20.10.06

Apartamentos do PT

Outro envolvido com dossiê tem unidade no prédio

No mesmo bloco B do condomínio Torres da Mooca, onde Freud Godoy manteve encontros com integrantes do governo e do PT, um outro envolvido no escândalo do dossiê Vedoin aparece como dono de imóvel. O apartamento 174 B pertence a Oswaldo Bargas - apontado como o responsável pela tentativa de venda do dossiê à revista Época e colaborador do programa de Lula.

Quem ocupa o apartamento hoje é o presidente nacional da CUT, Artur Henrique da Silva Santos. Nem Bargas nem Santos foram localizados ontem.

O Torres da Mooca é um dos empreendimentos imobiliários da Cooperativa Habitacional do Sindicato dos Bancários (Bancoop), criada pelo presidente afastado do PT Ricardo Berzoini. Moradores do condomínio levantaram suspeitas sobre a propriedade dos imóveis onde moram Espinoza e Aurélio. É que na ata da assembléia em que foram sorteados os apartamentos, em 14 de fevereiro de 2004, 18 unidades apareciam como objeto de permuta e não poderiam ser escolhidas. Os apartamentos 183 B e 203 B, de Aurélio e Espinoza, respectivamente, estavam nessa lista.

O próprio presidente Lula tem um apartamento em um edifício que está sendo construído pela Bancoop no Guarujá. O imóvel está registrado na declaração de bens entregue ao Tribunal Superior Eleitoral, mas sem o nome completo da cooperativa.
Estadão

PT, jogo do bicho, Olívio e etc

Acusações de ligação do PT com o jogo vêm de campanha de Olívio, em 1999

Suspeitas e acusações envolvendo o PT e o jogo - legalizado ou não -, como ocorre agora no escândalo do dossiê Vedoin, não constituem novidade na história do partido. A primeira grande denúncia de corrupção envolvendo integrantes do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no início de 2004, teve como base uma fita de vídeo em que o então subchefe de Assuntos Parlamentares da Casa Civil, Waldomiro Diniz, aparecia pedindo doações de campanha e propinas ao empresário de jogos de bingo Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, do Rio.

Waldomiro trabalhava havia 12 anos com o então ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, o homem forte do governo petista, e parecia operar em escala nacional. Soube-se que parte do dinheiro do jogo tinha sido destinada aos cofres da campanha derrotada do petista Geraldo Magela, quando ele concorreu ao governo do Distrito Federal, em 2002. No mesmo ano, à frente da Loteria do Estado do Rio de Janeiro (Loterj), Waldomiro também teria negociado com a contravenção contribuições para as campanhas de Benedita da Silva (PT) e Rosinha Matheus (PMDB).

Essa não foi, no entanto, a primeira bomba política que associou PT e contravenção. Quando o caso Waldomiro explodiu, o PT ainda tentava se recuperar dos danos causados por um escândalo semelhante ocorrido no Rio Grande do Sul - Estado que até então funcionava como vitrine do estilo petista de governar.

Em 1999, um ex-tesoureiro do partido disse a jornalistas que parte do dinheiro da campanha do ano anterior para o governo estadual, quando o petista Olívio Dutra foi o vencedor, tinha vindo do jogo do bicho. Em 2001, a CPI da Segurança instalada na Assembléia, investigou o caso e acabou sugerindo o indiciamento de Olívio e mais de 41 pessoas. Além das denúncias de irregularidades na arrecadação de fundos, pesou na decisão uma gravação na qual o petista Diógenes de Oliveira, então presidente do Clube de Seguros da Cidadania, aparecia pedindo ao chefe de Polícia de Porto Alegre que amenizasse a repressão aos bicheiros.

No rastro da CPI, o Ministério Público denunciou dez pessoas à Justiça. Ninguém foi condenado. Mas o estrago político foi enorme. Fragilizado pelas denúncias, Olívio nem tentou a reeleição em 2002.
Estadão

19.10.06

Justiça suspende MP

Justiça federal suspende MP que liberava R$ 1,5 bilhão para gastos extraordinários
A justiça federal suspendeu nesta quarta-feira a medida provisória 324 assinada há duas semanas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que liberava R$ 1,5 bilhão para gastos extraordinários como obras e pagamento de dívidas de nove ministérios. A liminar foi concedida em uma ação popular ajuizada pelo deputado Raul Jungmann (PPS-PE), que vinculou a liberação dos recursos a objetivos eleitorais. Essas despesas não poderão ser executadas até que seja julgado o mérito da ação. Ainda não há data marcada para que isso aconteça.

De acordo com a juíza da 2ª vara da justiça federal em Brasília, Candice Lavocat Galvão Jobim não há urgência que justifique a edição da MP. Ao tomar conhecimento da decisão, o Ministério Planejamento informou que o governo cumprirá a decisão judicial, mas acrescentou que nenhum representante da pasta falaria sobre o assunto. O governo deverá recorrer da liminar.

Em sua decisão, Candice Jobim argumentou que, segundo a Constituição, os créditos extraordinários ao Orçamento só podem ser autorizados em casos extremamente urgentes e imprevisíveis, como guerra, comoção interna ou calamidade pública. Para ela, as áreas contempladas com a medida provisória não se enquadram nesse perfil.
O Globo

Trégua do MST acaba no dia 29, avisa Rainha

Líder dos sem-terra diz que movimento está nas ruas agora para 'eleger Lula', mas após 2º turno 'sai das trincheiras e retoma mobilizações'

A trégua dada pelo Movimento dos Sem-Terra (MST) nas invasões termina no dia 29, às 17h, quando se encerra a votação para o segundo turno, disse ontem o líder José Rainha Júnior. 'Vamos sair das trincheiras e retomar as mobilizações.'

Segundo ele, o MST reduziu o ritmo das invasões em todo o País por causa da campanha eleitoral. 'Estamos na rua agora, mas é para eleger o Lula.' Ele disse que esse é o seu compromisso como líder dos sem-terra. 'Depois da votação, voltamos a pensar na mobilização.'

De janeiro a março deste ano, o MST fez 99 invasões nos 21 Estados em que atua - no ano passado tinham sido 63 no mesmo período. Em abril, houve outras 35 invasões, totalizando 134 em quatro meses, mas em seguida, com o início do período eleitoral, o movimento desacelerou. Nos quatro meses seguintes, foram apenas 46 ações. O número se manteve baixo em setembro - 4 invasões - e neste mês. Até ontem, tinha sido registrada apenas a ocupação da sede do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) em Belo Horizonte e de uma fazenda em Roraima.

Segundo Rainha, um provável segundo mandato de Luiz Inácio Lula da Silva será 'uma grande oportunidade para que o presidente resgate seus compromissos' com a reforma agrária. 'O governo federal deu mostras de que quer resolver o problema dos sem-terra, ao contrário do que ocorreu em alguns Estados.' Ele disse que há expectativa do movimento em relação ao governador eleito de São Paulo, José Serra ( PSDB).

'Na gestão do Alckmin (ex-governador Geraldo Alckmin, candidato à Presidência), a questão fundiária foi tratada como questão policial e não política. Esperamos que seja diferente com o Serra.'

Rainha disse que o movimento estará aberto ao diálogo, mas não abrirá mão das invasões, que considera um instrumento de luta. 'O Estado tem dinheiro em caixa para adquirir terras e, se não for usado até o fim do ano, terá de ser devolvido ao governo federal.' Segundo ele, o movimento não pretende deixar que isso aconteça. 'Vamos para dentro de todas as terras devolutas que tiverem por aí.'
Estadão

18.10.06

PF: dinheiro teria saído de bicheiros do Rio

Superintendente de Mato Grosso afirma estar perto de conseguir provas materiais para esclarecer caso do dossiê

A Polícia Federal encontrou fortes indícios de que parte do dinheiro que seria utilizado pelos petistas para a compra do dossiê contra candidatos tucanos tem como origem o jogo do bicho no Rio de Janeiro, como tinham informado semana passada parlamentares da CPI dos Sanguessugas.

O superintendente da Polícia Federal em Mato Grosso, delegado Daniel Lorenz de Azevedo, deu pistas nesse sentido durante entrevista ontem, em Cuiabá.
Houve basicamente a comprovação de uma tese. Nós precisamos agora de prova material —disse o delegado.

Para avançar na investigação sobre a origem do dinheiro, a PF está contando com a colaboração de uma pessoa que teve envolvimento no caso.

O nome desse colaborador é mantido sob sigilo. Perguntado pela imprensa sobre se a tese confirmada pela PF é a de que os recursos seriam provenientes do jogo do bicho, como os parlamentares da CPI dos Sanguessugas informaram, Lorenz comentou: — Não somente isso, mas várias teses.

O delegado deu a entender que, nos últimos dias, a PF tem mesmo contado com a colaboração de um informante.

— Há pessoas de dentro da operação que estão colaborando com a polícia, dando indicações bastante precisas. Só precisamos de um pouquinho de sorte.

Segundo o delegado, nos próximos dias a PF pode chegar a uma conclusão definitiva sobre a origem do dinheiro. Na semana passada, depois de conversarem com o delegado Diógenes Curado Filho, que preside o inquérito, deputados da CPI dos Sanguessugas foram os primeiros a dizer que a PF trabalha com a hipótese de que parte do dinheiro arrecadado pelo PT para a compra do dossiê tenha vindo do bicho.

Três indícios levaram os policiais a essa suspeita, segundo os parlamentares: há no dinheiro apreendido pela PF muitas cédulas usadas e de pequenos valores, como R$ 5, R$ 10 e R$ 20, e duas fitas que envolviam maços de dinheiro eram provenientes de máquinas de calcular antigas e tinham a inscrição: 10 x R$ 100 = R$ 1.000. Para o deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP), expromotor de Justiça, a anotação é típica da contravenção.

Além disso, havia dois carimbos nas fitas com os dizeres "Caxias 118" e "Campo Grande 119". As duas referências são de locais no Estado do Rio. Anteriormente, a PF chegou a acreditar que as inscrições faziam referência a agências bancárias, mas agora acredita que, na verdade, tratam-se de bancas do jogo do bicho.

Lorenz, um homem com aparência tranqüila e de poucas palavras, demonstrava estar eufórico ontem. Por várias vezes, repetiu que em toda investigação os policiais, além de fazerem um trabalho minucioso, têm de ter sorte. E, ao que parece, a sorte chegou.

—Toda investigação tem seu tempo, mas dependemos também de um pouco de sorte, de estar no local certo, na hora certa — disse o delegado.

Anteontem, Lorenz havia dito que acredita que até antes do dia 29, data do segundo turno das eleições, a PF conseguirá esclarecer o mistério da origem do dinheiro. Ontem, ele adiantou que espera algum resultado já nos próximos dias, embora tenha reafirmado que a Polícia Federal não convocará uma entrevista coletiva para anunciar o resultado.

O relatório das investigações será enviado ao Ministério Público Federal e à Justiça Federal.

—Todo o resultado das operações será trazido em forma de relatório para dentro do inquérito.

Suspeita também sobre o PT  Antes mesmo de aprofundar a investigação sobre a origem do R$ 1,7 milhão apreendido em São Paulo, a PF acreditava que, mesmo saído de fonte ilícita, o dinheiro era do PT. Entre documentos que a CPI dos Sanguessugas recebeu da Polícia Federal, há um relatório preliminar da investigação em que o delegado Diógenes Curado afirmava que, ao que tudo indicava, o dinheiro apreendido era o próprio partido. Na interpretação de um parlamentar, o delegado fez essa afirmação depois de constatar que todos os envolvidos eram petistas.
O Globo

PF no rastro do bicheiro Turcão

Polícia investiga se parte dos R$ 1,7 milhão para compra do dossiê veio das bancas de jogo de Antônio Kalil, que atua no Rio

A Polícia Federal investiga no Rio de Janeiro pessoas ligadas a Antônio Petrus Kalil para tentar desvendar a origem do dinheiro que seria usado para a compra do dossiê contra integrantes do PSDB. Conhecido como Turcão, Kalil é apontado pela polícia como um dos mais atuantes empresários do jogo do bicho naquela cidade. Passados 32 dias da apreensão do dinheiro em poder dos petistas Valdebran Padilha e Gedimar Passos num hotel em São Paulo, essa é a principal linha de investigação da PF no que se refere aos R$ 1,1 milhão encontrados com a dupla, além dos US$ 248,8 mil(totalizando R$ 1,7 milhão).

Os investigadores do caso encontraram indícios de que parte dos recursos arrecadados pelo grupo petista, antes de chegar às mãos de Valdebran e Gedimar, transitou pelas bancas do jogo do bicho atribuídas a Kalil. De acordo com um dos policiais, o suposto bicheiro movimenta grandes quantias na capital carioca. E suas bancas atuariam como uma espécie de câmara de compensação, abastecendo outras bancas do jogo do bicho. Para levantar as provas que sustentem a hipótese, foram realizadas ontem no Rio buscas e apreensões em endereços comerciais de pessoas ligadas a ele.

As suspeitas sobre dinheiro do jogo do bicho foram levantadas pela polícia a partir da forma como a parte dos recursos em reais foi encontrado: cédulas velhas, amassados e de valores pequenos R$ 5 e R$ 10. Duas tiras de papel encontradas chamaram a atenção dos investigadores. Elas trazem anotações de valores e fazem referência a duas localidades no Rio: Caxias e Campo Grande. Ao lado de cada nome, havia ainda um número que a polícia acreditava se referir a bancos (118 e 119, respectivamente). Após realizar uma pesquisa na rede bancária, a PF constatou que não existem tais números. Com isso, ganhou força entre os policiais a tese de que o dinheiro tenha origem no jogo do bicho.

Escândalo
Em Cuiabá, cidade onde estão centralizadas as investigações do escândalo do dossiê, o superintendente regional da Polícia Federal, Daniel Lorenz de Azevedo, admitiu a hipótese de que parte do dinheiro seja proveniente do jogo do bicho. “Estamos conseguindo comprovar uma tese”, afirmou o policial. Lorenz confirmou a realização de diligências para tentar levantar as provas que possam confirmar as suspeitas. Integrantes da CPI dos Sanguessugas que tiveram na capital matogrossense na semana passada para se informar sobre o andamento da apuração também confirmaram essa possibilidade, depois de conversar com o delegado Diógenes Curado, responsável pelo inquérito.

O rastreamento do dinheiro apreendido com Valdebran Padilha e Gedimar Passos obrigou a polícia a levantar milhares de operações financeiras realizadas nos 30 dias que antecederam a prisão dos dois petistas. Não se descarta que uma parcela tenha transitado pela rede bancária, já que informações encontradas no pacote do dinheiro indicam que saques em pelo menos três instituições bancárias: Bradesco, Safra e BankBoston. A PF também investiga operações no Banco do Brasil.

Em relação aos dólares (US$ 248,8 mil), o universo de pesquisa supera um total de 200 mil operações realizadas a partir de um lote de US$ 29 milhões que entraram legalmente no país por intermédio do banco Sofisa, de São Paulo. Os policiais identificaram US$ 110 mil em série, mas, por falta de controle no país das numeração de cédulas distribuídas entre instituições bancárias, casas de câmbio e agências de turismo, ainda não foi possível chegar aos compradores finais.

O dinheiro foi distribuído pela instituição em pelo menos quatro praças: Rio, São Paulo, Curitiba e Santa Catarina. A Polícia Federal está realizando uma operação pente-fino em 30 casas de câmbio e de turismo localizadas nessas cidades.

Garcia nega vinculação com bingos

O coordenador da campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Marco Aurélio Garcia, disse ontem que o governo “não tem vinculação” com os bingos e só não fechou as casas de jogos de azar porque o Congresso derrubou a proposta. Garcia fez o comentário logo após ser questionado sobre a afirmação do deputado Antônio Carlos Biscaia (PT-RJ), presidente da CPI das Sanguessugas, de que o dinheiro (R$ 1,75 milhão) para pagar o dossiê que petistas usariam contra tucanos tem “origem criminosa”.

“Seria bom que ele (Biscaia) explicitasse a fonte do dinheiro”, afirmou o coordenador da campanha de Lula. “Se eu tivesse o acesso que ele tem às informações, estaria mais seguro em desvendar esse imbróglio.”

Indagado se as declarações de Biscaia causavam constrangimento, pelo fato de o deputado ser do PT, Garcia respondeu que não. “Ele sempre foi um deputado ativo na condição de integrante da CPI”, observou. Nos bastidores, porém, a cúpula da campanha de Lula considerou que Biscaia “jogou para a platéia” por não ter apresentado provas de suas afirmações.

Garcia procurou ainda minimizar a decisão do PDT de permanecer neutro na disputa, não declarando apoio nem a Lula nem ao candidato do PSDB, Geraldo Alckmin. “A neutralidade frustrou muito mais os nossos adversários do que nós”, disse, alegando estar confiante no apoio de vários líderes do partido nos estados.

Berzoini complica Mercadante

O presidente licenciado do PT, Ricardo Berzoini, negou ontem conhecimento sobre a negociação do dossiê contra tucanos. Em pouco mais de uma hora e meia de depoimento à Polícia Federal, o deputado sustentou também desconhecer a origem dos R$ 1,75 milhão (em notas de dólar e real) que seriam usados na transação. E lançou dúvidas sobre a versão apresentada à polícia por Hamilton Lacerda, ex-assessor do candidato derrotado ao governo de São Paulo Aloizio Mercadante (PT).

Hamilton é apontado pelos investigadores do caso como o “homem da mala”, responsável pela entrega do dinheiro a Gedimar Passos e Valdebran Padilha num hotel em São Paulo, onde a dupla foi presa na madrugada do dia 15 de setembro. Gravações do sistema interno de vídeo no local registraram a chegada do então assessor de Mercadante com mala semelhante à que teria sido usada para carregar os recursos. Interrogado pela PF, Valdebran Padilha reconheceu a valise.

Denunciado pelas imagens, Hamilton foi chamado para depor e alegou que transportava, além de roupas, boletos de arrecadação para a campanha presidencial. Berzoini, porém, afirmou que a arrecadação de recursos não fazia parte das atribuições dele no comitê de Mercadante e menos ainda no presidencial. A declaração de Berzoini pode precipitar o depoimento do senador petista. Na semana passada, os policiais envolvidos na apuração afirmaram que será preciso ouvi-lo também, mas ainda não havia uma definição de cronograma para a audiência.

Testemunha
À época da negociação do dossiê entre petistas e o sócio da Planam Luiz Antônio Vedoin, Ricardo Berzoini ocupava a presidência nacional do PT e a coordenação da campanha à reeleição do presidente Lula— funções das quais foi afastado posteriormente. Passado um mês do início da investigação, a PF decidiu convidá-lo, na condição de testemunha, para dar explicações sobre o envolvimento de dois de seus ex-subordinados no comitê presidencial: Jorge Lorenzetti e Osvaldo Bargas.

O petista confirmou a função de Lorenzetti: a de analista de risco. E disse ao delegado Diógenes Curado, que preside o inquérito do caso, ter sido procurado por ele porque o ex-assessor precisava de ajuda para localizar um veículo de comunicação, de abrangência nacional. A finalidade seria trocar informações que ajudassem a subsidiar reportagem contra os tucanos.

O ex-presidente do PT, porém, sustentou que em nenhum momento soube do teor das informações, da origem delas e que o assessore deveria recorrer à assessoria de imprensa do partido para encontrar um órgão de imprensa. Após o escândalo se tornar público, revelou ainda Berzoini à PF, Lorenzetti o teria procurado e se desculpado por ter “extrapolado na confiança”. O presidente afastado do PT, segundo o depoimento, disse que Lorezentti lhe garantiu que não tinha dinheiro no caso.
Correio Braziliense

Conta petróleo tem déficit de US$ 3,2 bilhões!

Saldo negativo decorre, principalmente, da diferença entre os preços no mercado interno e internacional

A auto-suficiência na produção interna de petróleo, anunciada pela Petrobrás, ainda não se materializou em termos financeiros, com o petróleo mantendo a posição de um dos maiores custos na balança comercial. Segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o déficit na conta petróleo atingiu US$ 3,210 bilhões até agosto. Nesse total estão incluídas as operações com petróleo bruto, derivados e o gás natural importado da Bolívia.

No início do ano, a Petrobrás previu que poderia encerrar o ano com balança comercial positiva, com saldo líquido de até US$ 3 bilhões. Mais recentemente, diretores da empresa reduziram as estimativas, mas acreditam que os números serão positivos, pela primeira vez na história. Os dados da Petrobrás são diferentes dos da ANP porque não incluem o movimento com o gás boliviano nem alguns derivados importados por outras empresas, como os pólos petroquímicos, que fazem grandes compras de nafta.

O grande déficit até agosto reflete, principalmente, o forte aumento dos preços internacionais do petróleo, que têm anulado os efeitos do aumento da produção interna. Em agosto, o Brasil importou o equivalente a US$ 1,272 bilhão de petróleo bruto, o mais elevado volume em apenas um mês no período de seis anos acompanhados pela ANP. Foi nesse mês que o petróleo atingiu o preço mais alto no mercado internacional.

Os dados da ANP mostram o peso crescente das compras de gás natural da Bolívia. Além disso, cresceu a diferença entre os preços do petróleo nacional e o importado. Enquanto o importado custou US$ 77,62 o barril em agosto, o exportado saiu por US$ 57,44.

A Petrobrás, que controla 98% do petróleo refinado no País, tem de importar óleo leve (mais caro) para processar nas suas refinarias. Outro fator relevante é que a empresa tem de exportar gasolina, que sobra no Brasil devido à adição de álcool anidro, e importar óleo diesel.

Os dados da ANP mostram que o País reduziu em 5,03% as compras de óleo bruto nos oito primeiros meses de 2006, mas o valor financeiro subiu para US$ 6,353 bilhões, um aumento de 28,98% em relação a igual período de 2005.

No caso das exportações, o volume cresceu 13,83% em relação a igual período de 2005, o que elevou a receita financeira em 56,62% ante o mesmo período de 2005, atingindo US$ 4,131 bilhões. O déficit, só de óleo bruto, atingiu US$ 2,22 bilhões, mas teria sido muito maior sem o acréscimo na produção interna.

No caso dos derivados, a ANP mostra que houve equilíbrio entre o montante importado e o exportado. Ao todo, as compras no exterior somaram US$ 2,915 bilhões, cerca de metade das compras de óleo bruto. Em relação a igual período de 2005, houve aumento de 27,27%.

ACORDO NA COLÔMBIA

A Petrobrás e a estatal colombiana Ecopetrol assinaram um acordo para estimular a produção de biocombustíveis naquele país. A informação foi divulgada ontem em comunicado oficial da presidência da Colômbia.

Segundo o comunicado, na área dos biocombustíveis “as duas empresas se comprometeram a estudar nos próximos 12 meses a possibilidade de estruturar novos negócios para sua produção, comercialização, transporte, pesquisa e assistência tecnológica”.
Estadão

Delegado fala sobre o dinheiro

Dinheiro deve ter saído do PT, diz relatório

Delegado diz que envolvidos são do partido, mas ainda não sabe a origem do dinheiro que seria usado para comprar dossiê

Curado disse que só hoje vai apresentar relatório com um pedido de prorrogação do prazo do inquérito e um balanço das investigações

O delegado da Polícia Federal Diógenes Curado, responsável pelas investigações sobre a tentativa de compra do dossiê antitucano por R$ 1,7 milhão, escreveu em relatório parcial que, "ao que tudo indica", o dinheiro tem origem no PT.
A informação foi dada ontem por um integrante da CPI dos Sanguessugas que leu os três volumes de papéis que formam o inquérito presidido por Curado. A documentação chegou anteontem à CPI e reúne depoimentos tomados pelo delegado, resultados de diligências e relatórios preliminares feitos no decorrer das investigações.
Segundo o integrante da CPI, que pediu para não ser identificado, o delegado usa como argumento no relatório a constatação de que "todos os envolvidos" no episódio eram do PT.
De acordo com Diógenes Curado, o integrante da CPI deve ter visto uma das representações feita por ele solicitando quebras do sigilo bancário e telefônico. Ele informou que nestas representações ele descreve que todos os envolvidos são do PT, mas não afirma qual seria o origem do dinheiro. "A origem do dinheiro é justamente o principal objeto das nossas investigações", disse ele ontem.
O delegado disse que só vai preparar e apresentar hoje o relatório preliminar à Justiça com o pedido de prorrogação do prazo do inquérito. Do relatório constará um balanço das investigações e a indicação das medidas a serem tomadas.
A Polícia Federal prendeu no dia 15 de setembro, em São Paulo, Gedimar Passos e Valdebran Padilha com R$ 1,7 milhão (R$ 1,2 milhão e US$ 249 mil) que seria usado para a compra de documentação que comprometeria candidatos tucanos.
Desde então, informações desencontradas e negativas marcam a investigação sobre a origem do dinheiro. Integrantes do PT e das coordenações de campanha de Lula e de Aloizio Mercadante, apontados como suspeitos de participação na trama, acabaram afastados. Cinco foram expulsos do PT.
Segundo o integrante da CPI, há no inquérito as fotocópias que mostrariam Hamilton Lacerda, ex-coordenador de imprensa da campanha de Mercadante, com uma grande mala no hotel onde a PF realizou as prisões. Curado teria calculado que a mala poderia levar cerca de R$ 1 milhão. Lacerda nega ter transportado dinheiro. Anteontem, o presidente da CPI, Antonio Carlos Biscaia, disse não haver dúvida de que a origem do dinheiro é criminosa.
Folha

Berzoini nega tudo!

Berzoini negou na PF saber da negociação para a compra do dossiê

Em depoimento ontem na sede da Polícia Federal, em Brasília, o ex-ministro e ex-coordenador da campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, deputado Ricardo Berzoini (PT), negou conhecer a negociação feita por petistas para comprar e tornar público o conteúdo do dossiê contra tucanos. Ele disse que só soube do dossiê após da divulgação do caso na imprensa.
Berzoini também, indiretamente, contradisse versão sustentada por Hamilton Lacerda para negar que tivesse levado o dinheiro que seria usado na compra do dossiê para o ex-agente da PF contratado pelo PT Gedimar Passos, detido no hotel Ibis, em São Paulo, com R$ 1,75 milhão. Lacerda foi flagrado pelas câmeras do hotel com uma mesma bolsa depois carregada por Gedimar.
À PF, Lacerda disse que não havia dinheiro na bolsa, mas sim panfletos e boletos de doação da campanha nacional. Ao ser questionado sobre o assunto, Berzoini disse desconhecer que Lacerda portasse tal material, afirmando que boletos de contribuição não estavam dentro da atribuição do ex-coordenador da campanha de Aloizio Mercadante (PT) ao governo de São Paulo. Berzoini também afirmou que não sabia da participação de Lacerda no episódio.
O petista Valdebran Padilha, também detido, disse à PF que a mesma mala carregada por Lacerda foi mostrada a ele por Gedimar repleta de dinheiro.
Para os policias que acompanharam o depoimento, a versão de Berzoini não convenceu. A PF não pode falar em contradições em relação a declarações anteriores do presidente licenciado do PT, pois é a primeira vez que depõe sobre o caso.
Para a PF, Lacerda trabalha para proteger Mercadante. Berzoini atuaria na defesa de Lula. Ambos negam qualquer tipo de pagamento, pois, se isso fosse admitido, seria o sinal para se sentirem obrigados a revelar a origem do dinheiro.
Ainda conforme o depoimento, Berzoini afirmou ter contratado o petista Jorge Lorenzetti para fazer o trabalho de análise de risco da campanha de Lula. Disse também que, em dado momento, Lorenzetti pediu a ele a indicação de um jornalista com o qual pudesse trocar informações.
Consta do depoimento que Berzoini, então, sugeriu a Lorenzetti que procurasse a assessoria de imprensa da campanha. A troca de informações seria a busca de uma alternativa para tornar público o dossiê que envolveria políticos tucanos, principalmente José Serra, então adversário de Mercadante em São Paulo, no escândalo dos sanguessugas.
Berzoini disse aos policiais que, quando o escândalo se tornou público, Lorenzetti o procurou. Desculpou-se por ter "extrapolado" a confiança que lhe fora depositada. Por fim, negou que a negociação com os Vedoin envolvesse dinheiro.
"Nem um fato novo foi apresentado que já não fosse de conhecimento da imprensa. Ele foi transparente e prestou todas as informações à polícia", disse ontem o advogado de Berzoini, Fernando Tibúrcio Peña.
Por conta do episódio do dossiê, Berzoini foi afastado da coordenação-geral da campanha de reeleição de Lula e da presidência do PT.
A aérea de inteligência da PF recebeu ontem informações que considera fundamentais para desvendar o papel dos petistas envolvidos com o caso. O diretório nacional do PT enviou à PF a identificação dos celulares usados cedidos pelo partido para Lorenzetti, Oswaldo Bargas, Gedimar, Freud Godoy e Expedito Veloso.
Apesar de já dispor dos dados das ligações feitas e recebidas pelos aparelhos cedidos pelo partido, a PF não sabia quem usava os números alvos da quebra do sigilo telefônico.
Anteontem, no programa Roda Viva, o presidente Lula assumiu que o destino de Berzoini foi selado pelo dossiê. "Chamei o presidente do partido lá em casa e falei: Olha, quero saber quem fez essa burrice. (...) Porque isso é de uma sandice inominável. Ele me disse que não sabia. Falei: Ricardo, você, como presidente do partido, tem obrigação de apresentar para a sociedade uma resposta. E ele não fez. Eu o afastei da coordenação da campanha. (...) A ordem à PF é que não deixe pedra sobre pedra."
A PF encontra dificuldades na busca do responsável -ou responsáveis- pelo financiamento do dossiê. A maior suspeita para a origem do R 1,1 milhão destinado ao negócio são bancas de jogo do bicho, que estão sob investigação.
Folha

Tesoureiro do PT reuniu-se com Freud

Encontro aconteceu em apartamento de José Carlos Espinoza, outro assessor direto de Lula em campanhas eleitorais

Participantes da reunião se contradizem sobre motivo e conteúdo da conversa, ocorrida após depoimento de Freud Godoy na PF


O tesoureiro do diretório nacional do PT e coordenador de infra-estrutura da campanha do candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Paulo Ferreira, reuniu-se com Freud Godoy, ex-assessor especial da Presidência, após o depoimento que este prestou à Polícia Federal sobre a tentativa frustrada de compra de um dossiê contra o governador eleito de São Paulo, José Serra (PSDB).
A reunião ocorreu no apartamento de José Carlos Espinoza, 52, ex-chefe do Gabinete Regional da Presidência da República em São Paulo e um dos mais próximos assessores de Lula nas campanhas anteriores. Espinoza deixou o cargo no início da atual disputa para exercer, no comitê do presidente em São Paulo, a função de encarregado da agenda do candidato à reeleição.
Paulo Ferreira falou com a Folha às 18h25 de ontem. Indagado sobre a reunião, fez um discurso contra a imprensa e em defesa de Freud: "Escreva aí: Freud tem a minha inteira solidariedade". Em seguida, desligou o telefone sem nada responder. Mais tarde, ele confirmou ter ido à casa de Espinoza "dar um abraço" em Freud.
A data da reunião é imprecisa: Espinoza disse acreditar ter sido a noite do dia 18, e o advogado de Freud Godoy, Augusto Botelho, indicou a noite do dia 19. Freud prestou o primeiro depoimento à PF entre 14h e 18h20 do dia 18.
O motivo e o conteúdo da reunião de um implicado no caso do dossiê com o responsável pela arrecadação de dinheiro do PT também são controversos. Espinoza, que concedeu entrevista à Folha ontem à tarde na frente do comitê de Lula, na avenida Indianópolis (na capital paulista), disse que o pedido do encontro partiu de Freud, com a intenção de discutir "o seu futuro no PT".
Espinoza disse que Ferreira "tranqüilizou" Freud, mas negou que se tenha discutido auxílio financeiro a ele (leia texto nesta página).
O advogado de Freud, Augusto Botelho, que primeiro negou a reunião, mas depois a confirmou, apresentou uma versão diferente. Disse que a iniciativa partiu do tesoureiro, Paulo Ferreira, que queria "inteirar-se" do caso do dossiê.
O advogado se contradisse ao falar que não conhecia Espinoza. Apenas o teria visto anos atrás quando, na função de estagiário do escritório de advocacia do ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, foi colher uma assinatura de Lula para uma procuração.
Ao saber que o próprio Espinoza havia explicado à Folha que encontrou-se com ele horas antes da reunião com o tesoureiro, Botelho admitiu ter estado no prédio de Espinoza, na Mooca.
Segundo a última edição da revista "Veja", Freud e Espinoza tiveram uma reunião no dia 18, daquela vez na própria sede da superintendência da PF e com o preso Gedimar Pereira Passos, segundo uma carta enviada à revista por três delegados federais cujos nomes foram mantidos em sigilo.
A exemplo da PF paulista, Espinoza e o advogado de Freud negaram o encontro no prédio da polícia.
Segundo um primeiro depoimento prestado à PF pelo advogado Gedimar Passos, funcionário do comitê de Lula em Brasília, preso no dia 15 de setembro com R$ 1,7 milhão que seria usado para comprar o dossiê, a ordem para a operação teria vindo de Freud. No último dia 3, em ofício enviado ao Tribunal Superior Eleitoral, Passos retirou a acusação.
Folha