alto Comando do Exército, ainda detém 51% do capital das ações com direito a voto. Com a troca de governo, tornou-se a jóia da coroa do PT e é administrada diretamente pelo Palácio do Planalto e pela Casa Civil, passando por cima, na prática, pela natural hierarquia do Ministério das Minas e Energia.

Quem manda na Petrobrás é Lula e Lula desmanda na Petrobrás. Era para ser o paraíso petista, mas nunca o foi. A empresa foi presidida por um geólogo medíocre, que, inflado pela posição majestática, imaginou que seria, ipso facto, governador de Sergipe. O povo, que jamais se sentiu proprietário da empresa, não o contemplou com a investidura tão pretendida. Resultado, o homem ficou no sereno, de férias, esperando um aceno na neblina do grande presidente que finalmente lhe acomodou em cargo menor. Esse nunca mais levantará a cabeça, mas é “soldado” do partido...

Os petistas invadiram a empresa, de alto a baixo, como a KGB fazia na União Soviética com o controle dos bairros em Moscou. Nenhum cargo de confiança ficou incólume. O comissariado manda e desmanda mesmo. Todo mundo baixa a cabeça, naquela técnica de sabujice de quem quer sobreviver, esperando novos tempos. Precisaríamos de um Machado de Assis ou de um Lima Barreto para descrever o que acontece na mente dos chefes de seção e dos engenheiros de staff. Principalmente aqueles que assistem à farra das concessões orçamentárias a diversas ONGs desconhecidas...

Os controles e auditorias internos são draconianos, principalmente no varejo. Os gastos no atacado, em dólares e euros, sob responsabilidade das diretorias e do Conselho de Administração fogem à imaginação dos mortais da planície ou a qualquer vasculhador que não seja do meio. Para quem não conhece economia de petróleo, as tacadas são indectáveis!

Como uma empresa de petróleo mal administrada é um supernegócio, bastaria uma vista d’olhos nas empresas fornecedoras da Petrobrás, muitas delas criadas por ex-funcionários, e os escritórios de advocacia, para os contenciosos surgidos com os que negociam diretamente com ela, para assuntar diversas surpresas. Isso seria matéria para os serviços de inteligência da Polícia Federal, da ABIN, do CADE e de outras agências, além da curiosidade atenta do que os petistas chamam de mídia golpista. Isso sem falar no Ministério Público, que tem tantos procuradores jovens e loucos para defender os altos interesses da sociedade. Aqui vai um terno pedido do poeta: por favor, dêem um passo à frente...

A Petrobrás é tão importante que, em toda crise nacional, anunciam a descoberta de um poço. É como a decretação de um “carnaval-off”. Agora mesmo, quando fomos emparedados pela Bolívia, dirigida por um índio plantador de coca, apareceu um grande campo de gás. O campo é Júpiter. Antes, um poço a oito mil metros de profundidade, o Tupi, que vai nos levar à OPEP. Só não temos tecnologia para perfurar até lá e o gás de Santos só poderá ser explorado a partir de 2012. Os barris que produzimos, em regime de auto-suficiência, não nos garante o refino, porque o petróleo é nosso, mas é grosso. E temos de lançar mão das energias do etanol e do anidro, além das termoelétricas, torcendo para que chova sem parar para que os níveis dos reservatórios hidroelétricos voltem aos níveis normais.

Enquanto o Chile e a Argentina já estão enfrentando o apagão e a Bolívia precisará do próprio gás para garantir o inverno, sabemos que vai faltar gás a partir de junho no eixo Rio-São Paulo, porque o governo petista não pode contrariar os bolivianos pelos acordos ideológicos assinados no Foro de São Paulo.

Como dizia o prussiano Ernesto Geisel, cujo túmulo infelizmente está perto do de minha mãe no Cemitério São João Batista, vamos depender do gás boliviano no longo prazo. E o futuro chegou, com os gênios da raça do PT (à la Sargento Garcia) manobrando a crise.

Os pífios resultados da economia produzida pelo horário de “verão” brasileiro, que começa na primavera, atestam bem que algo vai muito mal no setor elétrico. O preço de refino do óleo continua bastante caro e não compensa a exibição midiática de nossas reservas potenciais.

Agora vem a bomba. Furtaram programas privilegiados, com informações sigilosas sobre nossas reservas. Colocaram os dados, não criptografados, num laptop dentro de um container. Isso parece esses filmes classe B de tráfico de drogas nos Estados Unidos, em que alguém copia um CD e o coloca em lugar privilegiado, informando os interessados que depositam determinada quantia em conta numerada num paraíso fiscal. E ainda se diz que a turma do PT aceita a assessoria especializada em petróleo de firma norte-americana, que tem seus tentáculos no mundo inteiro, inclusive no Iraque. Além das implicações diplomáticas, esse furto vem bem na hora da discussão da farra dos cartões corporativos que põe o governo de nádegas de fora. Tudo muito conveniente, acrescendo-se que a Petrobrás não levou o fato a conhecimento público em tempo e a cena do crime foi alterada.

Além do mais, sabendo-se que a Intranet da Petrobrás é uma das mais perfeitas do mundo, com as senhas sendo trocadas de vinte em vinte minutos é um escárnio que essas informações possam interferir em leilões de lençóis que envolvem bilhões de dólares e empresas estrangeiras, interessadas na exploração off-shore de nossas reservas. Como se diz em linguagem policial: a quem interessaria todo esse rebuliço?

Mas existe aí uma peninha: de quem é a investigação? Á Polícia Federal, que não é totalmente dominada pelo PT, embora tenha sido remexida em sua direção? Ao Ministério Público, que também quer seus quinze minutos de fama, porque já não tem nenhum engavetador de processos, como vergonhosamente possuía no governo FHC? Existem ainda detalhes locais ligados à Polícia Civil, que quando quer descobre qualquer coisa. E então, como ficamos? Seria apenas outra cortina de fumaça para encobrir a farra dos cartões corporativos, operada num momento de desespero por não haver nenhum outro poço de plantão a ser descoberto?

Não admira que o drama da Petrobrás, orgulho nacional seja grande. Tão grande quanto uma plataforma. Aliás, tudo é gigantesco naquela empresa que tantos serviços têm prestado a ela mesma e a sua burocracia. Inclusive os perigos da corrupção. O povo brasileiro, seu pretenso proprietário, espera por explicações.

E eu estou de fora, porque, graças a Deus, dela me demiti...

_______________

*Waldo Luís Viana é escritor, poeta, economista e ex-empregado concursado da PETROBRAS.

16.2.08

A fábula da CPI!!!

Brasil
A fábula da CPI

Acordo com a oposição limita as investigações sobre
os gastos milionários do governo em despesas sigilosas


Alexandre Oltramari e Otávio Cabral

Myrria


Os gastos com cartões corporativos do governo viraram motivo de piada em todos os lugares do Brasil, principalmente no Congresso Nacional, onde deve começar a funcionar ainda nesta semana uma CPI para investigar o caso. Fato 1: descobriu-se que os gastos com cartões aumentaram significativamente nos últimos anos. Fato 2: soube-se que boa parte desses gastos, 11,6 milhões de reais, foi feita por ecônomos da Presidência da República que cuidam das despesas institucionais do presidente Lula e de seus familiares. Fato 3: por questões de segurança, ninguém pode saber como, quando, onde e nem em que esse dinheiro foi aplicado. Fato 4: apesar do sigilo, está mais do que evidente que os cartões corporativos têm sido usados sem controle, inclusive para pagar despesas estranhas ao serviço público, com claros indícios de abusos. Conclusão: numa aparente demonstração de que nada tem a esconder, o governo apoiou a proposta da oposição de criar uma CPI para investigar os cartões. As assinaturas foram rapidamente colhidas, e a comissão só não foi instalada na semana passada porque houve um erro técnico no requerimento. Tudo certo? Não. O aparente empenho de parlamentares do governo e da oposição era apenas uma piada de faz-de-conta. Nos bastidores, combinou-se que as investigações vão apenas até o ponto em que não causem constrangimentos a ninguém. Será, portanto, uma CPI tão inconseqüente quanto as piadas e as charges sobre o assunto que ilustram estas páginas.

O acordo que viabilizou a criação da CPI maneta nasceu de uma conjunção de interesses comuns e se viabilizou debaixo de uma intensa troca de ameaças. Desde o início da crise, governo e oposição tentam chegar a um consenso sobre a melhor forma de apurar o caso. Na semana passada, o ponto de equilíbrio apareceu depois de uma conversa entre o ministro das Relações Institucionais, José Múcio Monteiro, e o presidente do PSDB, Sérgio Guerra. Ambos são pernambucanos e amigos de longa data, além de já terem sido aliados políticos no governo de Fernando Henrique Cardoso. Os dois concordaram que uma CPI ampla, incluindo a gestão FHC, como propôs o governo, e com poderes para acessar irrestritamente todos os documentos, poderia provocar situações de constrangimento para os dois presidentes, ainda que não existam sequer suspeitas de irregularidades envolvendo-os. Mesmo assim, milhares de servidores tiveram acesso aos cartões corporativos, e não seria surpresa se aparecessem despesas extravagantes com comida, roupas ou objetos pessoais de alguém ligado à família do atual ou do ex-presidente. Poderia ser somente um ato voluntarioso do servidor, mas não deixaria de constranger. Para evitar essa situação, combinaram que as investigações não atingiriam os gastos presidenciais. O espetáculo teria como protagonistas apenas funcionários públicos subalternos e ministros já enrolados no caso, como Orlando Silva, do Esporte, que hospedou a família no Copacabana Palace e utilizou o cartão para pagar a despesa, e Matilde Ribeiro, demitida depois de ter apresentado o cartão em um free shop. Ao final, seria uma CPI propositiva, que disciplinaria o uso dos cartões corporativos daqui em diante. O acordo foi selado em uma reunião entre o deputado tucano Carlos Sampaio, autor do requerimento de criação da comissão, e o líder do governo no Senado, Romero Jucá.


Paulo Vitale
O ex-presidente Fernando Henrique diz que não tem nenhum receio das investigações em seu governo

Havia, porém, um problema a ser resolvido. Esse tipo de acordo nem sempre resiste a uma nova revelação, ao ímpeto de um parlamentar descompromissado, ao atropelo dos fatos. Para evitar imprevistos, o governo decidiu nomear o presidente e o relator da CPI – respectivamente o senador Neuto De Conto (PMDB-SC) e o deputado Luiz Sérgio (PT-RJ) –, os dois cargos mais importantes, o que, em tese, lhe confere o controle absoluto dos passos da comissão. A oposição, porém, desconfiou das intenções oficiais, e tucanos que desconheciam o acordo ameaçaram se rebelar contra o compromisso de não investigar as despesas presidenciais. Foi quando surgiu o segundo ingrediente decisivo em busca da cumplicidade. Lideranças petistas espalharam que os arquivos do Palácio guardavam grande quantidade de munição contra os tucanos. Em uma reunião na presidência do Senado, Roseana Sarney, líder do governo no Congresso, foi explícita ao revelar que um motorista à disposição do ex-presidente Fernando Henrique teria gastado 45.000 reais com o cartão corporativo do governo em apenas um mês. Instada a provar o que dizia, a senadora revelou ter obtido a informação no Palácio do Planalto. Não foi só ela. Os recados, em tom de ameaça, foram transmitidos também pelo senador Romero Jucá. Ele garantiu que o governo dispõe de informações sobre gastos do ex-presidente FHC com vinhos caros, comidas finas, fraldas, óculos e até detalhes sobre a contratação supostamente irregular de uma chef de cozinha. As informações constam de um levantamento feito pela Casa Civil em que estão listados cerca de sessenta itens classificados como "despesas exóticas" do gabinete do presidente no governo passado.

Sergio Dutti/AE
O presidente Lula é contra a divulgação dos gastos dos cartões corporativos de seu gabinete por questões de segurança

São essas despesas secretas difundidas como ameaça pelas lideranças petistas contra os tucanos que, paradoxalmente, o governo petista quer manter sob sigilo. A principal preocupação do Palácio do Planalto é a divulgação dos gastos de um grupo de vinte servidores responsáveis pelo pagamento das despesas de Lula e de seus familiares. Para não esclarecer as dúvidas que existem, o governo argumenta que as despesas são sigilosas e que a divulgação colocaria em risco a segurança do presidente e de sua família. Ao todo, os pagamentos secretos realizados pelos dez ecônomos da Presidência mais gastadores somam 11,6 milhões de reais desde o início do governo, em 2003. Contrariando a principal utilidade dos cartões, que é facilitar a fiscalização dos gastos por meio de suas faturas, os assessores de Lula sacaram 1,7 milhão de reais em dinheiro vivo, dificultando seu rastreamento. Esses gastos, por isso, se tornaram uma imensa caixa-preta do governo. "Os cartões nunca foram usados para pagar despesas pessoais do presidente e de sua família. Há despesas realizadas para a manutenção da segurança do presidente e de sua família, o que é bem diferente", garante o ministro da Comunicação Social, Franklin Martins. Pode não ser bem assim.

Ed Ferreira/AE
Romero Jucá e o tucano Carlos Sampaio: acordo para manietar a CPI

VEJA teve acesso à prestação de contas de uma pequena parte das despesas bancadas pelos cartões de crédito corporativos que estão sob a responsabilidade dos dez ecônomos que atendem o presidente. Os dados estão arquivados na Secretaria de Administração da Presidência da República. São 42 pagamentos, realizados por quatro servidores palacianos entre 2003 e 2005, que somam 307 030,66 reais. De fato, como alega o Planalto, há gastos cuja divulgação pode colocar em risco a segurança do presidente. Um dos pagamentos, feito a uma locadora numa viagem de Lula a Manaus em abril de 2004, revela a quantidade de veículos blindados que integra uma comitiva presidencial. Outra fatura, paga em uma viagem de Lula a São Paulo em junho de 2006, mostra o número exato de seguranças do presidente que tomaram café-da-manhã e jantaram num hotel.

Thomate


Mas as prestações de conta também revelam despesas que, justamente por ser secretas, podem ser interpretadas como exóticas – não se saberá isso até que se revelem as circunstâncias desses gastos, que podem muito bem ser perfeitamente justificáveis. Nos meses de setembro e dezembro de 2003, o ecônomo Clever Pereira Fialho, número 1 no ranking dos gastos palacianos, pagou 142.392,30 reais a uma locadora de veículos, a Full Time. Ele justificou o gasto como "diárias de veículos para atender viagens de familiares do presidente". Em 2004, a servidora Maria Emília Évora, oitava no ranking dos gastadores do Planalto, apresentou uma nota fiscal no valor de 52,30 reais. A despesa se refere ao creme para mãos Neutrogena, a um protetor labial da marca Nivea e a um gel para pálpebras sensíveis. Em sua prestação de contas, Maria Emília relatou que a despesa foi feita para "atender necessidades da primeira-dama, dona Marisa". Comprou-se, também, uma pomada antibiótica para o presidente. Um creme hidratante para a primeira-dama durante uma viagem oficial e um remédio de emergência para o presidente são despesas que nem mesmo na mais estóica das administrações podem ser consideradas luxo. A revelação desses gastos se justifica quando eles são tomados como amostragem do que é feito com o dinheiro público e quando se discute a razão de serem classificados como sigilosos.


Rose Brasil/ABR
Cristiano Mariz
Neuto De Conto e Clever Fialho: o presidente da CPI e o ecônomo oficial

As explicações para esses gastos dadas pelo governo são muito objetivas. A assessoria da Presidência esclareceu que, embora a legislação determine que familiares do presidente têm direito apenas à segurança, é autorizada a locação de carros, caso isso se faça necessário. Explicou também que, eventualmente, as compras de medicamentos para o presidente com os cartões corporativos são autorizadas quando não há o item em estoque na farmácia do serviço médico do Palácio do Planalto. Sobre os cosméticos, a assessoria informa que a compra, na verdade, foi solicitada pelo coordenador de saúde da Presidência, o médico Júnio Mário Pereira Gama, para atender a necessidades do presidente Lula, e não da primeira-dama.


Ivan Cabral

Ainda assim, os gastos dos assessores palacianos, quando são secretos, têm potencial para causar embaraços. Um dos pagamentos aos quais VEJA teve acesso se refere a uma viagem de Lula a São Paulo no dia 29 de junho de 2004. A viagem ocorreu no Sucatão, o Boeing presidencial substituído três anos atrás pelo Aerolula. Havia 78 pessoas a bordo. Dois tipos de refeição foram servidos na viagem. O jantar dos viajantes foi comprado pela ecônoma Maria Emília Évora da empresa Gate Gourmet, do Rio de Janeiro – e pago em dinheiro vivo. Com caviar no cardápio, o jantar servido na cabine presidencial, ocupada por Lula e mais onze passageiros, custou 385 reais por pessoa. Já a refeição das outras 66 pessoas, entre tripulação e comitiva, ficou em 126 reais por cabeça. Sobre essas despesas, o Planalto informa que existe uma companhia contratada por licitação pública, desde 2000, com o objetivo de fornecer alimentação ao presidente e a sua comitiva. Apesar disso, explica, podem ocorrer gastos eventuais com o serviço sempre que o presidente viajar para um local onde a empresa contratada não tiver uma filial capaz de suprir as necessidades do avião presidencial. Também nesse caso não há estoicismo que justifique condenar o fato de um presidente da República se servir e aos convidados íntimos de um prato com caviar a 385 reais por cabeça durante uma viagem de trabalho.

Gilmar


O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso considerou arbitrária a decisão de investigar os gastos com cartão corporativo e contas do tipo B a partir de 1998, período em que ocupou a Presidência. Segundo ele, não há fato determinado que justifique a investigação por uma CPI. "Em primeiro lugar, não tenho nenhum problema. Mas, do ponto de vista da Constituição, é preciso haver um fato determinado", afirmou. Apesar de condenar a investigação, FHC diz não temê-la: "Essas coisas não passam diretamente pelo presidente. Certamente não tinha questionamento nem pelo TCU, nem pela imprensa nem por nenhum deputado". As questões centrais a ser travadas em torno dos gastos das altas autoridades são as mesmas que dizem respeito a todos os gastos do dinheiro público. A saber, quais são os limites? Quais são as regras? Quem controla os gastos? Quais são as punições para quem transgride? Quando essas questões tiverem respostas transparentes, a crise dos cartões desaparecerá tão rapidamente quanto surgiu.


Ministro se irrita...

Ministro se irrita ao ser indagado sobre a presença de filho de Lula na comitiva


Filho do presidente e conhecido como Lulinha, o empresário Fábio Luís da Silva integra a comitiva que visitará a base brasileira na Antártida. A assessoria da Presidência informou ontem que a presença dele, a convite de Lula e de Marisa Letícia, não elevará os custos da viagem, já que Lulinha arcará com sua hospedagem.
Ontem à noite, na chegada a Punta Arenas, no sul do Chile, o ministro Franklin Martins disse que não "tem nada de mais" a presença de Fábio Luís na viagem e que isso não obrigou a substituição de algum outro integrante da comitiva.
O ministro se irritou ao ser indagado sobre a presença de Lulinha na comitiva. "Não existe Lulinha. Existe Fábio", disse a jornalistas, para completar: "Outros filhos e netos de presidentes já viajaram e ninguém achou nada de mais. O que é isso? Algum preconceito?"
A seguir, mais calmo, Franklin afirmou: "Acho que é um avanço da imprensa, porque com outros presidentes, quando se levava [familiares em viagens], não era notícia".
Formado em biologia, Fábio Luís é um dos principais acionistas da Gamecorp, produtora de TV e de jogos para celulares. Seu nome ganhou publicidade em 2005 quando foi acusado de favorecimento pelo fato de a Telemar (atual Oi) ter injetado R$ 10 milhões na empresa. Ele nega que tenha recebido o recurso por ser filho de Lula.
Na Antártida, a Oi, com quem a Gamecorp tem sociedade, montou em 2006 a estrutura de comunicação para o uso de militares e pesquisadores. Na base, a empresa de telefonia instalou uma linha direta para o Rio. Há uma cabine telefônica com o logotipo da empresa. Além disso, colocou conexão de internet de alta velocidade.
Folha

9.2.08

O escândalo é outro

Editorial Estadão

Como faz, pavlovianamente, sempre que suspeitas de improbidade pairam sobre o Palácio do Planalto, o ministro da Justiça, Tarso Genro, atribuiu a onda, que não pára de se avolumar, de revelações sobre o uso abusivo de cartões de crédito estatais a uma operação da imprensa mal-intencionada, para dar assunto a uma oposição silenciada pelos êxitos do lulismo. Foi o que alegou ao ser confrontado com o copioso - e surpreendentemente minucioso - noticiário sobre o que a ex-ministra da Igualdade Racial chamou de "erros administrativos" nos gastos e retiradas mediante cartão corporativo por funcionários e autoridades da administração federal. Trata-se, desdenhou, de um "escândalo artificial". De mais a mais, alegou o ministro, não fosse uma iniciativa moralizadora do presidente Lula - a criação do Portal da Transparência, de livre acesso no site da Controladoria-Geral da União (CGU) -, a mídia não teria a seu alcance, e com essa facilidade, as informações detalhadas dos pagamentos e saques feitos com os 11 mil cartões emitidos pelo governo.

Nesse ponto, Tarso tem toda razão. Pena que ele tenha deixado de combinar com os russos, no caso o chefe, antes de reaquecer as suas críticas à imprensa. Afinal, os meios de comunicação fazem rigorosamente o que Lula incentivou a sociedade a fazer quando do lançamento do portal, em 2005 - ajudar "no controle e fiscalização" do uso do dinheiro público. Não há nada de artificial, portanto, nem no exercício dessa contribuição nem nos seus resultados. É o governo que deixou o serviço pela metade. Na edição de 13 de janeiro, este jornal revelou, com base no exame dos dados disponíveis no portal, o assombroso aumento superior a 800% dos dispêndios com o cartão corporativo entre 2003 e 2007. Desde então, a massa de fatos e números trazidos ao conhecimento dos brasileiros deixa patente, à parte tudo mais, a extraordinária eficiência desse sistema de agregação de minuciosas informações objetivas, graças à tecnologia da computação, como instrumento do controle e fiscalização de que falava Lula - e que deixou de ser utilizado por quem tem a obrigação de se valer dele em primeiro lugar: o próprio governo.

Escândalo, para recorrer ao termo do ministro da Justiça, não é o produto do trabalho jornalístico que consistiu simplesmente no esquadrinhamento do fabuloso arquivo do Portal da Transparência. É, isso, a incompetência, ou inapetência, de quem de direito na cúpula do aparelho de Estado para passar periodicamente um pente-fino nos gastos declarados, para separar aqueles que respeitam as normas que regem o uso dos cartões corporativos daqueles que as transgridem, e punir os responsáveis, também com o ressarcimento dos cofres públicos. Um governo verdadeiramente comprometido com o manejo escrupuloso do dinheiro alheio - ou seja, não só da boca para fora, a fim de impressionar os incautos - não esperaria a imprensa denunciar o que ele tinha plenas condições de saber a qualquer momento, por estar escancarado diante de si, para só então mostrar-se zeloso guardião da moralidade. Se quisesse, o Executivo teria identificado as grossas irregularidades cometidas pela ministra da Igualdade Racial, Matilde Ribeiro, e agido de acordo com a gravidade do que ela preferiu chamar, complacentemente, "erros administrativos".

O mesmo vale para a outra ponta das impropriedades - a do varejo das tapiocas, como a insignificância dos R$ 8,30 que o ministro dos Esportes, Orlando Silva, gastou indevidamente pelo manjar com o seu cartão, ou acima disso, embora não na escala da ex-ministra. É, notoriamente, o caso do servidor do Ministério das Comunicações que, em junho do ano passado, fez o contribuinte bancar os R$ 1.400 pela reforma de uma mesa de sinuca de uso na repartição. O que exaspera é o governo a reboque. Foi preciso que um repórter flagrasse o episódio no portal da CGU, passados sete meses, para o Ministério anunciar a abertura de uma investigação, ao fim da qual se adotarão as "medidas cabíveis", com a eventual demissão do sinuqueiro. É de se perguntar quantos malfeitos do gênero ainda aguardam o olhar de um jornalista para merecer a (tardia) atenção do governo da transparência. E quantos portadores de cartões corporativos estatais, na dúvida sobre se podem usá-los para cobrir uma despesa, não se guiam pelo cômodo princípio do "em dúvida, gaste". Afinal, de quem é o dinheiro?

5.2.08

OS MILITARES TÊM BOM SENSO.

www.fortalweb,com.br/grupoguararapes

Somente ignorantes da nossa história e das personalidades que a fizeram,
ou canalhas da mesma laia do ex-agente do “Serviço de Inteligência Uruguaia”, Mario Neira Barreiros, podem considerar como verdadeira a imbecilidade por ele contada e transmitida no dia 28.01.2008, pelo Jornal Nacional, TV GLOBO, de que João Goulart havia sido assassinado na Argentina, em 1976, por ordem direta do Presidente Geisel ao Delegado Fleury.
Quando bandido, condenado por muitos crimes, por falsidade ideológica
e preso em cadeia de segurança máxima, tem fé de ofício pode fechar pra balanço.

Num País sério e de homens de vergonha na cara, bandido desse tipo não dá entrevista. Comecemos pelo título. Dizemos que os militares têm bom senso porque, antes de qualquer decisão, comparam as vantagens e desvantagens da decisão a ser tomada.
Quanto a João Goulart, lembramos que, após o Movimento de 1964, contrariando Brizola que queria resistir no Rio Grande do Sul, foi do próprio Jango a decisão de deixar o Brasil declarando que não queria uma luta fratricida para manter-se no Poder.
E esta decisão de Jango facilitou a adesão do III Exército que foi o último a aderir ao Movimento de 1964.
Quanto ao Presidente Geisel, em 1974, já assumiu com as guerrilhas urbana e rural derrotadas pelo Presidente Médici, tanto que, logo de inicio, iniciou a abertura política.
Qual a vantagem de, em 1976, matar Jango, que vivia pacificamente em paises vizinhos?
Seria uma insensatez e uma burrice sem tamanho, depois de anos de luta para liquidar a Guerrilha, assassinar quem não representava qualquer ameaça, podendo colocar em risco a abertura política iniciada.

Quanto ao Presidente Geisel, lembramos que ele completou com sucesso a pacificação nacional, tanto que, logo que assumiu, o Presidente Figueiredo promoveu a Lei da Anistia, e autorizou a volta dos exilados inclusive, de Brizola, Arrais e outros políticos radicais (pois, segundo ele, “lugar de brasileiro era no Brasil”).

Agora, a maior evidencia da mentira, que julgamos que nem os próprios inimigos dos Governos Militares que conheceram o General Geisel aceitam, é aquele bandido uruguaio dizer que o Presidente Geisel deu a ordem de assassinato, pessoalmente, ao Delegado Fleury.

O General Geisel nunca deixou de manter e preservar a sua autoridade e dignidade pessoal, quer como General quer como Presidente.
E ainda, outra mentira enorme, o bandido uruguaio contar que participou de um assassinato político de um ex-Presidente do Brasil, praticado na Argentina por Argentinos.

Qualquer pessoa de bom senso sabe que isto não pode nunca ser verdade.
Para o Grupo Guararapes, trata-se de mais um caso de Corrupção na busca por Indenização.
E, apesar de muitos de nós, militares, termos combatido Jango em 1964,
no que se trata de dinheiro, sempre nos pareceu um homem honesto,
mas, o filho não parece ter seguido o exemplo do pai neste particular.
Em síntese, o filho quer Indenização e o Povo Brasileiro vai acabar pagando.
O bandido uruguaio leva uma ponta e quem sabe, é solto da cadeia por delação premiada.
Felizmente, com a graça de Deus, a Justiça Brasileira, ainda, não chegou a esse nível.
ESTAMOS VIVOS! GRUPO GUARARAPES!

E ninguém percebe...

http://www.midiasemmascara.org/artigo.php?sid=6335&language=pt

E ninguém percebe...
por Graça Salgueiro em 30 de janeiro de 2008
[]


Resumo: Causa estranheza o silêncio latino-americano em torno do Foro de São Paulo e do mal por atacado que tem proporcionado ao nosso continente.

© 2008 MidiaSemMascara.org

A capacidade que o presidente Lula tem de fazer afirmações de coisas pertencentes apenas ao seu imaginário ou desejo, como se fossem a mais cristalina verdade, é proporcional à vergonha que sentem os brasileiros bem informados, sobretudo quando tais afirmações extrapolam as fronteiras nacionais.

Dentre as tantas pérolas que jorram da boca de Sua Excelência a mais notável foi quando da volta de sua visita a Cuba, referindo-se ao velho ditador com quem teve um cálido e nostálgico encontro de duas horas e meia, em lugar incerto e não sabido da ilha-cárcere. Segundo Lula, “A impressão que eu tenho é que o Fidel está muito bem de saúde, que está com uma lucidez como nos melhores momentos”. (...) “Penso que Fidel está pronto para assumir o papel político que ele tem na história, no mundo globalizado, na humanidade”. Entretanto, é o próprio Fidel quem o desmente sem meias palavras: Não desfruto da capacidade física necessária para falar diretamente aos vizinhos do município onde me postularam para as eleições do próximo domingo. Faço o que posso: escrevo. (...) Hoje, que disponho de mais tempo para me informar e meditar sobre o que vejo, consigo apenas escrever”, escrito dois dias antes do encontro. Teria sido a “messiânica” visita a causadora de tão extraordinária e repentina recuperação?

No Brasil a mídia companheira de viagem fez referência à citação do presidente Lula mas não a do ditador Castro, tampouco permitiu que as imagens do encontro dos dois - televisionadas desde Cuba e retransmitidas aqui - tivessem áudio, retrocedendo à época do cinema mudo. Caso se pudesse ouvir a conversa, deixaria à mostra a decrepitude do velho ditador com sua fala escandida e sem nexo, com visível dificuldade até de articular corretamente as palavras. Estaria com isto a mídia encobrindo as falsas afirmações de Lula e preservando a imagem de Castro?

Em um excelente artigo intitulado “Fidel desmentiu Lula” escrito para o jornal “Diario Las Américas”, de Miami, o economista cubano Ernesto Betancourt faz duras e acertadas críticas às declarações de Lula, entretanto cai no conto da “autosuficiência” em produção de petróleo divulgada aos quatro cantos do mundo ano passado. Diz ele sobre a conversa dos dois comunistas: “Por certo que depois do descobrimento de imensos depósitos de petróleo nas costas do Brasil pela Petrobras, o cavalheiro Lula fez mutismo em sua propaganda do etanol”.

Ocorre que o anúncio dessa descoberta ano passado não tinha nada de novo; o governo Lula, para abafar a crise do gás que ainda continua pendente sobre nossas cabeças, reciclou uma notícia velha de mais de uma década, conforme denuncia elegantemente o ex-ministro de Minas e Energia, Alexis Stepanenko, em carta ao ex-presidente Itamar Franco de quem foi ministro. Naturalmente que nem o senhor Betancourt nem ninguém mais foi informado disto e assim segue o Sr. da Silva, contando lorotas mundo afora, na certeza de que ninguém percebe, ninguém o questiona porque todos acham muito palpitante e excêntrico um “presidente-operário”. E nós, sem saber mais aonde enfiar a cara de tanta vergonha...

E na sexta-feira 25, em discurso na cerimônia pelo Dia Internacional de Lembrança das Vítimas do Holocausto, Lula conclamou os brasileiros a deixar a violência e a intolerância de lado acrescentando: Lembranças tristes e trágicas como as do Holocausto não devem e não podem ser apagadas, como não podem ser esquecidas todas as formas de intolerância, especialmente aquelas alçadas à condição de política de Estado”

Seria uma afirmação louvável se não fosse tão cínica e não houvesse, no mínimo, uma discrepância entre este discurso e o proferido recentemente com ar de gratidão perante o maior genocida latino-americano, seu ídolo Fidel: “Lembra, Fidel, quando falamos do Foro de São Paulo e me disseste que era necessária a unidade da esquerda latino-americana para garantir nosso progresso? Pois já estamos avançando nessa direção”. Sabendo que participam como membros efetivos do Foro de São Paulo criado por estas duas humaníssimas criaturas, bandos terroristas monstruosos como as FARC e o ELN, e que todos os membros assinaram uma declaração condenando o “terrorismo de Estado” protagonizado pelo governo da Colômbia por combatê-los, fica a pergunta: qual dos dois Lulas fala a verdade? Qual a “violência” que ele condena?

Causa estranheza o silêncio latino-americano em torno desta nefasta organização – Foro de São Paulo – e do mal por atacado que ela tem proporcionado ao nosso continente. Já nem falo do Brasil porque aqui as pessoas não lêem, não se informam e há décadas estão culturalmente mortas. Mas, será que ninguém mais percebe que a convulsão política e social que está sofendo a América Latina hoje, é fruto desta organização? Observem a Bolívia, a Argentina, a Venezuela, a Nicarágua, o Equador, a Colômbia com as FARC cada dia mais afoitas, e perguntem se seus presidentes – exceto Uribe, claro! - não pertencem a esta organização comuno-terrorista? Toda a compreensão destes fatos passa obrigatoriamente pelo Foro de São Paulo que é a raiz, o centro de toda a estratégia de comunização do nosso continente mas, enquanto as pessoas não se derem conta disso, vão continuar combatendo os efeitos periféricos que são a corrupção, a violência, a miséria, ao mesmo tempo em que o comunismo se fortalece e expande pelos canais subterrâneos. Com as bênçãos de Fidel Castro e Lula da Silva; não esqueçam disso!