17.8.09
Filho de Sarney foi avisado de que seria alvo de ação, diz PF
A conclusão é de relatório da polícia, no qual há transcrições dessas conversas. De acordo com a PF, a sequência de conversas revela "fatos graves", que comprovam "vazamento".
O telefonema de Sarney para o filho ocorre em 28 de agosto de 2008. Um dia antes, o Ministério Público Federal no Maranhão havia dado parecer favorável à prisão de Fernando e a buscas e apreensões em diversos endereços, incluindo alguns do próprio empresário.
Até agora, os grampos já revelados na imprensa indicavam que Fernando sabia apenas que era investigado, mas não que ele tinha informações sobre a iminência de sua prisão e de ações da PF em suas casas e empresas nem que seu sigilo telefônico havia sido quebrado.
De acordo com a PF, as transcrições mostram que Fernando, sabendo o que ocorria, avisou os outros investigados, disse para eles terem mais cuidado ao usar o telefone e a esconder possíveis provas dos crimes que supostamente cometeu.
As ações seriam um desdobramento da Operação Boi Barrica (rebatizada de Faktor), que já levou ao indiciamento de Fernando sob suspeita de formação de quadrilha, falsidade ideológica, gestão de instituição financeira irregular e lavagem de dinheiro. Mas, no início de setembro do ano passado, o então juiz da 1ª Vara Federal de São Luís (MA) Neian Milhomem Cruz negou a maior parte desses pedidos. No relatório obtido pela Folha, a PF diz ao juiz que não adiantaria fazer as buscas deferidas pelo magistrado, porque os locais "já foram devidamente "limpos'".
Os grampos foram feitos com autorização da Justiça.
Na ligação de 28 de agosto de 2008, Sarney pediu a Fernando que ele fosse para Brasília, de onde o empresário havia saído no dia anterior, segundo a PF. "Eu acho que você podia vir o mais rápido aqui", diz Sarney. Após o filho falar que ia "tentar viabilizar" sua volta, Sarney insiste: "Não, venha hoje, tá?".
Pouco mais de uma hora depois desse telefonema, o empresário recebeu outra ligação, de um de seus advogados, com o mesmo teor: ele precisava falar com Fernando "urgente" naquele mesmo dia, em Brasília, pessoalmente. Segundo a PF, ele chegou à cidade à noite.
No dia 4 de setembro, Fernando diz para Gianfranco Vitorio Perasso, outro investigado, não fazer "alarde". "E sem apavoramento também, tá?", diz. Perasso é dono de empreiteiras que, de acordo com a PF, foram usadas para desviar dinheiro de obras públicas.
Minutos após, Perasso liga para um assessor do ex-ministro de Minas e Energia Silas Rondeau. Segundo a PF, o ministro participava da rede de tráfico de influência. Ele nega. Folha
15.8.09
Quem está dizendo a verdade
José Sarney.A ministra nega. Os políticos são um dos poucos grupos
que ainda não decidiram se mentir é uma virtude ou um vício
Otávio Cabral
Fotos Dida Sampaio/AE e Wilson Pedrosa/AE![]() |
| NO PLANALTO A ex-secretária da Receita Lina Vieira (à dir.) diz uma coisa. Lula e Dilma enxergam fantasia e mentira na acusação dela |
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| • Quadro: Entre fatos e versões |
Há séculos, filósofos debatem se é possível fazer política sem mentira. Otto von Bismarck, primeiro-ministro da Prússia no fim do século XIX, unificador da Alemanha, chegou a chanceler por meio de uma mentira. Em 1870, ele recebeu um telegrama escrito pelo embaixador da França propondo uma negociação entre as duas nações. Bismarck, defensor da guerra, alterou o texto, cortou frases inteiras e transformou o aceno de paz em uma declaração de hostilidade. Vieram a guerra, a vitória da Prússia e a unificação dos estados alemães. A revelação da farsa tempos depois maculou a imagem do herói que passou à história por defender abertamente a ideia de que um estadista precisa ter a mentira como arma legítima. Felizmente, com o triunfo das sociedades democráticas veio a intolerância com a mentira, mas nem isso tirou dela o papel central que exerce na prática política. Pergunte, por exemplo, ao presidente Lula o que ele pensa sobre o presidente do Congresso, senador José Sarney. Pergunte a alguns petistas de alto coturno o que eles realmente acham da candidatura da ministra Dilma Rousseff. As respostas serão políticas ou técnicas, mas elas mais esconderão do que revelarão. Isso é mentira? No mundo real, sim. Na política de todos os tempos, é apenas esperteza, inteligência ou habilidade. O pecado não está propriamente em mentir, mas em ser pego na mentira. Será? No Brasil de hoje, nem isso.
O senador José Sarney, por exemplo, disse em plenário que nunca usou o poder para beneficiar amigos e parentes – e segue tranquilamente no comando do Senado. Alguns senadores de oposição juram de pés juntos que não existe o chamado "acordão" para esconder as irregularidades no Congresso debaixo do tapete – e seguem fazendo de conta que lutam pela moralidade. A ministra Dilma Rousseff tem como regra negar peremptoriamente qualquer fato que a envolva de forma negativa – mesmo quando as evidências se voltam totalmente contra ela. Por essa razão, talvez, mesmo quando o ônus da prova é de quem a acusa, a ministra parece estar, se não mentindo, pelo menos omitindo alguma coisa. Isso é o que se vê agora, com sua negativa de que tenha se reunido com a ex-secretária da Receita Federal Lina Vieira para tentar interferir em uma investigação do órgão contra a família Sarney. Em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, na semana passada, a ex-secretária contou que, no fim do ano passado, foi chamada ao gabinete da ministra, no Palácio do Planalto, e ela pediu que a investigação sobre as empresas da família Sarney fosse concluída rapidamente. Lina disse ter interpretado o pedido como uma ordem para encerrar o trabalho. Por ter se recusado a cumpri-la, foi demitida. Cabe a Lina provar o que afirmou e reafirmou. Esse é o ponto de vista não apenas legal, mas também ético da questão. Entretanto, do ponto de vista político, infelizmente o que vale mesmo são as aparências.
Wilson Pedrosa/AE![]() |
| O PT QUE ENGOLE O apoio a Sarney, que causa protestos diários no Congresso, constrange a bancada petista no Senado. Mas ela faz de conta que nada tem a ver com isso |
A reação de Dilma Rousseff à acusação de Lina não agradou a uma parte do PT – aquela que, em público, diz que as explicações da ministra foram absolutamente convincentes. Embora careçam ainda de comprovação, as declarações da ex-secretária são de extrema gravidade e causaram preocupação no governo por dois motivos (verdadeiros). No campo administrativo, se provada a existência da reunião, a ministra teria cometido um crime de prevaricação e improbidade em benefício de um aliado, fatal para quem tem ambições à Presidência da República. No campo político, a reação de Dilma foi classificada como inábil para alguém que tem pela frente uma dura campanha presidencial, na qual acusações, provocações e denúncias são parte do jogo. Começar a partida com a fama de não escapar ilesa de acusações – sejam elas falsas ou verdadeiras – é o fardo que a candidatura de Dilma está tendo de carregar agora.
"Se o rótulo de mentirosa colar na ministra, será muito difícil superar isso em uma campanha", diz um petista com interlocução direta com o presidente Lula. Há sinais de que o episódio da Receita Federal chegou a fazer Lula questionar a escolha de sua candidata à sucessão. Em conversa com aliados, o presidente se mostrou preocupado com o fato de a ministra estar criando muitos atritos antes do início do processo eleitoral. Em público, Lula jamais admitirá isso, até porque Dilma só é candidata por imposição do próprio presidente. O problema é que existe um movimento subterrâneo do PT, supostamente os aliados da ministra, para tentar criar-lhe dificuldades. A história petista de Dilma é recente. Ela se filiou ao partido apenas em 1999, após romper com o PDT. Não pertence a nenhuma das correntes petistas e não tem influência na máquina partidária. Jamais disputou eleição e é considerada no partido apenas um quadro técnico. O PT aceitou sua candidatura por submissão a Lula, mas jamais se empolgou com a ideia. Nesta terça-feira, Lina Vieira deverá prestar depoimento na Comissão de Constituição e Justiça do Senado. Ela só foi convocada após afirmar a senadores de oposição ter como comprovar sua versão dos fatos. Não havia um único petista na sessão que aprovou o comparecimento da ex-secretária. O governo enxergou na "negligência" uma ação combinada da bancada petista no Congresso.
Fotos Cesar Greco/Foto Arena/AE e Sergio Dutti/AE![]() |
| NOS BASTIDORES Marina Silva, insatisfeita, deve trocar o PT pelo PV. Os petistas também não querem Ciro Gomes |
Há, de fato, uma insatisfação latente entre diversos setores do PT que não têm coragem de enfrentar o presidente Lula mas alimentam uma espécie de rebelião silenciosa. Em uma reunião com dirigentes do PT e do PSB, Lula não poupou críticas ao líder de seu partido, Aloizio Mercadante. Para Lula, se houve omissão ou falha do líder no caso da convocação da ex-secretária da Receita, é um fato grave. Mas, se a ausência da bancada foi deliberada, como forma de mandar um recado ao governo, é imperdoável. Mercadante e os petistas do Senado vêm batendo de frente com Lula desde a eleição de José Sarney para a presidência do Senado, em fevereiro passado. O PT queria o senador Tião Viana, e o governo, o PMDB, representado por José Sarney – que acabou vencendo a disputa e enfrentando uma saraivada de denúncias que o envolvem em nepotismo, favorecimento de familiares, contas secretas no exterior, desvios de recursos públicos e irregularidades administrativas. Boa parte dos escândalos envolvendo Sarney, suspeita o governo, teve origem em documentos e informações vazadas por parlamentares do PT.
O episódio Lina não foi o único a azedar a semana da ministra Dilma. Talvez pior tenha sido o aparecimento no cenário de campanha para 2010 da senadora petista Marina Silva, ex-ministra do Meio Ambiente, que recebeu convite do Partido Verde para se candidatar ao Planalto. "Tantos projetos que eu não consegui aprovar nestes anos… Se eu não consegui com o Lula, como é que eu vou lutar por mais oito anos com a Dilma?", disse ela. O Planalto convocou os dois principais aliados de Marina, o senador Tião Viana e o ex-governador Jorge Viana, para tentar demovê-la da ideia, mas eles nada fizeram, porque também estão insatisfeitos com Lula. Tião não se conforma com o boicote do presidente e de Dilma à sua candidatura no Senado. E seu irmão, Jorge, desconfia que Dilma foi contra a sua entrada no ministério após a queda de Marina. Para aumentar a tensão, os petistas de São Paulo, que comandam o partido, não querem nem ouvir falar no apoio, defendido pelo presidente Lula, ao deputado Ciro Gomes para o governo paulista.
"Falta a Lula dimensão histórica dessa crise. Sarney, Collor e outros representam a política que o Brasil quer superar. Ao apoiá-los e obrigar o PT a andar junto com essa gente, Lula está nos forçando a abraçá-los e morrer junto com eles", analisa um senador petista, sob a garantia do anonimato. Esse mesmo senador, se perguntado formalmente sobre a mesma história, dirá, em público, que Lula tem razão ao defender o presidente do Congresso, que não há nada de mais em andar acompanhado de Fernando Collor e que as críticas não passam de uma conspiração da oposição para tentar implodir o apoio do PMDB a Dilma em 2010. Diz o filósofo Roberto Romano: "A mentira sempre foi um componente histórico da política. O avanço da sociedade democrática serve como um antídoto, mas os políticos continuam fazendo da mentira um instrumento de trabalho". Sendo realistas, foi, é e sempre será assim.Veja
13.8.09
Chávez ameaça ocupar campos de golfe
Depois das recentes divergências sobre as bases militares na Colômbia, sobre a deposição de Manuel Zelaya em Honduras, sobre o relatório de drogas do Departamento de Estado, Washington e Caracas abriram ontem um novo front: o golfe.
"Uma vez mais Chávez, uma das figuras mais desagregadoras da região, saiu dos "limites do campo'", ironizou PJ Crowley, porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, usando uma expressão do esporte de que é adepto.
No domingo, Chávez disse que o esporte só era praticado pela classe alta e que os campos de golfe deveriam ser usados para conjuntos habitacionais.
"Acho que esse é um esporte burguês, e não se justifica que no meio de uma cidade haja um campo de golfe, fazendo falta tanto terreno para edificações para o povo", afirmou, durante o programa "Alô, Presidente", gravado na cidade de Maracay, a cerca de 80 km a oeste de Caracas.
"Eu respeito todos os esportes, todos", disse Chávez, que no domingo atrasou em três horas o início do seu programa para assistir a um jogo de softbol pela TV. "Mas alguém pode dizer que esse [golfe] é um esporte popular. Não é, não é."
O "New York Times" noticiou que Chávez planeja desapropriar dois campos. O de Maracay seria usado para um conjunto habitacional ou uma universidade, e o de Caraballeda, para um parque infantil. (FM)
No primeiro dia, fracassam buscas no Araguaia
O ponto da fazenda Tabocão onde teria sido sepultado Rodolfo Troiano, o Manoel, foi escavado em dois trechos, a quase um metro de profundidade.
Antes da abertura das valas, peritos da PF e da Universidade Federal do Ceará passaram um radar que capta objetos a até quatro metros de profundidade. Ele registrou o que os especialistas chamaram de "anomalias". As "anomalias" eram raízes e pedras, e os antropólogos forenses e geólogos desistiram do lugar.
Eles integram a comissão formada pelo Ministério da Defesa para buscar ossadas dos cerca de 60 guerrilheiros desaparecidos durante a repressão das Forças Armadas ao movimento organizado pelo PC do B, que vivia na ilegalidade nos anos 60 e 70. Militares exterminaram a guerrilha em 1974.
A fazenda foi informada como local de enterro de guerrilheiro pelo mateiro José Maria Alves, o Zé Catingueiro, que trabalhava com o coronel Sebastião Rodrigues de Moura, o Curió. Há duas semanas, Catingueiro indicou com precisão o local. Ontem, ele justificou o fracasso da escavação pelo fato de terem se passado 37 anos: "A terra já comeu tudo".
Também foram feitas buscas em Marabá (PA), na sede do Dnit. Foi passado o radar e hoje deve haver escavações.
A 1ª Vara da Justiça Federal de Brasília intimou Curió a depor e apresentar à Justiça papéis da guerrilha que estiverem com ele. Folha
Chefe de gabinete da Receita confirma declaração de Lina!
Segundo Iraneth Weiler, Erenice Guerra, auxiliar da ministra, foi à sala de Lina agendar encontro no final de 2008; Dilma nega reunião
A chefe de gabinete do secretário da Receita Federal, Iraneth Dias Weiler, deu ontem depoimento à Folha em que corroborou detalhes das declarações que a ex-secretária Lina Maria Vieira faz sobre encontro que teria tido com a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil).
Em entrevista à Folha no domingo, Lina disse que, no final do ano passado, foi chamada para uma reunião reservada com Dilma no Planalto. No encontro, segundo Lina, a ministra pediu para acelerar a auditoria que, por decisão da Justiça, o fisco faz nas empresas da família de José Sarney (PMDB-AP), dirigidas pelo filho mais velho do senador, Fernando.
Dilma afirma que jamais esteve a sós com Lina, que não houve reunião no Planalto e que não fez pedido nenhum. Desafiou a ex-secretária a provar o que havia afirmado.
Funcionária de carreira da Receita, Iraneth confirmou que Erenice Guerra, secretária-executiva da Casa Civil, foi ao gabinete de Lina no final do ano passado. "Ela entrou pela porta do corredor, não passou pelas secretárias. Não foi uma coisa que constava da agenda."
Segundo Iraneth, Lina falou com ela sobre o convite do Planalto logo após a visita de Erenice e disse "que teria um encontro reservado no Planalto".
Até o fechamento desta edição, a Casa Civil não comentou a participação de Erenice no episódio. Anteontem, o chefe de gabinete da Presidência, Gilberto Carvalho, disse: "A Erenice me garantiu que jamais foi ter essa conversa com Lina".
Iraneth trabalha na direção da Receita desde setembro. Continua na gestão do secretário interino Otacílio Cartaxo.
A servidora afirmou que não se lembra da data da visita de Erenice. Disse que reuniões inesperadas, embora frequentes, não são registradas na agenda oficial do órgão.
Iraneth, no entanto, se recorda de detalhes do encontro. Contou que estava com Lina no gabinete quando Erenice apareceu. Uma integrante da equipe de segurança havia avisado pelo interfone da visita.
Iraneth disse que abriu a porta para Erenice e deixou a sala, "como sempre faço nesse tipo de conversa". "Eu confirmo que ela [Erenice] esteve aqui e que a secretária falou que iria ao Palácio."
O gabinete do secretário da Receita fica no 7º andar do Ministério da Fazenda, mas está em obras desde meados do ano passado. Assim, Lina (e hoje Cartaxo) estava provisoriamente instalada no 6º andar. Um corredor dá acesso direto ao gabinete improvisado, sem que o visitante precise passar pelas recepcionistas nem pela chefe de gabinete.
Lina diz não se lembrar exatamente da data da audiência, mas que foi no final do ano passado. Na época, Sarney estudava se candidatar à Presidência do Senado, cargo para o qual foi eleito em fevereiro, com a chancela do Planalto.
A Receita começou a montar uma equipe especial para tocar a auditoria nos negócios dos Sarney em outubro. Segundo Lina, semanas depois Dilma chamou-a para conversar. Lina foi demitida em 9 de julho. A Folha apurou que a recusa dela a atender pedidos de políticos contribuiu para a sua queda.
12.8.09
Em meio à crise, Lula propõe concessão de rádio a filho de Renan!
Medida do presidente foi formalizada um dia após bate-boca de líder peemedebista com tucano Tasso Jereissati no Senado
Em 2007, Renan foi alvo de processo no Conselho de Ética sob suspeita de ser o dono da emissora e usar laranjas para omitir compra
No meio do turbilhão da crise no Senado, o presidente Lula encaminhou ao Congresso o processo para aprovação de uma concessão de rádio FM para a família de Renan Calheiros, líder do PMDB e um dos comandantes da tropa de choque para a manutenção de José Sarney na presidência da Casa.
A concessão, em nome da empresa JR Radiodifusão, é para o município de Água Branca, uma cidade de 20 mil habitantes no sertão de Alagoas. Lula enviou a mensagem ao Congresso na sexta, um dia após violento bate-boca, no plenário, entre Renan e Tasso Jereissati (PSDB-CE). Renan nega ter influenciado a tramitação.
No site do Ministério das Comunicações, as informações sobre o andamento do processo são contraditórias. Consta que em 5 de março deste ano foi enviado à Presidência da República, onde não teria sido recebido, e voltou para a pasta.
Não há registro no sistema de consultas on-line do ministério sobre a data em que se deu a entrada na Presidência. Desde a Constituição de 1988, é obrigatória a aprovação das concessões e das renovações das concessões de radiodifusão pela Câmara e pelo Senado, e cabe ao presidente da República enviar os processos ao Congresso.
O senador não figura como acionista da JR Radiodifusão, mas sim seu filho, José Renan Calheiros Filho, prefeito de Murici (AL). O principal acionista, Carlos Ricardo Santa Ritta, é assessor de Calheiros no Senado. Outro acionista, Ildefonso Tito Uchoa, também foi seu assessor no Senado.
Por causa da JR Radiodifusão, o mandato de Renan esteve em risco, em 2007. Ele foi acusado de ser dono da empresa por meio de laranjas e de quebra de decoro parlamentar. Sofreu processo no Conselho de Ética, mas foi absolvido pelo plenário do Senado.
Durante a investigação, o ex-senador e usineiro alagoano João Lyra afirmou ao corregedor do Senado que Calheiros era ""sócio oculto" das rádios. Quotas das emissoras foram pagas com cheques dele. O senador justificou os cheques dizendo que deu dinheiro para o filho se tornar sócio.
Licitação
A outorga da rádio em questão foi oferecida, em licitação pública, pelo Ministério das Comunicações, em 2001. A JR venceu a licitação, ao oferecer o maior preço, R$ 251 mil.
Na mesma licitação, ela comprou mais três concessões de rádio no interior de Alagoas: para os municípios de Joaquim Gomes, Murici e Porto Real do Colégio. O preço das licenças somou cerca de R$ 1 milhão.
Os processos das outras três rádios concluíram o trâmite burocrático e foram autorizados pelo Congresso em 2007. O próprio Renan Calheiros -na época presidente do Senado- assinou os decretos autorizando as licenças, que, no caso de rádios, são de dez anos renováveis. O da emissora em Água Branca empacou, pois a documentação estava incompleta. Folha
8.8.09
Louco por uma guerrinha
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Duda Teixeira
Ariana Cubillos/AP![]() |
| BANGUE-BANGUE Chávez lança foguetes: mentiras e mais mentiras |
Quando começa uma ditadura? Até agora, essa era a principal pergunta que pairava sobre a Venezuela. Eleito e reeleito pelo voto popular, o tenente-coronel Hugo Chávez Frías tem torpedeado sistematicamente as instituições democráticas para implantar o que chama de "socialismo do século XXI" - uma mistura do pior que têm a oferecer o populismo, o ultranacionalismo e o esquerdismo em suas manifestações mais infantis. Ao longo de dez anos, com um típico surto de hiperatividade nas últimas semanas (veja um resumo no quadro), os principais requisitos para um regime totalitário foram se acumulando: imprensa acuada, Judiciário cooptado, opositores exilados, economia estatizada, Legislativo domesticado e educação ideologizante. Chávez tem apelo, em especial entre as camadas da população que nunca se sentiram representadas, e usou - muito mal, mas usou - o dinheiro do petróleo para simular melhorias para os mais desvalidos. Também é hábil na manipulação cínica do antiamericanismo, como demonstrou ao transformar o caso das armas que saíram do arsenal venezuelano direto para as mãos dos bandidos pseudoesquerdistas da vizinha Colômbia em crise diplomática sobre a atuação de forças americanas no país em operações de repressão ao narcotráfico. Quando não seduz pelo populismo e pelas benesses, ele usa milícias que atacam opositores - depois, finge condenar exageros, como no caso do ataque à Globovisión, baseado na premissa absurda de que gangues armadas poderiam agir em plena capital do país sem o seu beneplácito. Tudo isso é conhecido, e a ópera-bufa da semana passada só relembrou como é triste ver Chávez e seus chavetes destruir o projeto democrático. Mas, enquanto a primeira dúvida vai se esclarecendo, da pior maneira possível, outra questão, tão ou mais dramática que a primeira, surge no ar. A Venezuela é um estado que promove o terrorismo? Poderia, ainda, estar afundando no pântano do tráfico de drogas?
As peças necessárias para compor a resposta a essas perguntas têm brotado aos borbotões desde que o guerrilheiro Raúl Reyes, então considerado o número 2 das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), foi morto em uma ação do Exército colombiano em território do Equador. Seus notebooks, encontrados entre os escombros do ataque, revelaram-se uma fantástica caixa de Pandora que tem exposto em detalhes a atuação das Farc, que alia o discurso esquerdista à prática do narcotráfico, e sua ampla rede de colaboradores. Aos 600 gigabytes de informação fornecidos involuntariamente por Reyes, soma-se volume quase semelhante de vídeos, fotos e e-mails encontrados em outros laptops. Depoimentos de ex-guerrilheiros e de pilotos capturados também compõem um quadro detalhado. Alguma dúvida sobre a conclusão? Se houver, esclareça-se: Chávez dá dinheiro, guarida, armas, assistência médica e incansável apoio político às Farc, bando que controla 60% da produção e do tráfico de cocaína na Colômbia. Nas mensagens trocadas entre a elite do grupo ele é chamado de Angel, ou Anjo. Entre as "bondades" angelicais está o caso dos lança-foguetes antitanque que haviam sido vendidos pela Suécia ao Exército venezuelano e - surpresa, surpresa - aparecem em poder das Farc. Com capacidade de perfurar um muro de concreto, os projéteis podem explodir aviões e helicópteros, justamente os principais instrumentos usados na campanha que tem acuado os narcoterroristas. Diante da prova irrefutável do crime, Chávez recorreu à tática habitual do contra-ataque: congelou relações diplomáticas com a Colômbia, insultou o presidente Álvaro Uribe, suspendeu o comércio bilateral e transformou o uso de bases militares colombianas por forças americanas na questão central. Nem é preciso dizer que o governo brasileiro aquiesceu com prazer. Em face da ameaça representada por uma força clandestina de vários milhares de militantes que espalham a extorsão, o sequestro e o tráfico de cocaína nas proximidades das fronteiras nacionais, e da ação antidrogas de até 800 militares sob comando do governo Obama, Brasília optou sem hesitar pela condenação à segunda opção.
Apesar de terem constituído um mesmo país, a Grande Colômbia, e terem compartilhado o mesmo herói libertador, Simon Bolívar, e trajetórias históricas cheias de percalços, Colômbia e Venezuela ocupam hoje polos opostos. No século XX, enquanto a Colômbia esteve apenas dez anos sob regime ditatorial, a Venezuela enfrentou sete ditaduras que consumiram mais de meio século. Em compensação, a Colômbia teve uma guerra civil terrível e, depois de um período de estabilidade, viveu um flagelo nacional com a violência inominável instaurada quando floresceram os grandes chefes do tráfico de cocaína. Nas décadas de 80 e 90, o país quase afundou por completo na autodestruição. Quando Bogotá esteve sitiada, viajar em estradas rumo ao interior era certeza de sequestro. Políticos eram assassinados - ou consumidos pelo poder de corrupção da droga. Plomo o plata - bala ou dinheiro. Para muitos colombianos de então, a Venezuela era o vizinho estável onde poderiam tentar recomeçar a vida. A recuperação do país foi esboçada em 1999, com a assinatura do Plano Colômbia. Desde então, os americanos ajudam - com dinheiro, armas, treinamento e inteligência - os policiais e militares colombianos a combater os plantadores de coca e os guerrilheiros que lhes dão proteção. O sucesso é incontestável: o número de sequestros caiu 85%, a economia cresceu e o investimento externo quintuplicou. A produção de cocaína resiste, mas atualmente a droga não sai mais diretamente da Colômbia para a distribuição nos Estados Unidos e na Europa. Adivinham que país se transformou na principal plataforma de saída dos aviões clandestinos carregados de coca?
Em outros campos a Venezuela de hoje também parece a Colômbia voltando no tempo. A economia está sendo destruída. Entre os motivos estão congelamento de preços, expropriações e aparelhamento ideológico da grande, e quase exclusiva, fonte de renda, o petróleo. A corrupção supera até os conhecidos padrões latino-americanos. Faltam produtos de primeira necessidade - e, cada vez mais, os de segunda e terceira também: importar qualquer coisa virou um inferno. A inflação deve chegar a 36% neste ano, a maior da região. Para encher, mesmo que tropegamente, as prateleiras dos supermercados, o país depende, ironicamente, da Colômbia. Caracas, e não Bogotá, é a cidade mais perigosa da América do Sul. Em dez anos de Chávez, 1 milhão de venezuelanos de nível superior e técnico emigraram. Muitos foram para a Colômbia. Infelizmente, quando a maioria dos venezuelanos descobrir o embuste de Chávez, terá de confrontar um sistema construído para a sua perpetuação no poder. Todo mundo sabe como é duro acabar com uma ditadura.
Com reportagem de Juliana Cavaçana
4.8.09
Caracas e Farc mantêm laços, afirma jornal
O material, segundo o jornal, "sob revisão de serviços de inteligência ocidentais", aponta que guerrilheiros receberam ajuda do alto escalão da Inteligência e das Forças Armadas do governo Hugo Chávez para firmar acordos de compra de armas na Venezuela e obter documentos para andar livremente no país.
Segundo o "Times", as informações foram obtidas "nos últimos meses" e atestam que as relações das Farc com o país continuaram estreitas mesmo após o ataque colombiano a uma base do grupo no Equador, que detonou a mais grave crise regional em ao menos dez anos.
O suposto elo entre Caracas e a narcoguerrilha está na origem da mais recente da série de crises diplomáticas entre governos de Venezuela e Colômbia.
Há uma semana, Chávez congelou as relações bilaterais e convocou seu embaixador em Bogotá em retaliação às insinuações do governo Álvaro Uribe de que a Venezuela forneceu três lança-foguetes encontrados com as Farc.
O chanceler colombiano, Jaime Bermúdez, disse que não descarta denunciar Venezuela e Equador a tribunais internacionais por apoio às Farc.
Globovisión
Em Caracas, um grupo armado partidário de Chávez atacou ontem a sede da TV opositora Globovisión com bombas de gás lacrimogêneo. Ao menos duas pessoas ficaram feridas.
A Globovisión vem sendo ameaçada de fechamento pelo governo Chávez por suposta prática de "terrorismo midiático".
O Ministério do Interior da Venezuela condenou a ação "criminosa" e prometeu levar os autores à Justiça. "Não aceitamos que a violência seja instrumento para dirimir diferenças."
No final de julho, a Justiça venezuelana proibiu o dono da Globovisión, Guillermo Zuloaga, de deixar o país. Zuloaga é acusado de fraude, porém alega sofrer perseguição política.
Também ontem, o governo da Venezuela ocupou as instalações de duas indústrias processadoras de café acusadas de práticas de abuso e monopólio, que provocaram a escassez do produto no mercado nacional, segundo o Ministério da Agricultura.
As unidades da Fama de América e da Café Madrid ficarão nas mãos do Estado por até 90 dias e passarão por "auditoria profunda", segundo o governo, que ameaça expropriar as fábricas caso irregularidades sejam confirmadas.Folha
No bastidor, Lula reforça ações pró-Sarney
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu ontem desautorizar a versão de que estaria desembarcando da canoa de José Sarney (PMDB-AP). De público, elogiou o Congresso. Nos bastidores, reforçou ações para manter o peemedebista na Presidência do Senado.
Na avaliação de Lula, a queda de Sarney, por licença ou renúncia, criaria um problema maior do que ele tem hoje. Haveria risco de ruptura da aliança entre PT e PMDB, sustentáculo do governo para enfrentar a CPI da Petrobras no Senado e embrião da eventual candidatura presidencial da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil).
Atualmente, Lula lida com uma crise política na sua base de apoio numa Casa do Congresso na qual sempre passou sufoco. A licença ou renúncia de Sarney gerariam, pensa o presidente, um ambiente imprevisível a um ano e meio do final de seu governo e na véspera de um ano eleitoral.
Um auxiliar de Lula disse que Sarney tem demonstrado disposição de resistir. Não vou sair pelas portas do fundo, afirmou o peemedebista em conversas reservadas.
Nas palavras desse auxiliar, Sarney, como escritor, não deseja que os capítulos finais de sua vida pública sejam marcados por uma renúncia sob suspeita de irregularidades.
Depois de se reunir com Lula, o ministro José Múcio Monteiro (Relações Institucionais) disse que o governo segue apoiando Sarney, que, segundo ele, não renunciará ao cargo.
À noite, Múcio jantaria com líderes petistas e peemedebistas para reforçar o apoio a Sarney. O objetivo é reforçar laços entre PT e PMDB, sempre sob o discurso de que se trata de um enfrentamento com a oposição, para manter Sarney no cargo, atuar unidos na CPI da Petrobras e costurar um acordo para apoiar Dilma na sucessão presidencial de 2010.
Ao sancionar a Lei da Adoção, logo após ouvir de Múcio um relato sobre a crise no Senado, Lula disse que o Congresso faz mais coisas boas que ruins: Se a gente for colocar em uma balança as coisas boas e as coisas más que foram acontecendo no Congresso, as coisas boas são infinitamente superiores. Mas, muitas vezes, as coisas boas não têm o destaque que a gente gostaria que tivesse.
Na semana passada, Lula tentou se dissociar da crise: Não é problema meu. Não votei no Sarney para ser presidente do Senado nem votei para ele ser senador no Maranhão. Ontem, porém, em reunião com ministros pela manhã, Lula disse que o governo deve continuar apoiando Sarney.
Lula foi informado pela cúpula do PT que estava em andamento uma estratégia para evitar que os senadores petistas continuassem a pressionar pela saída do peemedebista. A operação é comandada pelo ex-ministro José Dirceu e pelo presidente do PT, Ricardo Berzoini.
Informado da manutenção do apoio de Lula, o presidente do Senado mandou recados ao petista: não renunciaria e iria para a guerra contra dissidentes do PMDB e oposicionistas. Folha
1.8.09
Conversa com Augusto Chagas : "Trabalhar, só depois"
De que trata esse projeto? Ele prevê que o estado indenizará a UNE por demolir nossa sede na ditadura militar. O valor pode variar de 36 a 72 milhões de reais.
O que será feito com esse dinheiro? Queremos construir uma nova sede, projetada por Oscar Niemeyer. A obra está orçada em 35 milhões de reais. Teremos um centro cultural e uma torre comercial, que poderá ser alugada.
Então, se conseguir a indenização, a UNE não precisará mais pedir dinheiro ao governo. Aí, não. São coisas diferentes. É dever do governo e das estatais ajudar os estudantes a financiar suas atividades.
Quais? Nossos congressos. Mas eles não são só uma oportunidade para que os esquerdistas arranjem namoradas? Ah, isso não tem nada a ver.
Não é por isso que você é esquerdista? Não, é porque só saídas coletivas vão dar uma resposta aos problemas da humanidade. O capitalismo é limitado.
Quando você entrou na faculdade? Em 2001.
Oito anos não foram suficientes para se formar? Na universidade, você decide quanto vai estudar em cada ano. Estou fazendo devagar.
E trabalha? Estou dedicado só aos estudos e à militância. Trabalhar na minha área, a computação, só depois. Veja



