28.8.07
Petistas fazem jantar de desagravo a acusados
O evento foi marcado para aproveitar a presença dos delegados que estarão chegando para o congresso, em que a questão da ética e a avaliação das crises que o partido atravessou desde 2005 deverão estar na pauta. Apesar de ocorrer numa churrascaria, será um rodízio de pizzas, massas e saladas.
O pretexto para o ato é a sessão do STF (Supremo Tribunal Federal), que desde a semana passada analisa se aceita a denúncia contra 40 pessoas.
Entre os petistas,foram denunciados o ex-ministro José Dirceu (Casa Civil), o ex-tesoureiro do partido Delúbio Soares, o ex-presidente do PT e atual deputado federal por São Paulo José Genoino, o ex-presidente da Câmara João Paulo Cunha (SP), o deputado Paulo Rocha (PA), os ex-deputados João Magno (MG) e Professor Luizinho (SP) e o ex-ministro Luiz Gushiken (Secom).
A idéia do jantar surgiu entre apoiadores de João Paulo em sua base política, Osasco (SP), mas o desagravo deverá se ampliar para todos os petistas acusados. Os organizadores esperam entre 200 e 300 pessoas no evento, no restaurante Parrilla Brasileña. A capacidade da casa é de 250 pessoas sentadas, e cada convidado pagará sua parte: R$ 9,90 só pelo rodízio. Um convite começará hoje a ser distribuído via internet.
"Pensamos num ato de desagravo porque o pessoal ficou muito indignado com a aceitação da denúncia contra o João Paulo, especialmente a que tratou da lavagem de dinheiro", disse Sergio Ribeiro, membro da direção estadual do PT e um dos organizadores do evento.
A expectativa é que Genoino, Dirceu e os outros petistas denuciados no escândalo compareçam, embora eles ainda não tenham confirmado. O ato de desagravo servirá como combustível político para o grupo enfrentar os debates no congresso, que começam na manhã seguinte e vão até domingo.
Formalmente, o jantar é um evento de petistas, e não do PT. O partido institucionalmente não está contribuindo financeiramente, até porque a reputação dos mensaleiros é grande na ala que controla o partido, mas bem menor em tendências internas de oposição.
Dificilmente figuras de proa de tendências "radicais" ou da órbita do ministro da Justiça, Tarso Genro, comparecerão, uma vez que fazem oposição acirrada ao grupo que protagonizou o escândalo do mensalão dentro do partido.
Folha
27.8.07
Estrela de Lula vai "morder os cansadinhos"
Um novo bichinho, porém, está chegando ao lar presidencial: a cadelinha Estrela, de oito meses, um presente do cabeleireiro Wanderley Nunes para o casal. Ela foi batizada com o nome por causa da marca que tem no peito. Estrela é da raça cane corso. Os pais dela são italianos. Quando crescer, ela ficará do tamanho de um doberman.
Estrela chegou à família no fim de 2006. Passou o Natal com Lula, em São Bernardo. Pouco depois, foi internada na Acãodemia, do treinador Gilberto Miranda. "É um cachorro para ninguém chegar perto do presidente. Ela foi treinada para morder os cansadinhos", brinca Wanderley, referindo-se ao movimento "Cansei".
"Quando eu fui buscá-la, o presidente Lula ficou preocupado. Ele queria saber se o treinamento era feito com carinho e com jeito", diz Gilberto Miranda. Por quatro meses, Estrela recebeu adestramento para "sociabilidade e obediência", e agora está pronta para viver com os novos donos. "Ela é uma cadela bonita, ativa e inteligente", afirma Miranda. Os cães da raça são de guarda, sempre alertas para proteger os donos e as propriedades em que vivem. O treinador conta que a raça cane corso foi trazida pelo apresentador Faustão ao Brasil, há cerca de 15 anos. Têm que se alimentar com ração de primeira linha e tomar banho a cada 15 dias.
Com a chegada de Estrela a Brasília, será possível fazer uma espécie de "reunião de governo" dos cães. A ministra Dilma Rousseff, por exemplo, mora com Nego, o cão labrador que já foi de José Dirceu e que ela "herdou" quando o ex-ministro deixou Brasília.
Mônica Bergamo
Oposição desconfia da promessa de Lula
- Ele já disse muitas coisas e não fez - criticou Agripino.
A entrevista tratou de temas como: sucessão, crise aérea, mensalão, economia, reforma política. O presidente afirmou que não concorrerá a um terceiro mandato consecutivo porque, segundo ele, "quem se acha insubstituível vira um ditadorzinho".
Na avaliação do professor de ciência política da Universidade de Brasília Otaciano Nogueira, Lula deu opiniões cautelosas a um jornal conservador sem entrar em polêmicas. Nogueira acredita que o petista deixou claro ser um bom marqueteiro ao dizer que deseja subir no palanque para fazer seu sucessor, apesar de saber que isso é contra a lei.
Nos bastidores, existe a possibilidade de Lula estar se dedicando à aprovação da legalidade de um terceiro mandato. Mas o professor ressalta que o presidente quer manter o PT dentro do grupo que ficará no poder, mas não necessariamente na cabeça de chapa.
Para isso, as articulações que o presidente da República vem fazendo de aproximação com os governadores da base aliada e até mesmo de oposição, caso do governador de Minas Gerais, o tucano Aécio Neves, o que deverá desestimular o PT a ter candidato próprio.
- O presidente Lula já falou várias vezes com o governador mineiro Aécio Neves para que deixe o PSDB e vá para o PMDB para candidatar-se à Presidência - lembra Nogueira.
Otimista no setor econômico e cuidadoso ao falar de crise aérea, o presidente preferiu não tratar diretamente sobre a possibilidade de criar mecanismos para demitir diretores da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Disse apenas que as agências têm o papel de regular (fiscalizar) os serviços e cabe ao governo determinar as políticas públicas a serem implementadas. Para o senador José Agripino, a conduta do presidente e a atuação de toda a sua equipe de governo não dão credibilidade para que essa entrevista seja considerada balizadora.
Ao ver as manchetes dos jornais falando que a crise nos Estados Unidos pode atingir o Brasil, Lula afirmou que nunca esteve "tão tranqüilo" Na sua avaliação, a economia brasileira está constituída em bases muito sólidas e, por isso, caminha também para estabilidade social.
Para o senador Agripino, a postura do presidente neste sentido é bastante preocupante, afinal, a liquidez internacional é que tem garantido os bons resultado da economia do Brasil. Segundo um dos principais líderes da oposição, esse é um erro de avaliação do presidente porque não há como segurar a estabilidade brasileira apenas com o consumo interno.
- O Brasil não sobrevive sem a abertura para o mercado internacional. A compra de commodities brasileiras pelo mercado externo é que assegura os bons resultados da balança comercial. Sem a liquidez internacional, o Brasil estaria longe dos US$ 160 bilhões em reservas no exterior - avaliou Agripino.
Jornal do Brasil
25.8.07
O pouso forçado da charuteira
Denise: ela jura que não mente, não protege empresas e não fuma charutoUma das personagens mais sombrias da crise aérea, a advogada Denise Abreu saiu do ar na sexta-feira passada. Em março de 2006, ela havia assumido um cargo-chave na então recém-criada Agência Nacional de Aviação Civil (Anac): a diretoria de serviços aéreos. Conhecia pouco de aviação, mas, com um estilo impositivo, mandava mais na agência do que o diretor presidente, Milton Zuanazzi. As investigações do acidente com o Airbus da TAM, que matou 199 pessoas em Congonhas, revelaram que Denise se mantinha perigosamente próxima das empresas que deveria fiscalizar – e ela foi obrigada a pedir demissão. Já se sabia que seu irmão, o advogado Olten Abreu Júnior, prestava serviços à TAM. Na semana passada, descobriu-se que a diretora da Anac chegou a ludibriar a Justiça para favorecer as companhias aéreas. Em fevereiro, a desembargadora paulista Cecília Marcondes julgava uma ação que restringia o pouso de aviões em Congonhas nos dias de chuva – medida que desagradava às empresas. Ao receber de Denise um documento da Anac regulando essa mesma matéria, deu uma sentença que favoreceu as companhias. O papelório da Anac chegou à mesa da desembargadora como se fosse uma norma, mas era só um estudo técnico.
A fraude levou o ministro da Defesa, Nelson Jobim, a abrir um inquérito administrativo para averiguar o caso. Simultaneamente, a CPI do Apagão Aéreo quebrou os sigilos fiscal, bancário e telefônico da diretora da Anac. Na sexta-feira, o Ministério Público pediu seu afastamento. O bombardeio encerrou a carreira de Denise no setor aéreo. Seus primeiros vôos nessa área foram feitos no início do governo Lula. Seu chefe de então, o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, incumbiu-lhe de acompanhar o salvamento da Varig. Denise embrenhou-se em um projeto de fusão dessa empresa com a TAM. O negócio não saiu, mas a preposta de Dirceu criou uma relação sólida com a TAM. Com ela, pavimentou sua nomeação para a Anac.
Foi o auge de uma carreira pública de vinte anos, na qual ela diz ter sido mal compreendida. Filha de um juiz de futebol, Denise tornou-se procuradora do estado de São Paulo em 1987. Seus amigos no PMDB lhe arranjaram uma vaga na assessoria do ex-governador Luiz Antônio Fleury Filho. Poucos entenderam quando, em 1995, ela aderiu ao PSDB. Foi chefe de gabinete de José Guedes, secretário de Saúde do governo Mário Covas. Ocupou o mesmo cargo na pasta da Assistência Social, em que fez amigos. Por meio deles, passou a acompanhar as obras da antiga Febem – o que não fazia parte de suas atribuições. Suas relações com empreiteiros foram incompreendidas pelos tucanos, que a afastaram do cargo. Quando Lula chegou ao Planalto, Denise virou petista. Chamada para Brasília por José Dirceu, seu colega de faculdade, demitiu-se do estado, onde tinha um salário de 9 800 reais, para ganhar 4 900 reais no Planalto. Lá, mais uma vez foi incompreendida. Interpretaram mal até seu charuto. Ela diz que só fumou uma vez – e nem tragou. Denise reclama muito de incompreensão, mas o que ninguém entende é como ela mandou durante um ano e meio na aviação nacional.
Veja
Inveja e preconceito
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ontem, no Paraná, que sofre uma "campanha da imprensa" contra ele e seu governo. "Tem gente que fica o tempo inteiro torcendo para a coisa não dar certo", disse Lula. "A inveja e o preconceito são duas doenças malignas que nascem na cabeça de algumas pessoas", completou.
O presidente afirmou identificar esse comportamento em "determinados setores da imprensa [...] que pensam que, por falar na televisão ou escrever, são donos da verdade". Ele se valeu da deixa do governador Roberto Requião (PMDB), que, em discurso antes de Lula, falou em "mídia deletéria" e "mídia desacreditada".
"Certamente, as críticas que o companheiro Requião fez ao comportamento de determinados setores da imprensa brasileira não atinge os profissionais da imprensa, os jornalistas, aqueles que vivem de salário. Atinge, na verdade, aqueles que pensam que por falar na televisão ou escrever são os donos da verdade. Então, eu acho que nós estamos vivendo um momento importante", disse Lula, para cerca de 3 mil pessoas.
Ainda ontem, Lula viajou para Porto Alegre (RS). Nos dois Estados, participou de eventos do PAC. No Rio Grande do Sul, partidos da base aliada e movimentos sociais simpatizantes ao governo fizeram uma manifestação pró-Lula. Mas um grupo de dez integrantes do movimento Luto Brasil -criado a partir do acidente com o vôo da TAM- tentou fazer uma manifestação contra o presidente.
O protesto terminou com um princípio de tumulto e cartazes do movimento rasgados pelos manifestantes favoráveis ao governo, o que fez os integrantes do Luto Brasil desistir da manifestação e ir embora.
Folha
Nomeada por Renan revisa depoimento
"Se houve mudança, vou denunciá-la", diz o relator Casagrande, que quer pedir o áudio do depoimento para checar com a transcrição
A secretária-geral da Mesa do Senado, Cláudia Lyra, revisou pessoalmente e reteve ontem o depoimento secreto do presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL), prestado aos relatores do processo contra ele no Conselho de Ética.
O depoimento aconteceu na noite de anteontem, a portas fechadas, no gabinete do presidente do conselho, Leomar Quintanilha (PMDB-TO). Acompanharam a reunião os três relatores do caso -Renato Casagrande (PSB-ES), Marisa Serrano (PSDB-MS) e Almeida Lima (PMDB-SE)-, Quintanilha, o contador de Renan, José Appel, dois assessores do conselho e a própria Cláudia Lyra. As falas foram gravadas por um operador de áudio do Senado.
Durante cerca de duas horas, Renan tentou rebater dúvidas da perícia da Polícia Federal.
A previsão era que notas taquigráficas da sessão fossem disponibilizadas aos relatores no início da manhã. Tradicionalmente, esse tipo de procedimento leva poucas horas para ser concluído. No entanto, por volta das 17h, após dois funcionários de seu gabinete voltarem com as mãos vazias da Secretaria Geral da Mesa, Marisa Serrano foi pessoalmente em busca dos dados, mas não encontrou Cláudia. Ela revisava a íntegra do depoimento na sala da Secretaria de Taquigrafia.
Flagrada por jornalistas com um fone de ouvido, Cláudia fazia anotações a lápis na transcrição do depoimento que, segundo ela, seriam repassadas ao computador. Havia frases riscadas, palavras e números circulados e anotações feitas nas laterais de quase todas as páginas. Ela enviou uma cópia ontem à noite à senadora.
Nomeada por Renan para o cargo, Cláudia é funcionária de carreira do Senado. Sua irmã é secretária do gabinete da presidência. Quando foi abordada, a tela do computador exibia trechos de um diálogo no qual Renan argumentava que a ausência de despesas de custeio nas fazendas se explicava pelo fato de elas serem supridas pelo espólio do pai.
Cláudia Lyra disse que sua intenção era decifrar diálogos, especialmente quando senadores falaram simultaneamente. "Vi que havia oradores não-identificados, frases faltando."
Questionada se era praxe se deslocar até o departamento taquigráfico para revisar pessoalmente um depoimento de duas horas, ela afirmou que "não se trata de um fato inusitado" e que fazia uso de sua experiência de taquígrafa. E utilizou um ato da presidência do Senado, de 1997, para justificar sua atitude. Na época ela era secretária-geral adjunta e o então presidente da Casa, senador Antonio Carlos Magalhães (DEM-BA), a designou para supervisionar, coordenar e orientar as subsecretarias de Taquigrafia e Expediente.
Casagrande e Marisa Serrano afirmaram que vão requerer o áudio do depoimento para checar se houve alguma alteração no contexto. "É um atraso inaceitável e, se houve alguma mudança, vou denunciá-la", disse o senador. Procurado por meio de sua assessoria, Renan não se manifestou sobre o caso.
Folha
24.8.07
Avião que levou cubanos do Brasil era da Venezuela
A informação foi revelada pelo senador Heráclito Fortes (DEM-PI) durante audiência na Comissão de Relações Exteriores do Senado. Estavam presentes na sessão o ministro da Justiça, Tarso Genro, e o diretor-geral da Polícia Federal, Paulo Lacerda.
Logo no início da sessão, o ministro foi questionado pelo senador Arthur Virgílio (PSDB-AM) sobre os dados do avião que levou os atletas de volta para Cuba. Ao dizer o prefixo YV-2053, Tarso foi interrompido por Heráclito Fortes.
"Esse prefixo é venezuelano. O avião é da Venezuela", afirmou o senador. Após a sessão, Heráclito disse que "já sabia da informação há mais de 15 dias".
Efetivamente, YV é um dos prefixos usados no país de Hugo Chávez.
O ministro reafirmou ontem que os cubanos, que participaram do Pan do Rio, voltaram para Cuba por vontade própria. "A delegação cubana informou o desaparecimento dos atletas. A polícia encontrou os desaparecidos, que, levados à Polícia Federal do Rio de Janeiro, manifestaram a intenção de voltar ao país de origem", disse.
"Eles foram questionados se queriam refúgio no Brasil ou se queriam voltar. Como optaram pela segunda opção foram deportados, pois houve um desvirtuamento do visto", afirmou o ministro.
"Afinidade"
Tarso também disse que não tem "afinidade" com o regime ditatorial cubano e afirmou que a polêmica sobre o caso dos boxeadores já está resolvida.
"O debate envolve questões ideológicas, sobre como devem se relacionar países que têm distintos regimes políticos. O nosso entendimento é que o Brasil se relaciona muito bem com Cuba, com os Estados Unidos e com qualquer país soberano", disse o petista.
Questionados sobre as declarações do chanceler cubano, Felipe Pérez Roque, que admitiu que o governo do ditador Fidel Castro contatou o Brasil para "propiciar e organizar" a volta dos cubanos, Tarso e Lacerda afirmaram que "em momento algum" foram procurados por autoridades cubanas.
Senadores cobram Tarso sobre cubanos
O episódio da deportação para Cuba de dois atletas que tinham abandonado a delegação nos Jogos Pan-Americanos, no Rio de Janeiro, provocou bate-boca e acusações ao governo, ontem, durante o depoimento do ministro da Justiça, Tarso Genro, na Comissão de Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado.
A oposição, especialmente o senador Heráclito Fortes (DEM-PI), insistiu na acusação de que o governo Lula cedeu a pressões de Cuba e enviou os pugilistas Guillermo Rigondeaux e Erislandy Lara de volta num processo açodado e autoritário. Tarso voltou a dizer que a Polícia Federal agiu dentro da legalidade e não houve pressões do governo de Fidel Castro.
Em 20 de julho, o comitê organizador do Pan informou o desaparecimento de Rigondeaux e Lara e a Secretaria Nacional de Segurança Pública desencadeou uma ampla operação para localizá-los. Eles foram presos no dia 2, em uma praia de Araruama e embarcaram para Havana na noite do dia 4, num vôo fretado pelo governo cubano.
Ontem, Tarso assegurou à comissão que os atletas tiveram toda a assistência jurídica - inclusive de representantes da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e do Ministério Público, em audiências sem a presença dos delegados - e rejeitaram ofertas de refúgio, manifestando desejo de voltar para Cuba. Ele confirmou que no dia 2 recebeu telefonema do assessor especial da Presidência da República, Marco Aurélio Garcia, mas negou que tenha sofrido qualquer ingerência ou pressão para forçar o retorno dos boxeadores. "Ele apenas me perguntou sobre a situação e eu lhe disse: ‘Estamos dando toda a assistência legal. Se eles quiserem, ficam. Se quiserem, voltam’."
Para reforçar seu argumento, Tarso lembrou que outros três cubanos pediram refúgio e continuam no Brasil livremente. "Se estivéssemos a serviço do governo cubano, faríamos um pacote completo com os cinco fugitivos - os dois que pediram para voltar e os três que pediram refúgio", acrescentou o diretor-geral da PF, Paulo Lacerda, presente à audiência.
Segundo Lacerda, não houve contato de autoridades cubanas antes, durante ou depois do Pan para pressionar pela volta dos pugilistas ou dos atletas que ficaram no País. "Os contatos ocorreram no nível da segurança dos jogos, entre a delegação cubana e a delegacia onde foi notificado o desaparecimento dos atletas."
DURÍSSIMO
As explicações de Tarso e Lacerda não convenceram boa parte da oposição, sobretudo Heráclito Fortes, presidente da comissão. "O ditador de Cuba, Fidel Castro, foi duríssimo e enquadrou o governo brasileiro, resultando na deportação dos atletas", atacou o senador. Ele disse que a deportação foi um ato açodado que macula a imagem de Tarso e acusou o governo brasileiro de pôr a PF e seu aparato de segurança a serviço de Cuba para evitar a fuga de seus atletas.
Heráclito também acusou o governo de rapidez excessiva em deportar Lara e Rigondeaux e levantou dúvidas sobre o aval da OAB e do Ministério Público à ação da PF. Ele criticou até o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur), que não apontou nenhuma ilegalidade na deportação.
Em tom de gozação, a líder do governo, Ideli Salvatti (PT-SC), sugeriu que Heráclito destitua a direção do Acnur e assuma seu comando. O senador não gostou e houve um princípio de bate-boca entre os dois: "Ouso sim criticar a ONU. Meu trabalho aqui é exercer o mandato com independência. Dispenso suas sugestões. Eu não denuncio colegas."
FRASES
Paulo Lacerda
Diretor-geral da PF
"Se estivéssemos a serviço do governo cubano, faríamos um pacote completo com
os cinco fugitivos"
Heráclito Fortes
Senador (DEM-PI)
"O ditador de Cuba, Fidel Castro, foi duríssimo e enquadrou o governo
brasileiro, resultando na deportação dos atletas"
Estadão
Mensaleiros = R$ 1,23 bi
Dos 40 políticos, servidores, empresários e seus funcionários denunciados ao STF (Supremo Tribunal Federal) por suposta prática de crimes no caso mensalão, 27 foram citados em relatórios reservados nos quais o Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) aponta indícios de operações suspeitas.
Personagens de 26 documentos elaborados pelo Conselho entre 2001 e 2007, os nomes dos mensaleiros estão relacionados a operações financeiras que totalizam R$ 1,23 bilhão no período e apresentam algum indício de prática de crime de lavagem de dinheiro.
As somas são ainda maiores quando o levantamento do Coaf tem como referência transações financeiras relacionadas aos 37 envolvidos no mensalão que foram alvo de cinco ações de improbidade administrativa apresentadas à Justiça pelo Ministério Público Federal em Brasília na segunda-feira.
Seus nomes estão associados a R$ 1,89 bilhão em operações financeiras consideradas atípicas desde 2001.
Ao fazer o balanço, o Coaf ressalva que as cifras do total de transações financeiras contém distorções. É possível, por exemplo, que seja contado duas vezes um mesmo dinheiro que entrou e saiu de uma conta, o que duplicaria o valor considerado. Em alguns casos foi considerada uma única transação, em outros, um período longo de saques e/ou depósitos.
Deve-se considerar, ainda, que a lista de 40 denunciados por crime e a dos 37 acusados de improbidade administrativa, não fosse por sete nomes, seria a mesma. Daí não ser possível somar os valores movimentados pelos dois grupos para fechar um único número, sob pena de produzir um resultado fictício.
Os relatórios de inteligência financeira do Coaf têm como principal matéria-prima comunicações que recebe dos bancos sobre movimentações consideradas atípicas.
Folha
Financiamento em Alagoas
Dirigente emitiu quatro cheques para pagar contas da campanha de 2004
Documento interno da Cian Gráfica aponta que o diretor da Ceal (Companhia Energética de Alagoas) Sérgio de Almeida emitiu cheques para pagamento de contas de campanha de Renan Calheiros Filho, o Renanzinho, na eleição de 2004.
Em uma planilha de recursos da Cian Gráfica, Almeida passou para a empresa, em julho de 2004, quatro cheques no valor de R$ 4.360 cada um. Segundo a contabilidade da empresa, os cheques referem-se ao pagamento de parte dos custos com a impressão de 500 mil santinhos e 250 adesivos para a campanha de Renanzinho e vereadores. O filho do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), elegeu-se prefeito de Murici (AL) naquele ano.
Segundo a Polícia Federal, a Ceal é uma das estatais alagoanas que contratou a Costa Dourada Veículos, uma das empresas de Ildefonso Tito Uchôa, primo de Renan e suspeito de atuar como laranja do senador.
Para justificar parte de sua renda, Renan disse à PF que tomou R$ 178 mil emprestados da Costa Dourada em 2005. A transação não foi declarada à Receita. Segundo a Folha apurou, Almeida teria sido indicado para a Ceal pelo senador.
Procurado pela Folha, o dono da Cian, Benezildo Moura, confirmou que Renan e seu filho encomendaram material de campanha à sua gráfica.
Em 2002, o senador declarou despesas de mais de R$ 80 mil na Cian e de R$ 27 mil na locadora Costa Dourada.
Renanzinho entrou como sócio da Costa Dourada Radiodifusão e da Correio Gráfica em 2005, com R$ 215 mil que declarou ter recebido de seu pai em 2005 e 2006. Nas duas empresas ele é sócio de Tito.
"Fica a suspeita [de Renan ser o dono dos negócios]. Mas como é também uma relação de pai para filho, o Renan pode estar incentivando o filho a ter um patrimônio", disse o senador Renato Casagrande (PSB-ES), do Conselho de Ética.
Outro lado
Almeida disse que já contratou serviços da Cian, mas disse não se lembrar de ter emitido cheques para pagar contas de campanha do filho de Renan.
Ele negou ter sido indicado para a Ceal por Renan e afirmou que sua área não se envolve em contratos de aluguel de carros. A assessoria do senador não se manifestou sobre o caso.
Folha