14.6.07

Lula, Dirceu e a Mídia

Mídia não vê nada bonito no país, diz Lula
Presidente faz declaração depois de seu irmão, Genival Inácio da Silva, ter sido alvo de investigações da Polícia Federal

Em SP, José Dirceu endossa as críticas: "Os meios de comunicação conservadores são o verdadeiro partido hoje de oposição no Brasil"


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reclamou ontem em Brasília que não vê nada "de bonito" na imprensa brasileira e disse ainda que "neste país há um tipo de gente que precisa ter muita desgraça para poder existir". A mais recente crítica do presidente à imprensa vem num momento em que as últimas operações da Polícia Federal atingiram ministros de seu governo e seu irmão Genival da Silva, o Vavá, investigado por suposta prática de lobby.
Lula fazia discurso no lançamento do Plano Nacional de Turismo quando fez as críticas. "O que a gente vê de bonito na imprensa brasileira? Quais são as mensagens que nos provocam a viajar no final de semana? Não tem", exemplificando que: "Se fala de Pernambuco, é morte; se fala do Ceará, é morte, se fala da Bahia, é morte. Aí a pessoa diz: "Espera aí, não vou sair daqui não, vou ficar dentro de casa". E ainda olha, vê se não tem uma fresta, para não vir bala perdida".
Apontando a redemocratização dos meios de comunicação como uma prioridade, o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu também escolheu a imprensa como alvo. Disse, durante congresso nacional de metalúrgicos da CUT, que a imprensa conservadora é "o verdadeiro partido hoje de oposição".
"Nunca foi tão possível como agora" democratizar os meios de comunicação, introduzindo regulação e concorrência no setor", disse, acrescentando: "Tem uma profunda divisão dos formuladores de comunicação no Brasil. Há uma possibilidade real de aproveitarmos esse momento".
Segundo ele, "um dos grandes erros" do primeiro mandato de Lula da Silva foi "subestimar o poder da mídia".
"Essa aliança política da oposição de direita conservadora, com os meios de comunicação conservadores, que são o verdadeiro partido hoje de oposição no Brasil, junto com interesses internacionais, é que se opõe a nós", discursou.
Na saída, Dirceu endossou as críticas de Lula à atuação da PF. "A Polícia Federal não é Ministério Público, não é Poder Judiciário. Está submetida ao presidente da República."

Cobranças
Lula também cobrou ontem dos governadores que façam publicidade de seus Estados e criticou setores políticos e do Judiciário. "Não basta ficar falando bem do Acre dentro do Acre, os acreanos já sabem. Agora, se fizer isso, vão dizer: "Está gastando dinheiro". Já vai o Ministério Público abrir um processo, já vai um deputado de oposição criticar, já vai fazer um monte de coisa. Porque neste país ainda há um tipo de gente que precisa ter muita desgraça para ele poder existir", reclamou Lula.
O presidente levou a platéia, formada por políticos e empresários, às gargalhadas ao citar situações do cotidiano e associá-las as dificuldades para o brasileiro viajar. "Sair de casa é efetivamente um estado de espírito (...) Tem que estar com humor, a mulher tem que acordar: "Amorzinho, vamos, amorzinho", porque, se ela começar xingando, o marido já não vai, já bota o cuecão, fica deitado ali mesmo e não sai", disse.
Em outra descrição do cotidiano, disse que "o cidadão fica em casa vendo televisão, brigando com a mulher". "Aí a mulher vai fazer a limpeza no pé dele e ele já dá um coice. Aí chega o genro, já toma a cerveja gelada dele. (...) Então, nós precisamos, como diz o bom companheiro, bulir com o estado de espírito do povo brasileiro."

Folha

Pintados e lambaris

AO PERSEGUIR um cardume de pintados, a Polícia Federal fisgou um lambari -um lambari especial, posto que irmão do presidente da República. As informações disponíveis até agora são condizentes com o status de Genival Inácio da Silva na alegoria composta pelo presidente Lula, um amante da pesca.
Em conversas entre articuladores de negociatas flagrados na Operação Xeque-Mate, Genival é considerado um diamante bruto do lobby, com potencial de facilitar a abertura de portas no Executivo, desde que bem conduzido. "Vavá [como é conhecido] é uma pessoa que você tem que direcionar", disse um agenciador de caça-níqueis em conversa gravada com autorização judicial.
Já Dario Morelli, compadre de Lula com amplo trânsito no PT, "é outra linhagem", como se diz nos grampos. Está mais para a estirpe dos pintados -em adaptação livre do piscoso universo metafórico presidencial aos indícios levantados pela polícia. A despeito do que o desenrolar das investigações venha a revelar, registre-se mais uma vez a impressionante capacidade que têm amigos, parentes e correligionários próximos de Lula de meter-se em enroscos com a lei.
No episódio da Operação Xeque-Mate, o ministro da Justiça afirmou ter contado a Lula sobre o envolvimento de seu irmão horas antes de deflagrada a diligência -atitude que suscitou muitas críticas ao governo. Mas as falhas no controle de informações sigilosas não decorreram necessariamente dessa comunicação prévia, se é que ela ocorreu, entre Tarso Genro e Lula.
O presidente da República é o chefe do governo, ao qual está subordinada a Polícia Federal. Deve ser alertado sobre ações da PF que venham a expor seus familiares, caso da busca na casa de Genival. Trata-se de situação típica em que mal se distingue a pessoa física da instituição que ela representa. O que o presidente está impedido de fazer, sob pena de incorrer em crime de responsabilidade, é valer-se da informação privilegiada e das prerrogativas do cargo para obstar as investigações policiais.
Preocupantes são os indícios, a esta altura bastante convincentes, de que investigados foram avisados com antecedência sobre a monitoração da PF. O governo deve um esclarecimento rápido sobre a origem desse vazamento criminoso.
Inoportunas e estranhas também soaram as críticas feitas na terça-feira por Lula à atuação da Polícia Federal no caso. Queixas contra os grampos e sua divulgação por delegados em conflito interno vieram de quem passou quatro anos a louvar -com direito ao bordão "nunca antes na história" e seus variantes- a emancipação investigativa da PF.
Seria apenas mais uma demonstração do comportamento errático de Lula se não transmitisse uma mensagem institucional ruim -uma ameaça velada de intervenção para "enquadrar" o órgão policial.
Editorial Folha

13.6.07

Renan ataca EXTRA de Alagoas!

Renan ataca EXTRA mas não explica relações promíscuas

"JORNALECO" responde a Renan e cobra que explique a origem de seu patrimônio

Por Mendonça Neto


O senador Renan Calheiros atribuiu as denúncias contra seu comportamento de homem público sub judice, ao jornal EXTRA, declarando, da presidência do Senado: "Por estas inverdades já processei mais de dez vezes um jornaleco local (Maceió) que até foi obrigado a mudar de nome para fugir da justiça".

Infere-se de tal declaração que o "jornaleco" incomodou o senador sob investigação e incomodou tanto que foi citado em sua defesa, como se se tratasse de um jornal de influencia em todo o país, e nunca um mero panfleto de província.

É verdade que o senador passa grande parte de seu tempo tão precioso, maquinando formas de fechar o modesto "jornaleco" que ele não consegue comprar, mesmo com seu patrimônio de mais de R$ 50 milhões, fruto de sua bem sucedida "carreira".

Mas, nem tudo o EXTRA pode, no seu poder descoberto pelo senador da Mendes Junior, que o odeia com todas as forças de sua impotência coronelesca em fechá-lo ou submete-lo à sua vontade e a seu talante.

O EXTRA não pode, por exemplo, engravidar uma jornalista e com ela ter um filho adulterino, a quem SÓ RECONHECEU E PAGOU DIREITOS DEBAIXO DE VARA, como ele próprio confessa ao citar Ação de Alimentos ajuizada em Brasília. Ora, se o pai responsável tivesse assumido a paternidade, não haveria ação judicial.

O EXTRA não pode pedir a amigos donos de construtora que sejam portadores de pensões, até porque se a pensão é fruto de ação judicial, bastaria o depósito em conta bancária, muito menos constrangedor para a mãe do que ter que ir todo o mês a sede de uma empreiteira.

O EXTRA não pode indicar Ministros do governo Lula, que tão facilmente se corrompem, e muito menos, por não ser seu irmão, permitir que o deputado Olavo Calheiros levasse DIVERSAS VEZES, e de surpresa, o sr Zuleido de TAL, para audiências onde cobrava a liberação de verbas consignadas no Orçamento pelos srs Renan Calheiros, Olavo Calheiros e outros.

O EXTRA não pode comprar uma casa de praia na cidade de Barra de São Miguel, paraíso turístico de Alagoas, por TRES MILHOES DE REAIS e escritura-la por TREZENTOS MIL, porque seria não só falsidade ideológica como sonegação de impostos, e isto o EXTRA não faz.

O EXTRA não pode se dizer dono de 10 mil hectares de terra, inclusive devastando Mata Atlântica, na região de Murici, algumas delas pertencentes a massa falida das antigas usinas São Simeão e Bititinga, porque esta área vale cerca de VINTE E CINCO MILHÕES DE REAIS, e só os irmãos Calheiros poderiam tê-la comprado a "preço tão vil".

O EXTRA não pode ter comprado apartamento (Edifício Tartana) num bairro nobre de Maceió, porque não possui a importância para paga-lo de cerca de DOIS MILHÕES DE REAIS.

O EXTRA não pode freqüentar as mansões luxuosas do sr Zuleido, porque não o conhece, e se o conhecesse, nunca seria convidado, pois o sr Zuleido só confia para a sua intimidade quem tem poder para retribuir-lhe a "gentileza". O EXTRA não conhece lanchas nem iates e nem recebeu brindes do sr Zuleido, tanto quanto o EXTRA, também, não foi citado nos grampos da polícia Federal, como o foram o senador Renan, seu irmão, e seus aliados Teo Vilela, Adeilson Bezerra, Enéas Alencastro e outros.

O EXTRA não pode DETERMINAR INVESTIGAÇÃO OU PRISÃO de ninguém a Policia Federal. O Senador sabe que a PF é subordinada ao Ministério da Justiça e ao Presidente da República.

O EXTRA não pode DETERMINAR o que a revista Veja ou jornalistas como Fernando Rodrigues, Ricardo Noblat, Clovis Rossi, Jânio de Freitas, e outros homens acima de qualquer suspeita escrevam . Eles não estão na humilde folha de pagamento deste pobre "jornaleco".

O EXTRA não pode usar a cadeira de Presidente do Senado para se proteger dos apartes , como o fez o senador, que abusou do poder, pois as acusações a ele atribuídas o foram na condição de senador e não de presidente do Senado. Deveria, pois, por ética, passar a presidência ao vice, e defender-se da tribuna singular de senador da República.

Mas o EXTRA das Alagoas pode ser pequeno e – supremo atrevimento - "fitar os Andes", já que Rui Barbosa foi citado, evidentemente pela boca mais imprópria e descabida, porque Rui notabilizou-se com a frase em que dizia que de tanto ver triunfar as nulidades (e os corruptos) o homem sente vergonha de ser "honesto".

O poderoso senador não conseguiu explicar suas relações anti republicanas com empreiteiras que navegam no submundo das negociatas do Orçamento, nem porque, como Senador, tem vínculos tão estreitos com empreiteiros e lobistas.

Mas o senador prestou a homenagem da ignomínia à decência, ao confessar que processou por mais de dez vezes o EXTRA, em busca de ressarcimento por danos morais (?) mas não dobrou o "jornaleco", que diferente dos seus comensais, não vende sua opinião n em negocia suas denúncias, e por isso, como nesta última edição, esgotou nas bancas de Maceió. Por falta de dinheiro, não tiramos uma segunda. Nem vamos pedir aos Zuleidos que banquem nossas despesas nem que lancem, do fundo de suas vidas criminosas, o seu patrocínio para o nosso modesto jornal.

Jornaleco, senador, será o jornal que o defender de tantos crimes, desde tráfico de influência, formação de quadrilha, desvio de dinheiro público e, até, de omissão de paternidade . Não esqueça, mesmo tendo sido um aluno relapso no curso de Direito, que o calote na pensão de alimentos dá cadeia. Pague direitinho à mãe de seu filho e deixe de fora sua família, sua pobre esposa, usadas como chantagem emocional para desviar o foco de suas transgressões como político e como homem.

Lula quer evitar "abusos" da PF

Lula discute medidas para evitar "abusos" da PF com ministros

Governo planeja fazer auditoria no programa de escutas de telefônicas da PF pois suspeita de grampos sem autorização

Planalto ainda quer tornar obrigatória a necessidade de o Ministério Público ser ouvido antes de a Justiça decidir pedido de escuta

Na reunião de anteontem com seus principais ministros, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva discutiu quatro medidas para tentar evitar o que se chamou no encontro de "abusos" da PF (Polícia Federal). Essas medidas estão em estudo e, se aprovadas, constarão de projeto de lei que o governo pretende enviar ao Congresso e de uma espécie consolidação de regras de atuação da PF.
Segundo a Folha apurou, a primeira medida é criar uma auditoria regular no programa de escutas de telefônicas da PF, o chamado "Guardião". Essa auditoria seria feita por um órgão independente do Poder Executivo. No caso, pelo Ministério Público Federal.
O governo desconfia que o "Guardião" esteja sendo usado por setores da PF para fazer escutas telefônicas sem autorização judicial. Exemplo: a polícia pede autorização para investigar uma pessoa suspeita. Capta uma fala dessa pessoa com outra, e então passa a grampear conversas dessa segunda pessoa sem autorização.
A idéia é que o Ministério Público faça uma checagem rotineira e sistemática da legalidade de todas as escutas em execução pelo "Guardião".
A segunda medida é tornar obrigatória a necessidade de o Ministério Público ser ouvido antes de o juiz decidir se acata o pedido da polícia para permitir um grampo. Hoje, o Ministério Público só se manifesta após a decisão judicial.
O governo discutiu a possibilidade de responsabilizar o delegado federal que chefia uma investigação caso haja vazamentos. O ministro da Justiça, Tarso Genro, chegou a dizer na reunião de anteontem que essa era uma medida complicada, pois o vazamento poderia ser feito por outra pessoa.
Cogitou-se, então, formalizar a exigência de que o delegado-responsável pelo inquérito faça uma prestação de contas obrigatória no caso de vazamentos, mesmo que seja para dizer que tal ação não partiu da polícia.
A quarta medida é tornar obrigatórios informes públicos da PF para todos os órgãos de imprensa logo após a deflagração de uma operação. Exemplo: no caso da Operação Navalha não houve uma manifestação oficial à imprensa no dia da operação. A idéia é tornar um ritual obrigatório os informes à imprensa. Procurada pela Folha, a assessoria de imprensa da PF disse que a polícia não comentaria as medidas debatidas na reunião de anteontem.
A assessoria de imprensa do Palácio do Planalto não quis se manifestar. Reservadamente, um auxiliar direto de Lula afirmou que o governo avalia que as investigações da PF devem ser feitas, mas sem eventuais atropelos a direitos e garantias individuais. Também disse que medidas para evitar tais atropelos foram discutidas na reunião de coordenação.
A assessoria de imprensa do Ministério da Justiça disse que o ministro estava em viagem e que até as 19h10 não conseguira entrar em contato com ele.

Lacerda na PF
A Folha apurou que Lula já disse ao ministro que deseja que o diretor-geral da PF, Paulo Lacerda, fique em definitivo no cargo e não só até o final do ano. Na avaliação da cúpula do governo, a ambigüidade em relação à permanência de Lacerda e uma espécie de "sucesso que subiu à cabeça" seriam as causas de eventuais abusos.
Segundo a assessoria de Tarso, ele nunca disse que Lacerda estava garantido no posto apenas até dezembro deste ano, como relataram jornais na semana passada. A assessoria disse ontem que Tarso já afirmou que Lacerda não é interino.
Folha

De "bronca" em "bronca"

- O presidente do Conselho de Ética do Senado, Sibá Machado (não por acaso do PT), age como advogado de defesa de Renan Calheiros em vez de comportar-se como manda a ética mais elementar, ou seja, como condutor de uma investigação para apurar desvio de conduta do presidente do Senado.
Dispensa depoimentos que poderiam, eventualmente, criar embaraços para o investigado, mas certamente aceitará tudo o que vier dele como prova cabal e definitiva de inocência.
Se esse é o comportamento do presidente do Conselho de Ética, não é difícil deduzir que nota o Senado tiraria se houvesse algum concurso de ética pública. Já o presidente da República parece ser a única pessoa no pobre país tropical que não sabia das "broncas" que envolvem seu irmão Vavá, Genival Inácio da Silva. Uso "bronca" para reproduzir expressão de outro Inácio da Silva, o "frei" Chico, a respeito de Vavá.
Como Sibá Machado em relação a Renan Calheiros, Lula passou atestado prévio de boa conduta ao irmão ao dizer que não acredita no envolvimento de Vavá, conforme declarações feitas quando ainda estava na Índia e quando não haviam surgido gravações feitas pela Polícia Federal que não deixam margem a dúvidas sobre o tipo de "broncas" em que o irmão do presidente está envolvido.
Se "frei" Chico sabia, de duas, uma: ou a família Inácio da Silva é tremendamente desunida, a ponto de um irmão não contar ao outro as "broncas" de um terceiro irmão, apesar de estas trazerem prejuízo para o governo presidido pelo primeiro irmão, ou contou e o irmão-presidente simplesmente não deu bola. Ou limitou-se a dar uma "bronca", aí com outro sentido, o que não é papel de presidente.
E assim a República vai vivendo, de "bronca" em "bronca". Punição que é bom, nadica de nada.
CLÓVIS ROSSI

12.6.07

Morelli, o "amigão"

— Dario Morelli, preso e apontado pela Polícia Federal como o dono de uma casa de jogos em Ilhabela (litoral norte de São Paulo) e ligado a Nilton Cezar Servo — um dos líderes de quadrilha que pagava propina para manter bingos em funcionamento —, foi motorista e segurança de Luiz Inácio Lula da Silva e considerado uma espécie de “faz-tudo” da família do presidente da República. Lula é compadre de Morelli e batizou um de seus filhos.

Tanta era a proximidade que, em novembro do ano passado, Morelli foi quem registrou um boletim de ocorrência na polícia sobre um furto de 300 metros de cobre de um sítio na Estrada da Cocaia, em Riacho Grande, município de São Bernardo do Campo (ABC paulista), de propriedade do presidente Lula. Em novembro de 2003, também comunicou à polícia o furto de um celular da primeira-dama Marisa Letícia da Silva. Ele também é amigo de Genival Inácio da Silva, o Vavá, irmão do presidente Lula, que teve a casa vasculhada e foi indiciado pela PF porque teria pedido dinheiro a Nilton Servo para, supostamente, defender interesses dos donos da jogatina junto ao governo.

Morelli foi segurança e motorista de Lula na campanha de 1994. Passou ainda pelo Instituto Cidadania — a ONG petista comandada por Lula —, atuou em campanha da ministra do Turismo e ex-prefeita de São Paulo, Marta Suplicy, foi funcionário da

Secretaria de Habitação de São Paulo na gestão da então petista Luiza Erundina, entre 1989 e 1991; trabalhou para a bancada do PT na Assembléia Legislativa de São Paulo, de 1999 a 2002, e também para José Dirceu (ex-ministro da Casa Civil e deputado cassado), no mesmo ano de 1994.

A partir de 2002, Morelli ocupou cargos na prefeitura petista de Diadema, também na região do ABC, comandada por José Fillipi Junior, o tesoureiro da campanha de Lula à reeleição para a Presidência da República. Ultimamente, era assessor técnico de diretoria da Companhia de Saneamento de Diadema (Saned).

Morelli é também sócio de uma locadora de automóveis chamada Servip Serviço de Distribuição, localizada na Chácara Santo Antônio, Zona Sul de São Paulo, que prestou serviços para a campanha do candidato petista ao governo de São Paulo Aloizio Mercadante. Na Junta Comercial de São Paulo, a empresa Servip, de Morelli, aparece com seis títulos protestados — no valor total de R$ 2,2 mil —, e registros de sete cheques emitidos sem fundos.
Correio Brasiliense

Lula decepcionado

Em reunião fechada, Lula reclama de atuação da PF

Em reunião com a coordenação política do governo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva manifestou ontem preocupação com possíveis excessos cometidos nas investigações da Polícia Federal e disse que a corporação precisa ter cuidado com vazamentos de conversas grampeadas para não expor suspeitos sem provas.

Lula reiterou que não acredita no envolvimento de seu irmão, Genival Inácio da Silva, o Vavá, com a máfia dos caça-níqueis. Foi a primeira vez que o presidente fez um reparo à condução dos trabalhos da PF desde o início da Operação Xeque-Mate. “A Polícia Federal tem de investigar o que tem de ser investigado, mas é preciso ter cuidado com os processos de investigação para evitar os excessos”, afirmou, de acordo com ministros que participaram da reunião, a portas fechadas, no Palácio do Planalto.

O governo está preparando um projeto que restringe o uso das escutas telefônicas nas investigações. Pela proposta que está em debate, a polícia só poderia utilizar grampos nas apurações com a autorização do Ministério Público.

Ao ouvir ontem o relato do ministro da Justiça, Tarso Genro, sobre o andamento das investigações da PF, Lula afirmou que muitas vezes os vazamentos de escutas telefônicas expõem os investigados de forma irreparável. “Depois, quando se vai ver, não é bem assim e a vida da pessoa já está arruinada, como ocorreu no caso da Escola Base”, argumentou.

O episódio a que se referiu o presidente ocorreu em março de 1994, em São Paulo. Os donos da Escola Base foram massacrados publicamente depois de serem acusados de abusar sexualmente de alunos. O caso virou manchete, a escola foi depredada, mas a Justiça concluiu pela inocência dos acusados.

DECEPÇÃO

Lula avalia que Vavá foi um inocente útil, como definiu o diretor-geral da Polícia Federal, Paulo Lacerda. Em conversas reservadas, porém, o presidente mostrou decepção com o comportamento de Dario Morelli Filho, seu compadre, que foi preso na Operação Xeque-Mate, acusado de ser sócio de uma casa ilegal de máquinas caça-níqueis.

Sindicância da PF apontou que Vavá, indiciado em inquérito, foi aliciado por Morelli para o negócio.

Morelli é muito próximo de Lula e de Marisa Letícia, a primeira-dama. Foi ele quem registrou um boletim de ocorrência quando uma propriedade rural do presidente transformou-se em alvo de assaltantes durante o primeiro mandato.

O compadre de Lula fez o mesmo quando Marisa teve um objeto roubado. “Conheço ele das festas do PT”, disse o filho de Vavá, na semana passada.
Estadão

Ditadura empregou guerrilheiros

Um dos expoentes do primeiro escalão do regime militar, o ex-ministro e ex-senador Jarbas Passarinho joga luzes num dos maiores mistérios envolvendo esquerda e direita nos chamados anos de chumbo.
Em entrevista ao Jornal do Brasil, Passarinho revela detalhes que reforçam a suspeita de que ainda estão vivos alguns guerrilheiros do Araguaia que hoje - 32 anos depois do fim do conflito - freqüentam todas as listas de desaparecidos políticos.

-Recebi, em 1973, um pedido do Bandeira (general Antônio Bandeira, ex-chefe do Comando Militar do Planalto, já falecido) para dar emprego a cinco guerrilheiros arrependidos - lembra Passarinho.
- Eram todos jovens e foram empregados no Setor de Comunicação do Ministério da Educação e Cultura quando eu era o titular da pasta.

O assunto foi tratado à época como segredo militar, para proteger a decisão de Bandeira, e, ao mesmo tempo, garantir a privacidade dos ex-guerrilheiros. A possibilidade de ex-guerrilheiros estarem vivos alimenta boa parte dos pesquisadores que se dedicam às investigações sobre o período da luta armada. O mistério encontra respaldo na falta de informações sobre o paradeiro de 154 guerrilheiros que desapareceram entre 1968 a 1975 - 58 deles ativistas recrutados pelo PCdoB que desapareceram na Guerrilha do Araguaia.

Passarinho tem três certezas sobre o pedido de Bandeira: eram cinco homens, estavam arrependido e tinham sido presos no Araguaia.

- Lembro que o Bandeira estava convencido de que os jovens haviam se arrependido mesmo e que queriam, sinceramente, mudar de vida - relata o ex-ministro.

O episódio teria ocorrido em 1973, uma época em que o grupo de oficiais que Passarinho diz ter formado um comando paralelo no Araguaia não fazia mais prisioneiros - era o começo do massacre dos militantes do PCdoB. Passarinho diz que nunca soube os nomes dos guerrilheiros. Lembra que, depois de terem sido apanhados na área da guerrilha, foram transferidos para o Pelotão de Investigações Crimi nais (PIC), em Brasília, onde passaram por sessões de interrogatório até serem ouvidos pelo general Bandeira.

Anticomunista radical, o general tinha predileção por longas conversas pessoais com guerrilheiros presos, mesmo aqueles de quem nunca mais se ouviria falar. Passarinho afirma que encaminhou os nomes a uma servidora responsável pelas revistas que o MEC editava e esta providenciou a lotação dos novos funcionários do governo militar. Segundo Passarinho, mais tarde um deles foi encaminhado para um jornal de Brasília, onde teria trabalhado como jornalista.

Passarinho diz que foi ele mesmo quem pediu a um dos diretores do jornal o emprego para o rapaz.

- Desde que deixei o MEC nunca mais soube o que aconteceu com eles. Devem estar por aí - diz o ex-ministro.

A jornalista Myrian Alves - que há anos pesquisa o tema e recolhe dados para uma biografia do italiano Líbero Giancarlo Castiglia, o Joca, único estrangeiro entre os militantes do PCdoB a combater na guerrilha - diz que as dúvidas sobre a existência ou não de sobreviventes são reforçadas pela falta de informações sobre o destino de guerrilheiros que foram vistos vivos pela população e sobre os quais não há, nos relatórios da esquerda ou em documentos militares pesquisados, qualquer tipo de informação sobre o destino que tiveram.

- De fato, suspeita-se que alguns possam estar vivos - diz ela. Quem se debruça sobre o assunto evita citar nomes para não causar expectativa entre familiares de desaparecidos políticos. Em conversas reservadas com oficiais que participaram de recentes discussões sobre desaparecidos, os pesquisadores sempre ouvem o velho bordão "nada a declarar" quando pedem informações sobre nomes de guerrilheiros que podem estar vivos.

Jornal do Brasil

Bingo e caça-niquel do Zeca do PT

Bingo e caça-níquel eram política de governo de Zeca do PT, diz delegado

Segundo Marcelo Vargas, que aparece nos grampos, lei estadual permitiu ação de máfia em Mato Grosso do Sul

A tolerância com a jogatina em Mato Grosso do Sul, alvo principal da Operação Xeque-Mate, teve respaldo em uma lei estadual e uma contratação feita pelo governo Zeca do PT, em seu primeiro mandato (1999-2002). A informação é do delegado Marcelo Vargas Lopes, da Polícia Civil, que depôs ontem no inquérito sobre corrupção, contrabando, formação de quadrilha, tráfico de influência e exploração de prestígio envolvendo 79 empresários e lobistas, incluindo Genival Inácio da Silva, o Vavá, irmão mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e Dario Morelli Filho, amigo e compadre do presidente.

“Bingo e caça-níquel não era uma política de repressão de segurança pública, mas uma política de governo”, declarou Vargas. O delegado é citado nos grampos feitos pela Polícia Federal, com autorização da Justiça. Ele atribui as menções ao seu nome à “raiva desse povo”.

Vargas, que foi diretor da Delegacia Especializada de Ordem Política e Social (Deops), entre julho de 2003 e julho de 2006, acredita que é “alvo de retaliação, com certeza”.

Os grampos revelam que a máfia dos caça-níqueis corrompia policiais para não ter as suas máquinas apreendidas e para obter informações antecipadas sobre repressão. Vargas é citado em uma conversa de Ari Silas Portugal, acusado de chefiar uma das cinco quadrilhas desbaratadas pela PF.

Portugal aparece nas investigações como sócio do deputado estadual Coronel Ivan (PSB) - que foi comandante da PM na gestão Zeca do PT. Segundo a PF, Ivan, além de sócio, usava a sua influência dentro da corporação para favorecer o grupo e os seus negócios.

Em um diálogo entre Portugal e um funcionário, gravado em 8 de março, ele sugere o envolvimento de Vargas no esquema: “Está do nosso lado.”

Portugal parece confiante que suas máquinas não serão apreendidas e pede para o funcionário manter a casa de videobingo aberta. “Fala para ele deixar aberto lá, na nossa ninguém vai mexer não.” E explica: “Ele conhece o cara, tá no lugar do cara que tá do nosso lado. Os caras acho que não pagou lá... Mas não é para deixar levar nada. Só se tiver mandato da Federal, Civil não é para deixar levar não, nem Militar.”

Para a PF, “ele” é Ivan, “o cara” é o delegado da Deops Fernando Augusto Soares Martins - preso na Operação Xeque-mate - e “o cara que tá do nosso lado” é Vargas.

CONVÊNIO

Vargas confirmou ontem ter conversado com Ivan, mas nega ligação com o grupo investigado: “Realmente conversei com o Coronel Ivan várias vezes, mas foram contatos profissionais.”

“Durante todo esse período em que fui titular da Deops, existia uma lei estadual que permitia a exploração das máquinas, inclusive a concessão para uma empresa de Campo Grande, que firmou convênio com a Lotesul”, declaro o delegado. “Era um problema de fiscalização, segundo as orientações de governo. Não era responsabilidade da Deops.”

Segundo Vargas, com base na lei estadual do bingo, o governo Zeca do PT abriu uma licitação e contratou a Jana Promoções, do empresário Jamil Nami - cujo filho, Jamil Nami Filho, foi preso pela Xeque-Mate. “A polícia não tinha competência para fechar bingos”, afirma.

O delegado diz que a “política de governo” ligada ao jogo ainda vigora: “Ou não existem banca de jogo do bicho na cidade?” Vargas supõe que foi alvo de vingança por ter comandado uma operação no norte do Estado, na qual foram apreendidos 76 caça-níqueis. A missão foi deflagrada depois que o jogo virou polêmica no governo e a Justiça cassou liminares favoráveis aos empresários.

Procurado ontem, Zeca do PT não se manifestou sobre o caso.

11.6.07

Cháves quer verdadeiros socialistas

Chávez pede a seguidores que doem bens desnecessários

CARACAS - O presidente venezuelano, Hugo Chávez, recomendou a seus seguidores que abram mão de bens que não usam, como uma geladeira a mais, porque espera que apenas verdadeiros socialistas sejam membros do novo partido que ele está formando.

- Quem tem uma geladeira que não precisa, que coloque na praça da vila. Quem tem um caminhão, um ventilador ou um fogão que não precisa, dê alguma coisa. Não sejamos egoístas. Eu exijo isso de vocês - disse Chávez numa cooperativa leiteira, em comentários divulgados nesta segunda-feira.

Chávez prometeu doar 250 mil dólares do próprio bolso. - Vamos ver quem segue o exemplo - acrescentou.

O presidente, que vê no líder cubano Fidel Castro seu mentor, nega estar transformando o país, habitado por ávidos consumidores, em um Estado comunista, como dizem seus críticos.

Mas, desde que assumiu o poder, em 1999, Chávez propõe medidas cada vez mais radicais para guiar o país ao socialismo.

O presidente concentra suas ambições políticas neste ano na formação de um partido governista único, reunindo a miríade de legendas que tradicionalmente o apóiam.

As autoridades dizem que milhões de cidadãos já se filiaram ao Partido Socialista Unificado da Venezuela, que Chávez pretende usar como plataforma para governar o país durante décadas.

- Se eu terminasse com apenas cinco pessoas se apresentando entre esses 5 milhões, eu já ficaria feliz - disse Chávez no domingo, em declarações distribuídas na segunda-feira pelo governo e publicadas na imprensa local. - Só quero ser acompanhado por verdadeiros socialistas.

Críticos de Chávez dizem que suas constantes investidas contra o consumismo de inspiração americana contrastam com o comportamento de altos funcionários do governo, frequentemente vistos em restaurantes de luxo ou passeando em carros sofisticados.
Reuters